Cerca de 3 mil pessoas participaram neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo. O ato reuniu movimentos sociais e organizações civis que pediram o combate ao feminicídio, igualdade de gênero e criticaram a jornada de trabalho 6×1.
Apesar da mobilização, a chuva que atingiu a região acabou dispersando parte dos manifestantes ao longo da tarde.
Entre as organizações presentes estavam Apeoesp, Bancada Feminista, Central Classe Trabalhadora, União Nacional por Moradia Popular, SimproSP e o Movimento de Mulheres Olga Benário.
A estimativa de público foi feita pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap em parceria com a ONG More in Common. Segundo o levantamento, cerca de 3,1 mil pessoas estavam na manifestação às 14h14, horário próximo ao início do ato.
Considerando a margem de erro de 12%, o público poderia variar entre 2,8 mil e 3,5 mil participantes.
De acordo com o monitor, a contagem foi feita por meio de imagens aéreas analisadas com software de inteligência artificial. Por causa da chuva, apenas um voo de drone foi realizado, o que impede confirmar se aquele momento representava o pico da manifestação.
Os protestos também chamaram atenção para os números relacionados à violência contra mulheres no estado de São Paulo.
Segundo dados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), uma medida protetiva contra agressores é concedida, em média, a cada quatro minutos no estado. Apenas entre janeiro e fevereiro deste ano, 21.440 decisões desse tipo foram autorizadas.
O número mostra um crescimento expressivo no uso desse mecanismo ao longo dos anos. Em 2015, quando o registro começou a ser sistematizado, foram concedidas 10.804 medidas. Já em 2025, o total chegou a 118.258 — um aumento de 994% em uma década.
Prevista pela Lei Maria da Penha, a medida protetiva é uma ordem judicial de urgência destinada a proteger vítimas de violência doméstica, seja ela física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral. Uma mesma vítima pode receber mais de uma medida.
Entre as determinações possíveis estão a restrição ao porte de armas, a proibição de aproximação da vítima, dos filhos ou de testemunhas, além da obrigatoriedade de participação do agressor em programas de reeducação.
Em alguns casos, a medida também prevê o encaminhamento da vítima e da família para abrigos de proteção.
Apesar de ser considerada um dos principais instrumentos de defesa das vítimas, a eficácia das medidas depende da fiscalização. Esse acompanhamento pode ocorrer por meio de rondas da Polícia Militar, da Guarda Civil Municipal ou pelo monitoramento eletrônico dos agressores.
Atualmente, 189 homens são monitorados por tornozeleiras eletrônicas no estado de São Paulo pelo Centro de Operações da Polícia Militar, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
O número é considerado baixo diante da estrutura disponível: o estado possui 1.250 equipamentos.
A Secretaria de Segurança Pública explica que o uso das tornozeleiras depende de solicitação e autorização do Poder Judiciário, normalmente durante audiências de custódia.
O estado de São Paulo foi pioneiro na adoção do monitoramento eletrônico para casos de violência contra a mulher.
Quando o agressor descumpre a medida protetiva, se aproxima da vítima ou deixa a cidade, um alerta é disparado e viaturas policiais são acionadas. O descumprimento da ordem judicial é considerado crime e pode levar à prisão.
Fonte: G1