Moraes atuou nos bastidores contra indicação de Jorge Messias ao STF, dizem fontes

por Redação

A derrota da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) teria contado com atuação direta do ministro Alexandre de Moraes nos bastidores políticos de Brasília. Segundo relatos obtidos junto a integrantes do STF, parlamentares e fontes do meio jurídico, Moraes se engajou na articulação para ampliar os votos contrários ao nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com as informações, o ministro teria reforçado os movimentos liderados pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), acionando interlocutores próximos para enviar recados a senadores com processos no Supremo ou ligação com aliados políticos da Corte.

A movimentação criou um cenário considerado improvável nos bastidores: Alexandre de Moraes, relator de investigações envolvendo bolsonaristas e alvo frequente de ataques da oposição, acabou alinhado circunstancialmente à ala do Senado ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que defende o impeachment de ministros do STF.

O principal motivo da resistência estaria na disputa interna de forças dentro do Supremo. Apoiado pelo ministro André Mendonça, Jorge Messias poderia fortalecer um bloco contrário à influência de Moraes em temas sensíveis da Corte.

Além disso, segundo relatos, Moraes nunca teria aceitado a decisão de Lula de ignorar o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), defendido por Alcolumbre e pelo próprio ministro nos bastidores para ocupar a vaga no STF.

A aliança entre Moraes e Alcolumbre teria se repetido ao longo da votação que terminou com a rejeição de Messias no Senado. O impacto político da derrota do governo, que fortalece o discurso da oposição e beneficia a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), não teria sido considerado prioritário pelos articuladores da ofensiva.

Nos bastidores do Supremo, integrantes da Corte afirmam que Moraes e o ministro Flávio Dino — apontado como desafeto de Messias — avaliaram que a disputa interna pela composição do STF era mais relevante do que os efeitos políticos externos da derrota do governo.

André Mendonça, por outro lado, atuou diretamente em favor de Messias durante os cinco meses de articulação da candidatura. O ministro buscou apoio entre parlamentares conservadores e tentou reduzir a resistência ao chefe da AGU, visto pela oposição como um nome fortemente ligado ao PT.

A relação entre Mendonça e Moraes já vinha desgastada após divergências recentes no STF. Mendonça votou a favor do afastamento de Moraes das investigações sobre a trama golpista envolvendo Jair Bolsonaro, acolhendo argumentos apresentados pela defesa do ex-presidente.

Outro ponto de tensão envolve o chamado caso Master. Como relator do processo, André Mendonça será responsável por analisar a delação de Daniel Vorcaro, que pode trazer desdobramentos relacionados a Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, após a revelação de um contrato milionário firmado com o banco.

Após a derrota de Messias, que recebeu apenas 34 votos favoráveis no Senado, André Mendonça publicou mensagem de apoio nas redes sociais.

“O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida”, escreveu o ministro.

Fonte: OGLOBO

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