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Brasil

BrasilSegurança

Mortes violentas caem, mas Brasil concentra 20,4% dos homicídios do planeta, indica estudo

por Redação 28 de junho de 2022

Foram 47.503 mortos em 2021 no país. Somados os casos em 102 países, os assassinatos totalizaram 232.676 em 2020.
Apesar da queda de 6,5% no número de mortes violentas no país, 47.503 pessoas morreram em 2021, de acordo com dados do Anuário de Segurança Pública divulgados nesta terça-feira (28). Isto significa que 20,4% dos homicídios no planeta ocorreram no Brasil.

A taxa nacional é de 22,3 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. O levantamento reúne homicídios dolosos, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.
As maiores taxas foram registradas no Amapá (53,8%), Bahia (44,9%), Amazonas (39,1%), Ceará (37%) e Roraima (35,5%).
Segundo o UNODC, sistema de dados do Escritório das Nações Unidas para Crimes e Drogas, o Brasil tem 20,4% dos homicídios no mundo mesmo tendo apenas 2,7% dos habitantes do planeta. Enquanto, em 2020, em 102 países morreram 232.676 pessoas, só aqui foram quase 48 mil óbitos.

O Anuário aponta que, em números absolutos, o Brasil lidera o ranking mundial de homicídios e é o oitavo país mais violento do mundo. Em volume de registros, apenas Índia (40.651) e México (36.579) possuem números tão grandes quanto os do Brasil.
Para Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum de Segurança Pública, o Brasil reproduz um problema verificado nos países da América Latina.

“Se a gente for somar a América Latina Central, a região tem cerca de um terço de todas as mortes do planeta. Nós temos um ciclo inconcluso de reformas das polícias. O sistema de governança das polícias é extremamente frágil, não é exclusivamente no Brasil. Aqui o complicador é o país ser federado, e a União não tem ingerência no limite sobre o que faz os governos do estado no dia-a-dia”, destaca.

Vítimas e desigualdades regionais
No Brasil, as vítimas são 77,9% negras, 50% tem entre 12 e 29 anos, e 91,3% são homens. Segundo o estudo, 76% das mortes foram provocadas por armas de fogo.

A região Norte teve alta de 7,9% na violência letal enquanto em todas as outras regiões do país houve queda na variação da taxa de mortes. A mais expressiva redução foi no Centro-Oeste, com baixa de 13,5%.

Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum de Segurança Pública, são diferentes realidades a cada estado do país.

“Os estados do Sudeste têm mais recursos financeiros, tropas dentro das polícias mais estruturadas e investiram muito em programas de prevenção, em fortalecimento da investigação. O que está passado a região Norte e vários estados do Nordeste hoje é um pouco do que viveu o Sudeste nos anos 1990. Forças policiais estão tentando correr atrás do prejuízo para tentar dar conta desses desafios”, afirma.

O pico da violência no Brasil foi em 2017 com 65 mil mortes, ano em que houve uma intensa disputa territorial entre facções. Desde que o Anuário é elaborado, os números de mortes violentas tendem a ficar em torno de 50 mil óbitos.

“Varia pouco de um ano para o outro, mas a gente não consegue romper com esse padrão de violência muito elevada, que também se dissemina na violência sexual, roubos e sequestros. Isso é uma marca da América Latina e faz parte da cultura, com padrões de comportamento violentos”, explica Samira Bueno.
A diretora-executiva lembra que em estados como São Paulo, houve redução de 80% dos homicídios em 20 anos, por causa da adoção de políticas públicas, mas também pela atuação do crime organizado. O estado é o berço do PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do país.

“Isto tende a reduzir, em um primeiro momento, a violência letal porque não tem mais grupos rivalizando. Em São Paulo, é um grupo só, diferente do Rio de Janeiro, que tem várias facções e milícia em conflito mais latente. Isto reduz a violência, mas a que preço? Com uma imposição do medo através do crime”, defende Samira Bueno.

