Professores e pesquisadores ligados a instituições de ensino superior no Brasil têm conciliado a carreira acadêmica com a produção de conteúdo em plataformas de assinatura adulta. O fenômeno envolve debates sobre renda, autonomia, ética profissional e os limites entre vida privada e atividade institucional.
Entre os casos relatados estão o professor Thiagson, ligado à área de música e estudos sobre funk, e a bióloga e docente Rosana Abrante, servidora de um instituto federal no Espírito Santo.
Thiagson afirma que iniciou a produção de conteúdo como extensão de sua pesquisa acadêmica sobre sexualidade e cultura no funk, e posteriormente passou a monetizar publicações em plataforma adulta. Ele relata que a atividade funciona como complemento de renda e também como provocação às normas de moralidade associadas ao meio acadêmico.
O professor defende que há uma expectativa histórica de separação entre o corpo e a figura do intelectual, o que, segundo ele, influencia a forma como sua atuação é recebida no meio universitário.
Já Rosana afirma que começou a atuar na plataforma em 2023 como fonte adicional de renda, sem vínculo institucional com a atividade. Segundo ela, o conteúdo é produzido de forma independente e sem associação à instituição de ensino onde trabalha.
A docente relata que passou a ser alvo de processo administrativo após denúncia interna sobre possível conflito com o regime de dedicação exclusiva. A apuração resultou em punição administrativa e devolução de valores, posteriormente parcialmente suspensa por decisão da Justiça Federal, que apontou dúvidas sobre o enquadramento da conduta.
Ela afirma que sua renda mensal na plataforma pode chegar a cerca de R$ 20 mil, enquanto a remuneração como servidora seria inferior. Já a instituição afirmou que o caso tramita sob segredo de Justiça e está sendo acompanhado pela Advocacia-Geral da União.
Os dois casos expõem discussões sobre limites legais do serviço público, liberdade de expressão e a crescente presença de profissionais da educação em plataformas digitais de conteúdo pago.
Fonte: gq