O Hamas iniciou uma operação para restabelecer seu domínio sobre a Faixa de Gaza, após o recuo parcial do Exército israelense garantido pela primeira fase do acordo de paz firmado na semana passada. Sob o argumento de restaurar a ordem, o grupo palestino mobilizou cerca de 7 mil combatentes e voltou a patrulhar cidades do enclave — medida que vem acompanhada de execuções públicas e confrontos armados com facções rivais.
De acordo com a AFP, uma unidade recém-criada pelo Hamas, chamada Força de Dissuasão, tem conduzido “operações de campo para garantir segurança e estabilidade”. Desde o início da mobilização, embates com outros grupos palestinos foram registrados em diferentes regiões de Gaza, incluindo o distrito de Shejaiya, no leste da Cidade de Gaza, onde ao menos quatro pessoas morreram.
No último fim de semana, uma escaramuça entre combatentes do Hamas e o clã Dughmush — uma das organizações familiares mais poderosas do enclave — deixou mais de 20 mortos. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram execuções realizadas em praças públicas, diante de dezenas de moradores. Segundo a emissora al-Aqsa, as vítimas seriam criminosos e supostos colaboradores de Israel.
Enquanto parte da população vê a presença dos homens armados como um sinal de retomada da segurança, outros denunciam abusos e ilegalidades. “Um homem mascarado mata outro homem mascarado, sem provas nem tribunal. Como chamamos isso? Resistência? Não, é ilegalidade”, afirmou à BBC o advogado Mumen al-Natoor, morador de Gaza.
Desde o início da guerra, em 2023, o território palestino vive um vácuo de poder, agravado pelo colapso institucional e econômico. O plano de paz apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevê a criação de um governo palestino tecnocrático e a entrada de uma Força de Estabilização Internacional, mas ainda não há cronograma definido para essas ações.
(Com informações da AFP e BBC)
Fonte: OGLOBO