Esta frágil estabilidade pode ser quebrada se houver a chegada de um novo grupo rival, por exemplo.


Redução da violência letal


Entre as hipóteses para a redução da violência letal no país, os pesquisadores destacam:

  • Mudanças demográficas: redução do número de jovens no país com o envelhecimento populacional ou por serem vítimas de assassinatos;
  • Políticas de prevenção à violência ou de integração policial;
  • Ação do crime organizado: quando não há rivalidade entre facções ou milícias, há uma queda nos indicadores de violência;
  • Controle de armas e mudanças recentes na legislação.

No entanto, a ausência de uma política nacional de Segurança Pública, segundo Renato de Lima, dificulta o enfrentamento de forma integrada no país.

“Não há uma política nacional de segurança pública pactuada. Na verdade, se vai cair ou se vai crescer [indicadores], vai depender de fatores estruturais, como dinâmica demográfica e questões de ação, mas vai depender, até de certa forma, do acaso”, acredita.

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Brasil

Um ano após morte de Lázaro, moradores das cidades por onde ele passou ainda sentem medo

por Redação 28 de junho de 2022

Caçada ao homem considerado responsável por assassinatos envolveu cerca de 300 agentes. Polícia investiga possíveis mandantes dos crimes.
Um ano após a morte de Lázaro Barbosa, de 32 anos, a lembrança do matador ainda assombra as regiões rurais das cidades por onde ele passou no Centro-Oeste do país. “A gente não sabe quando outra pessoa completamente psicopata assim pode aparecer e simplesmente ameaçar e matar sua família. As vítimas mortas não eram familiares meus, mas eu moro aqui, as pessoas que eu amo estão aqui, eu tive medo por elas. O trauma vai ficar para sempre”, desabafou um homem que preferiu não ser identificado, morador de Ceilândia, no Distrito Federal, onde Lázaro foi acusado de matar uma família inteira.
Suspeito de praticar ao menos oito assassinatos ao longo da vida, Lázaro passou a ser conhecido nacionalmente como “serial killer” após ser considerado responsável pela morte de um homem e os dois filhos dele, de 15 e 21 anos, em Ceilândia, no dia 9 de junho. A mulher da vítima e mãe dos rapazes foi encontrada morta três dias depois com sinais de estupro.

Após o ocorrido, foi registrada uma série de outros crimes como invasão de fazendas, ameaças, tiros em moradores, roubos, sequestros e mortes, tanto em regiões de Ceilândia quanto em cidades de Goiás, como Cocalzinho, Edilândia e, por fim, Águas Lindas de Goiás – onde Lázaro foi capturado e morto pela polícia no dia 28 de junho de 2021.

A sequência de crimes deixou um rastro de medo entre cidadãos que moram no entorno desses municípios, sensação que perdura até hoje. De acordo Fernando Fernandes, delegado de Ceilândia e deputado no Distrito Federal pelo Pros, além do medo, ainda há muitos rumores entre essas pessoas, principalmente as que moram nas áreas rurais, onde o “serial killer” conseguiu se esconder por tanto tempo. “É como se o fantasma do Lázaro ainda estivesse andando por aqui. Eles acreditam em um possível outro caso e buscam meios de se proteger”, disse em entrevista ao R7.
Fernandes, que esteve na linha de frente na força-tarefa para a captura do “serial killer”, explicou que, desde que tudo aconteceu, fazendeiros têm solicitado registro de armas de fogo para viver, segundo eles, com segurança nesses locais. Entretanto, vale ressaltar que, das vezes em que Lázaro invadiu as casas, pelo menos em duas ele conseguiu roubar os armamentos dos proprietários.

Para encontrarem o suspeito, foragido por semanas, as polícias do Distrito Federal e de Goiás precisaram trabalhar juntas em uma força-tarefa, com o apoio, inclusive, da Força de Segurança Nacional. Tiveram ainda que lidar com a pressão de órgãos governamentais e da sociedade para que o acusado fosse detido rapidamente.

