Brasil se prepara para El Niño de intensidade incerta, com risco de extremos climáticos e impactos regionais

O Brasil acompanha a formação de um novo El Niño no Oceano Pacífico, detectado por satélites, radares e boias oceânicas, enquanto cientistas ainda tentam definir sua intensidade. A principal incerteza é se o fenômeno será moderado ou forte, o que altera diretamente o tipo e a gravidade dos impactos no país.

Pesquisadores explicam que o El Niño ocorre quando a temperatura da superfície do Pacífico equatorial permanece cerca de 0,5°C acima da média por pelo menos três meses. Segundo medições recentes, essa condição já vem sendo observada desde fevereiro, com sinais consistentes de aquecimento na região.

Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) afirmam que ainda não há consenso sobre a intensidade final do fenômeno. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica probabilidade de 90% de ocorrência neste ano, com potencial de efeitos fortes.

O impacto no Brasil varia conforme a região. No Sul, há tendência de aumento das chuvas durante a primavera e o verão. Já no Norte e Nordeste, o cenário pode ser de agravamento da seca, com maior risco de queimadas e impactos na agricultura. Eventos recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, são citados como referência dos efeitos combinados de El Niño e aquecimento global.

Autoridades federais e estaduais afirmam que o monitoramento é contínuo, mas ainda não há previsão precisa dos impactos. A Defesa Civil destaca articulação com órgãos técnicos para emissão de alertas e preparação preventiva, embora reconheça limitações na antecipação de cenários extremos.

Especialistas também alertam para a necessidade de planejamento permanente, e não apenas reativo, diante de eventos climáticos. A avaliação é de que a adaptação das cidades e da infraestrutura ainda é insuficiente, especialmente em áreas vulneráveis.

Outro ponto destacado é o risco de desinformação sobre previsões climáticas, impulsionado pela circulação de análises nas redes sociais. Para pesquisadores, isso pode gerar confusão sobre níveis reais de risco e medidas necessárias.

Dados de gestão pública também mostram baixa execução de investimentos em prevenção de desastres em alguns estados, como Santa Catarina, onde parte significativa do orçamento da defesa civil não foi aplicada em 2025. O debate sobre preparo para eventos extremos ganha força em meio às incertezas climáticas e à aproximação de novos ciclos eleitorais.

Fonte: METRÓPOLES

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