A brasileira Juliana Peres Magalhães, de 25 anos, confessou ter participado do assassinato da americana Christine Banfield, esposa de seu amante, Brendan Banfield, em Fairfax, no estado da Virgínia (EUA). Em depoimento judicial, ela relatou detalhes do crime ocorrido em 24 de fevereiro de 2023, que também resultou na morte de Joseph Ryan, homem atraído à residência por meio de uma rede social de sadomasoquismo com o objetivo de ser incriminado.
Juliana se mudou do interior de São Paulo para os Estados Unidos em outubro de 2021, por meio de um programa de au pair. Formada em enfermagem, passou a trabalhar como babá para a família Banfield, cuidando da filha de 3 anos e meio do casal. Segundo seu depoimento, o relacionamento com Brendan, investigador criminal da Receita Federal americana, tornou-se sexual em agosto de 2022.
De acordo com a confissão, o plano para matar Christine surgiu em outubro daquele ano. Brendan teria afirmado que o divórcio não era uma opção, pois implicaria divisão de bens e da guarda da filha. Segundo Juliana, ele mencionou “o plano para se livrar dela”.
Para sustentar a versão de um crime cometido por terceiro, o casal criou um perfil falso em uma rede social de sadomasoquismo, utilizando fotos de Christine. A intenção era atrair um homem até a residência para responsabilizá-lo pelo assassinato. Joseph Ryan, de 39 anos, foi escolhido após troca de mensagens e conversas telefônicas, algumas delas feitas por Juliana se passando por Christine.
A brasileira relatou que ela e Brendan frequentaram clube de tiro para treinamento e que o americano trocou as janelas da casa por modelos antirruído. Também teriam alterado rotinas, trocado celulares e planejado detalhes para não levantar suspeitas.
No dia do crime, segundo Juliana, o plano inicial previa que ela saísse com a criança e depois retornasse, enquanto Brendan aguardaria nas proximidades. Porém, os acontecimentos teriam saído do controle. Ao subir ao quarto, ela disse ter visto Ryan sobre Christine. Segundo o depoimento, após a vítima alertar que o homem estava armado, Brendan atirou em Ryan e, em seguida, passou a esfaquear a esposa.
Juliana afirmou ter atirado em Ryan quando percebeu que ele ainda se movia. Ela negou ter usado a faca contra Christine, mas descreveu ter tocado o carpete ensanguentado.
Após o crime, ela ligou para o serviço de emergência, inicialmente seguindo uma versão combinada com Brendan. Posteriormente, confessou ter mentido à polícia e aos próprios advogados em um primeiro momento.
Juliana foi presa em outubro de 2023. Em setembro de 2024, Brendan foi indiciado por quatro acusações de homicídio qualificado e uma de uso de arma de fogo na prática de crime. No último dia 2 de fevereiro, ele foi considerado culpado por duas acusações de homicídio qualificado. A sentença dele será anunciada em 8 de maio.
Em outubro, Juliana firmou acordo com a Promotoria, declarou-se culpada por homicídio culposo e aceitou testemunhar contra Brendan. Como parte do acordo, a Procuradoria concordou em recomendar pena equivalente ao tempo já cumprido, o que pode resultar em sua libertação e posterior deportação ao Brasil. A sentença está marcada para sexta-feira (13).
Durante o julgamento, a defesa de Brendan classificou a versão da brasileira como falsa e afirmou que ela aceitou o acordo para obter pena reduzida. O advogado também contestou provas e criticou a condução das investigações.
Documentos revelados no processo mostram que Juliana foi procurada por produtores interessados em transformar o caso em documentário ou livro. Ela confirmou ter recebido depósitos em sua conta no presídio e mencionou, em mensagens à mãe, a possibilidade de acordo com produtora ligada à Netflix.
Em cartas enviadas anteriormente à família de Brendan, a brasileira declarou estar disposta a assumir a culpa pelos dois, mas em outro momento afirmou não querer passar o resto da vida na prisão por algo que não fez.
Após a condenação, o procurador do Condado de Fairfax classificou Brendan como “monstruoso” e afirmou que o caso envolveu “detalhes sórdidos”, mas destacou que o foco são as duas pessoas assassinadas. A promotoria também afirmou que o depoimento de Brendan contribuiu para sua condenação, apontando comportamento frio e ausência de emoção durante o julgamento.
Fonte: G1