A comunicação entre as corporações e denúncias sobre o último paradeiro de Lázaro foram essenciais para localizá-lo. Porém, na época, a polícia também recebia ligações falsas de pessoas que diziam ter visto o suspeito, o que acabou atrapalhando as investigações.

Questionado sobre como aumentar a segurança entre os moradores, o delegado Fernando Fernandes disse que a polícia tem trabalhado nisso. “Desde o caso Lázaro houve um reforço no patrulhamento rural. Além disso, o Disk-Denúncia é essencial nesses casos. Quando o morador vir alguma pessoa suspeita andando pela região, é necessário que comunique a polícia imediatamente para que ela possa trabalhar antes que tragédias, como as feitas por Lázaro, ocorram”, afirmou.

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BrasilSegurança

Mais de 173 mil famílias vivem em áreas de risco em SP, diz Defesa Civil

por Redação 20 de junho de 2022

A cidade de São Paulo tem 173.292 moradias em 495 áreas de risco de escorregamento, de encosta e solapamento de margem de córrego, conforme levantamento da Defesa Civil municipal.

Em dias de chuva forte, famílias inteiras que vivem nessas áreas de risco acabam sendo afetadas. O perigo nesses locais é ainda maior quando se analisa o fato de a maioria dessas moradias ser construída com madeira ou restos de materiais de construção.
No mês de fevereiro deste ano, por exemplo, 34 pessoas morreram após diversos deslizamentos que aconteceram no estado de São Paulo por conta das chuvas.
Para Lucas Lima Borges, gestor da Teto São Paulo, organização sem fins lucrativos que realiza o mapeamento de favelas que se encontram em maior situação de vulnerabilidade e atua na melhoria das condições de moradia, a falta de planejamento e de políticas públicas revela o número de pessoas que hoje carecem de um lugar adequado para viver. “As ONGs geralmente nascem por uma ineficiência do estado. Quando chegam, elas trazem uma solução de inovação para os resultados. O nosso objetivo é atuar junto das políticas públicas, apresentando propostas menos burocráticas e inovadoras”, diz.
O gestor ainda explica que a ONG vai além da expansão das moradias emergenciais. “Temos como propósito o desenvolvimento das capacidades comunitárias, ações que possibilitam nas comunidades a autogestão e, assim, um coletivo de pessoas interessadas pelo desenvolvimento daquele lugar possa trabalhar em conjunto e busque alternativas que supram as necessidades do território comunitário.”
Com mais de 4.000 habitações realizadas em âmbito nacional, a ONG Teto está presente em 11 comunidades periféricas em São Paulo. No município de Ferraz de Vasconcelos (SP), a organização implantou seis habitações com módulo sanitário integrado. Neste mês a instituição continua a expansão do projeto na região leste da cidade de São Paulo e também em Campinas, no interior do estado.

Planos de habitação
Para Nabil Bonduki, especialista e professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e também ex-relator do Plano Diretor e secretário de Cultura de São Paulo, a falta de planejamento da prefeitura implica a criação de planos de habitação. “É preciso concentrar as ações para as pessoas que vivem nas áreas de risco, que utilizam mais que 30% da renda para pagamento de aluguel, por exemplo”, diz.

O especialista ainda afirma que, para enfrentar o problema de habitação, é necessária a atuação dos setores privado e público e do terceiro setor.
Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação informa que, de 2021 até o momento, foram entregues mais de 4.000 unidades habitacionais a famílias paulistanas. A maioria delas morava em áreas de risco e foi removida e inserida no auxílio aluguel até o recebimento da moradia. Outras 6.000 novas moradias estão em obras. Por meio do Pode Entrar, a prefeitura de São Paulo vai atender com moradia todas as outras 6.000 famílias removidas das áreas de risco e que aguardam unidades habitacionais enquanto recebem auxílio aluguel, segundo a secretaria.
Ainda por meio do programa Pode Entrar, até o primeiro trimestre deste ano mais de mil mulheres vítimas de violência receberam cartas de crédito para adquirirem seus imóveis. A iniciativa será ampliada a outras mulheres que também receberão o apoio do município ainda neste primeiro semestre.

