Após derrota histórica, Lula avalia indicar mulher negra ao STF e ampliar confronto político com Senado

por Redação

A derrota da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova crise política entre o Palácio do Planalto e o Senado. Nos bastidores, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que o chefe do Executivo “dobre a aposta” e escolha uma mulher negra para a próxima vaga na Corte.

A avaliação ganhou força após a rejeição de Messias pelo Senado, em um cenário considerado inédito desde a redemocratização. O governo sofreu derrota mesmo diante de articulações políticas e da liberação de emendas parlamentares.

Nos corredores de Brasília, a juíza federal Adriana Cruz passou a ser citada como possível alternativa. Magistrada do Rio de Janeiro, ela atua em vara especializada em lavagem de dinheiro, integrou o gabinete do ministro Luís Roberto Barroso e participa do Observatório de Direitos Humanos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Aliados do governo avaliam que a indicação de uma mulher negra sem ligação direta com governos petistas poderia dificultar o discurso da oposição no Senado. Durante a sabatina de Jorge Messias, senadores bolsonaristas alegaram que o então indicado seria “mais petista que evangélico”, usando como argumento pareceres da AGU relacionados ao aborto.

A crise também expôs o desgaste institucional envolvendo o STF. O texto destaca críticas de setores políticos à atuação de ministros da Corte e aponta que o tema do impeachment de magistrados ganhou espaço no debate eleitoral para o Senado.

Nos bastidores, senadores da oposição afirmam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalhou diretamente para barrar a indicação de Messias. Segundo relatos, ele articulou apoio de partidos como PP, PSDB, PSD e Republicanos ao lado do PL para derrotar o governo.

A movimentação é comparada à estratégia usada pelo Partido Republicano nos Estados Unidos durante o governo Barack Obama. Em 2016, os republicanos bloquearam a indicação de Merrick Garland à Suprema Corte, deixando a vaga aberta para o então presidente Donald Trump preenchê-la posteriormente.

Diferentemente do caso americano, Lula ainda busca a reeleição. Por isso, aliados enxergam um eventual bloqueio de nova indicação como oportunidade para o presidente explorar politicamente o discurso de perseguição institucional.

Mesmo assim, interlocutores do Planalto reconhecem que Lula não se envolveu pessoalmente na articulação final para aprovar Messias. Senadores afirmaram não terem sido procurados diretamente pelo presidente antes da votação, enquanto Lula participou de compromissos políticos e encontros no Palácio da Alvorada às vésperas da sabatina.

Agora, o governo tenta definir se insistirá em uma nova indicação ainda antes das eleições ou se aguardará um cenário político menos turbulento.

Fonte: VALOR

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