Bolsonarismo intensifica ataques a Michelle Bolsonaro nas redes após crise com Flávio

A crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro desencadeou uma onda de ataques à ex-primeira-dama nas redes sociais por parte de apoiadores do bolsonarismo. Levantamento da consultoria Bites, obtido pelo jornal O Globo, aponta que, desde 27 de junho, cerca de um terço das 300 mil menções a Michelle nas plataformas digitais continha críticas direcionadas a ela.

O aumento das manifestações negativas ocorreu após Michelle divulgar vídeos em que afirma ter sido maltratada pelo enteado. Nos últimos cinco dias, aproximadamente 103 mil publicações associaram a ex-primeira-dama a nomes ligados à ala alinhada a Flávio Bolsonaro, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o influenciador Rodrigo Constantino, além de conterem críticas diretas.

Segundo o levantamento, expressões como “Michelle Firmo”, nome de solteira da ex-primeira-dama, e “Dona Michelle” passaram a ser utilizadas de forma irônica. Entre os termos mais frequentes nos ataques aparecem “traidora” e “feminista”.

As críticas também atingiram aliadas de Michelle, como as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (PP-MS), além da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

De acordo com a Bites, a narrativa de que Michelle teria traído o grupo político inicialmente não ganhou força nas redes. Naquele momento, a repercussão de suas declarações alcançou também setores da esquerda e usuários independentes, enquanto lideranças da direita, como o senador Cleitinho (Republicanos-MG), chegaram a defendê-la.

O cenário mudou no fim de semana e se intensificou nos últimos dias, especialmente após Michelle deixar a presidência do PL Mulher. Entre os nomes que passaram a criticá-la ou demonstrar apoio a Flávio Bolsonaro estão o blogueiro Allan dos Santos, o influenciador Paulo Figueiredo e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).

Segundo André Eler, diretor técnico da Bites, os dados indicam que parte do campo bolsonarista passou a se sentir à vontade para direcionar críticas públicas à ex-primeira-dama e ao grupo político que a apoia.

Fonte: OGLOBO

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