A prefeitura diz também que a Sehab (Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo) segue prestando apoio às famílias que vivem em áreas de risco. De 2017 até o momento, mais de 33 mil famílias que viviam em áreas de risco foram beneficiadas com obras de urbanização, como a implantação de redes de água e de coleta de esgoto, execução de obras de contenção e estabilização de encostas para eliminação de áreas de risco, criação de áreas de lazer, pavimentação e abertura de ruas e vielas, entre outras intervenções.

Fonte: Com informações da Agência Estado

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BrasilSaúde

Projeto coleta bitucas de cigarro para reciclagem

por Redação 17 de junho de 2022

Nesta semana, administradores regionais do Distrito Federal conheceram de perto a proposta do projeto Poiato, uma iniciativa que tem como objetivos oferecer a coleta e destinação correta para bitucas de cigarro.

No Museu da Limpeza Urbana, alguns dos administradores puderam ouvir os primeiros resultados desse projeto, que se iniciou no Plano Piloto.

Em encontro que contou com a presença do diretor-presidente do SLU, Silvio Vieira, o sócio-fundador da empresa que coordena as ações, Marcos Poiato, apresentou o projeto que já foi implantado no Plano Piloto.

Em 20 dias desde a instalação dos 100 coletores em diversos pontos da região, foram recolhidos 11 quilos do material, o que corresponde a 28 mil bitucas de cigarro aproximadamente.
O material coletado segue agora para reciclagem, num processo desenvolvido pela empresa com apoio da Universidade de Brasília (UnB), utilizando tecnologia 100% nacional.

As bitucas se transformam em massa celulósica que poderá ser utilizada em artesanato e outras finalidades junto a entidades sociais.

“Quando se fala em cigarro, as pessoas logo pensam que o correto seria não fumar. Com isso, pouco se pensa no resíduo gerado por esse hábito que ainda persiste em uma grande parcela da população. Estamos há 12 anos nesse estudo para implantar esse projeto que hoje já está presente em 82 cidades brasileiras. Nossa intenção é ampliar esse serviço no Distrito Federal, com apoio do poder público”, explicou Marcos Poiato.

As bitucas de cigarro são um problema de saúde e de meio ambiente. De acordo com estudos das Nações Unidas (ONU), são mais de 7 mil substâncias tóxicas contidas nas bitucas de cigarro, os resíduos mais encontrados em ruas, calçadas, praias, mares e oceanos.

No planeta, são vendidos cerca de 15 bilhões de cigarros a cada dia. E a estimativa é de que apenas 1% deste resíduo tem destinação correta, provocando muitos danos ao meio ambiente.

“Nós, do SLU, que fazemos a gestão de resíduos no Distrito Federal, ficamos entusiasmados quando vemos esse tipo de projeto que envolve parceria entre iniciativa privada e poder público, porque trata-se de um problema que precisa da participação de todos”, afirmou Silvio Vieira.

Fonte: Com informações da Agência Estado

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BrasilEconomia

Moradores reduzem compras em feiras após preços triplicarem

por Redação 14 de junho de 2022

A salada de tomate e alface da Tatiane Araújo, 27, ficou pelo menos três vezes mais salgada nos últimos meses. Salada de fruta, por enquanto, nem fará parte da mesa. A jornalista, e demais moradores das periferias, tem sentido a diferença dos preços nas feiras livres em Barueri, na Grande São Paulo.

“Uma feira para 15 dias, numa casa para duas pessoas, eu gastava em torno de R$ 30 e trazia bastante variedade de legumes, frutas, verduras e temperos. Para fazer a mesma feira, hoje, eu ia precisar desembolsar R$ 70”, conta.
Para não mexer mais no orçamento apertado, ela passou a comprar produtos da estação e substituir alguns alimentos por outros similares. Além disso, cortou as frutas do carrinho. “Um mamão formosa estava custando R$ 32 a unidade”, diz.

