Brasil mantém segunda pior nota histórica no Índice de Percepção da Corrupção

O Brasil registrou em 2025 a segunda pior pontuação de sua série histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), levantamento anual da Transparência Internacional que avalia a percepção de especialistas e executivos sobre corrupção no setor público.

O país marcou 35 pontos numa escala de 0 a 100, permanecendo abaixo da média global e da média das Américas, ambas com 42 pontos. O resultado coloca o Brasil na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados. Embora tenha registrado um ponto a mais que em 2024, a variação é estatisticamente insignificante, indicando estagnação.

O IPC é baseado em até 13 fontes independentes, reunindo percepções de especialistas, pesquisadores e executivos sobre governança e integridade pública. No caso do Brasil, foram utilizados oito indicadores, os mesmos do ano anterior.

Segundo Bruno Brandão, diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, o país apresentou em 2025 um cenário contraditório: a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados acusados de conspirar contra a democracia chamou atenção internacional, mas o país também enfrentou casos de corrupção em escala inédita.

O relatório “Retrospectiva 2025” da Transparência Internacional destaca operações recentes que marcaram o ano, como: investigação de comércio de sentenças no STJ; Operação Overclean (fraudes em licitações e lavagem de dinheiro); Operação Sem Desconto (descontos indevidos em benefícios do INSS); Operação Carbono Oculto (evasão de divisas e lavagem em fintechs e setor de combustíveis); e Operação Compliance Zero, relacionada ao caso Master, considerada a maior fraude bancária do país.

A entidade ressaltou avanços no uso de inteligência financeira para combater redes sofisticadas de lavagem de dinheiro, mas criticou a resposta do governo federal ao escândalo do INSS, apontando continuidade do esquema em diferentes gestões.

No Legislativo, a Retrospectiva destaca crescimento recorde das emendas parlamentares, que ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, e defende que a mobilização social e a presença de perfis reformistas nos tribunais superiores podem abrir espaço para novas medidas anticorrupção, incluindo a criação de um código de conduta na cúpula do sistema de Justiça.

Fonte: G1

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