Do outro lado da banca, a alta dos preços também impacta os feirantes. Welton Rodrigues de Oliveira, 34, morador de Americanópolis, zona sul de São Paulo, comenta sobre um aumento de 400% no preço do mamão formosa, e outras frutas como melancia, abacaxi e maçã, carros-chefe da banca em que trabalha.
“Estava pagando R$ 25 em uma caixa de mamão formosa ano passado. Hoje, nesta mesma época, tô pagando R$ 120”, declara.

Com mais de 20 anos na praça, ele garante que nunca viu cenário parecido. Para não repassar todo o valor para o consumidor, já chegou a ter perdas de 60%. “Só o que não subiu foi a minha mão de obra.”

Sem xepa
É também o caso do feirante Etelvino Germano, 44, morador de Pedreira, zona sul. Para manter os oito funcionários da banca, ele optou por reduzir a variedade e quantidade dos legumes.

Esse salto no valor fez com que os consumidores comprassem menos frutas para garantir outros produtos na sacola. “O pessoal fala que simplesmente deixa de comer porque vem com o mesmo dinheiro de antes, até porque o salário de ninguém aumentou”, acrescenta Welton.

“A gente procura trabalhar com o que está mais barato. O tomate, a cenoura, a abobrinha, a vagem e a mandioquinha estão quase sem condições de comprar. E o quiabo está oscilando um pouco”, explica.
Nem adianta andar por outras feiras, como relatou Tatiana, pois segundo os feirantes entrevistados pela Agência Mural o problema é geral e tem múltiplos fatores. Entre eles está o aumento no valor do combustível para transporte dos alimentos, encarecimento das embalagens e falta de chuvas em 2021, com queda na safra de 2022.

Inclusive, até a guerra entre Rússia e Ucrânia gerou impacto na importação dos fertilizantes usados na agricultura do Brasil.

Fonte: Com informações da Agência Estado

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BrasilEconomia

Inflação e piora fiscal vão manter taxa de juros em patamar elevado por mais tempo

por Redação 13 de junho de 2022

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) volta a se reunir na quarta-feira (15) para estabelecer o novo patamar da taxa básica de juros. A decisão, que pode representar o fim da trajetória de altas da Selic iniciada em março do ano passado, deve colocar os juros básicos em um nível que tende a persistir ao menos até o fim de 2022.

Atualmente em 12,75% ao ano, a taxa Selic deu um salto de 10,75 pontos percentuais em um período de 15 meses. A estratégia monetária adotada para conter a inflação, no entanto, ainda deve esbarrar nas atitudes fiscais e tornar mais permanente a trajetória de alta dos juros até o início do ciclo de queda.

Para o próximo encontro, há um consenso entre os integrantes do mercado financeiro de que a taxa Selic será elevada a 13,25% ao ano. A dúvida presente, no entanto, é se o ajuste vai encerrar o ciclo de alta dos juros ou se novas altas serão necessárias para conter o avanço dos preços. A última avaliação dos economistas consultados semanalmente pelo BC é que o nível persista ao menos até o fim deste ano.
Para 2023, a perspectiva atual dos analistas de mercado é que a Selic feche o ano em 9,75% ao ano. Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, vê a desaceleração da atividade com os juros mais altos como um dos fatores que devem manter a taxa estacionada por um logo período até o início da sequência de quedas no próximo ano.

“Quando o BC parar de elevar a Selic, ele vai manter a taxa alta por muito mais tempo, até ter sinais bem claros de uma convergência da inflação. Eu vejo a queda dos juros no ano que vem de uma forma mais gradual do que as previsões”, analisa Lima.
O diretor de Investimentos do Paraná Banco, André Malucelli, cita os índices inflacionários como essenciais para determinar o início da trajetória de queda da taxa básica de juros. “Seria oportuno as quedas iniciarem no final do primeiro semestre de 2023”, pontua.

Pedro Ramos, economista-chefe do Sicredi, também vê a inflação como um fator determinante para o próximo passo das taxas de juros, mesmo com a alta em ritmo menor dos preços apurado no mês de maio, ainda insuficiente para influenciar no veredito do Copom.

“Há um problema global que faz a inflação ficar alta. Durante os piores momentos da pandemia, os governos e BCs estimularam muito a economia e o consumo e tivemos também dificuldades para produzir”, recorda ele ao citar a redução da oferta como determinante para o índice de preços.

As avaliações levam em conta que a taxa Selic é o principal instrumento de política monetária para manter a inflação sob controle. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam novas alternativas de investimento.

Risco fiscal
Outro fator listado como determinante para os próximos passos da política monetária envolve os gastos do governo, a chamada política fiscal, também determinante para conter o avanço dos preços na economia.

Entre as incertezas no âmbito fiscal aparecem as incessantes tentativas do governo de conter a alta dos preços, consequentemente elevando as despesas públicas. Entre as ações aparecem as medidas expansionistas de cortar impostos, destinar auxílios e liberar os recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

A ausência da política fiscal em linha com as decisões do BC é vista por Lima, da Western Asset, como algo perigoso por aumentar o potencial de rombo nas contas públicas. “Você cria um desequilíbrio no Estado, que já é devedor devido ao aumento da inflação, que impacta na arrecadação”, alerta ele ao avaliar uma piora do cenário para os próximos anos. “Estamos nos endividando mais para as futuras gerações pagarem essa conta”, completa.

Na percepção de Ramos, do Sicredi, as medidas que elevam o consumo das famílias dificultam o controle da inflação. “Para o Banco Central, isso é ruim, porque um aumento de despesas em um momento de elevação das taxas de juros faz com que esse ciclo de alta seja mais persistente do que deveria se houvesse uma sincronização dessas duas políticas.”

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BrasilEconomia

Com a inflação, embalagens dos produtos encolhem nos supermercados

por Redação 13 de junho de 2022

Estratégia para reduzir custos e manter o preço dos produtos não é ilegal, mas há regras que as empresas devem seguir
O pacote de sabão em pó passou de 1 kg para 800 g, o biscoito de 200 g agora tem 160 g, a aveia perdeu 35 g, o molho de tomate foi reduzido de 150 g para 120 g e até a caixa de fósforos diminuiu de 240 unidades para 200.

Com a inflação, os brasileiros também estão se deparando com a mudança do tamanho dos produtos nos supermercados, mas sem a queda dos preços.
Embora não seja novidade, a prática chamada de “reduflação” é uma estratégia das empresas que reduz o tamanho do produto em vez de elevar os preços.

Dessa forma, o consumidor não tem a sensação de que os preços dos produtos, sobretudo dos alimentos, estão subindo tanto.

Porém, a redução da quantidade significa, na prática, a mesma coisa. O consumidor paga mais por menos produto.
Segundo o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), a presença de novas embalagens com diferentes quantidades é uma forma de driblar a lei, já que confunde as pessoas, que estão acostumadas a comprar os produtos e podem acabar não percebendo a diminuição do conteúdo das embalagens.

Apesar de a prática não ser ilegal, existem regras que as empresas devem seguir para que os consumidores não sejam lesados.

O Procon esclarece quais são as obrigações das empresas:

• Informar ao consumidor qual a quantidade que havia antes e qual há depois da alteração;

• Alertar para a mudança em local de rápida e fácil visualização, em negrito, caixa alta e em cor que contrasta com o resto da embalagem;

• Informar o tamanho da redução, tanto de forma percentual quanto de forma absoluta;

• Manter a informação sobre a mudança por pelo menos seis meses.

Se houver descumprimento dessas normas, o consumidor poderá denunciar a empresa aos órgãos responsáveis, como o Procon, o Senacom e o próprio Ministério da Justiça.

No caso, a empresa poderá ser punida por agir de má-fé e em “desconformidade com os princípios do dever à informação e transparência”, segundo o Procon.

Ainda que as empresas sigam essas regras, no entanto, a reduflação pode ser vista como “maquiagem do produto” e, conforme o Idec, utilizada para “não expor a própria imagem, ocultando o aumento do preço com a redução das embalagens”.

O Idec, em nota, se pronunciou sobre a reduflação e classificou a prática como uma forma de “driblar a lei”.

Outra estratégia utilizada pelas empresas é substituir ingredientes da receita por outros mais baratos, de forma a não repassar o aumento dos preços aos consumidores.

Um exemplo disso aconteceu com o leite condensado da Nestlé, que não diminuiu de tamanho, mas teve a fórmula alterada para “mistura láctea condensada”, com ingredientes mais baratos e de menor qualidade.

O caso causou espanto e críticas dos consumidores, e o assunto repercutiu nas redes sociais, sobretudo no Twitter.
A marca se pronunciou sobre a questão. “Os consumidores da Nestlé são plurais e a empresa se preocupa em desenvolver produtos que atendam às suas diversas necessidades. O Moça pra Toda a Família é uma alternativa ao leite condensado com menor desembolso para as famílias brasileiras que querem continuar preparando suas receitas sem abrir mão da segurança do resultado e da qualidade Nestlé”, afirmou a empresa em nota.

Outro item que tem chamado a atenção dos consumidores é o sabão em pó Omo, da Unilever, que teve redução na quantidade de produto. O pacote de 1 kg, agora, vem com 800 g de sabão, redução de 20%.

Em comunicado, a empresa afirmou que mudanças na apresentação dos produtos não são uma prática recorrente.

“Cada segmento de atuação da companhia segue sua estratégia de negócio, que pode envolver alterações que são pontuais para produtos específicos, sempre seguindo as normas estabelecidas pela legislação e as tendências de mercado”, disse a empresa.

A “reduflação” é comum em tempos de inflação alta, como o que é vivenciado pelos brasileiros em 2022.

Em maio, apesar de ter havido uma desaceleração, o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, foi de 0,47% e, nos últimos 12 meses, de 11,73%. No acumulado do ano, o índice chegou a 4,78%.

Nos últimos cinco anos, o consumidor brasileiro perdeu 30% do poder de compra, e isso pode ser visto nas reclamações em redes sociais sobre idas aos supermercados. São bastante comuns demonstrações de quantos produtos são comprados por R$ 100.

O ideal é que o consumidor fique atento quando for ao supermercado para fazer as compras, tanto no preço quanto na quantidade ofertada pelas empresas, para saber exatamente quanto está comprando e quanto está pagando.

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BrasilSegurança

Morador de rua é encontrado morto após noite com frio de 8ºC em São Paulo

por Redação 13 de junho de 2022

Um homem em situação de rua foi encontrado morto no início da tarde deste domingo (12) em São Mateus, zona leste de São Paulo. De acordo com a Polícia Civil, o corpo do homem, de aproximadamente 50 anos, não apresentava sinais de violência.

Frequentadores da praça Felisberto Fernandes da Silva acionaram a Polícia Militar ao perceberem que o homem não se mexia. As causas da morte ainda serão apuradas pela Polícia Civil, e não é descartada a possibilidade de morte por hipotermia.
Equipes da Polícia Militar preservam o local, até a chegada da equipe de perícia da Polícia Técnico-Científica. O boletim de ocorrência será registrado no 49º DP (São Mateus).

Desde a última sexta-feira (10), a Comdec (Coordenadoria Municipal de Defesa Civil) pôs a cidade de São Paulo em estado de alerta para baixas temperaturas. O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas), da Prefeitura de São Paulo, registrou 8ºC de temperatura mínima, por volta das 7h.

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BrasilSegurança

Polícia prende suspeito de vender e fazer entrega de atestado falso

por Redação 13 de junho de 2022

Homem fraudou assinatura e carimbo de ortopedista do Instituto Médico Legal (IML), que denunciou caso
A Polícia Civil prendeu um homem na tarde de sexta-feira (10) um suspeito de ser responsável por um esquema de falsificação de atestados médicos no Distrito Federal. Ele assinava e carimbava os documentos se passando por um médico legista da própria PCDF, que denunciou a fraude.

As falsificações começaram há pelo menos três anos. Nesse período, o homem vendeu atestados a clientes que apresentavam os documentos para justificar faltas ao trabalho. Nos atestados, o criminoso apontava o CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças) de uma doença que não correspondia ao que demonstravam os exames dos clientes.
Diante do erro grosseiro, as empresas acionavam o Conselho Regional de Medicina (CRM) para que investigasse a conduta do médico. Contudo, quem era chamado a dar explicações era o ortopedista do Instituto Médico Legal (IML). O profissional respondeu a processos administrativos no órgão de classe por conta das falsificações.
Com os casos recorrentes, ele registrou um boletim de ocorrência e denunciou a fraude. Os investigadores da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte) identificaram clientes que compravam os atestados e quem estava por trás do esquema.

Com o monitoramento, a polícia apurou que o suspeito era morador de Santa Maria e conseguiu um bloco de atestados médicos com um conhecido que trabalha em hospital do DF. Após pesquisa na internet, ele encontrou o nome e o número do CRM do médico que seria vítima das fraudes. De posse dos dados, o homem foi à Feira dos Importados e mandou fazer um carimbo, segundo a Polícia Civil.
Delivery
Os clientes eram captados por indicação: quem já tinha comprado antes, passava o contato para novos interessados. Toda a negociação ocorria via WhatsApp. A cobrança pelos atestados era tabelada: ele cobrava R$ 50 caso os clientes buscassem o documento na casa dele. Se preferissem o serviço de delivery, o valor subia para R$ 100. O pagamento poderia ser feito via Pix ou cartão de crédito.

Na tarde de sexta, enquanto os agentes acompanhavam o trajeto do homem, ele foi flagrado na entrega de um atestado em um condomínio no CA do Lago Norte, e foi preso. Dentro do carro dele estava o atestado com o nome e endereço do cliente. Durante as buscas na casa do suspeito, a polícia encontrou mais 80 documentos falsos.

Ele vai responder por uso de documento falso, que tem pena de dois a seis anos por cada falsificação. No caso dos clientes, além da fraude, podem ser demitidos por justa causa.

Fonte: Com informações da Agência Estado

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BrasilEconomia

Renda do brasileiro atinge o menor valor em nove anos, aponta IBGE

por Redação 10 de junho de 2022

No segundo ano da pandemia do novo coronavírus, o rendimento médio mensal real do brasileiro teve queda recorde de 5,1% em 2021, atingindo seu menor valor desde 2012. É o que aponta a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) – Rendimento de Todas as Fontes 2021, divulgada nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Com a pandemia, o rendimento mensal médio real de todas as fontes caiu de R$ 2.386, em 2020, para R$ 2.265, em 2021. Esse é o menor valor registrado pela série histórica da Pnad Contínua, iniciada há nove anos. O rendimento já havia sofrido uma queda de 3,4% em 2020.
O rendimento médio mensal real domiciliar per capita, que já havia diminuído 4,3% em 2020, voltou a cair 6,9% em 2021, quando foi estimado em R$ 1.353, o menor valor da série histórica. A massa mensal de rendimento foi de aproximadamente R$ 216,7 bilhões, 3,1% menor que a estimada para 2020.
Já o rendimento médio mensal real habitualmente recebido de todos os trabalhos (calculado para as pessoas de 14 anos ou mais ocupadas na semana de referência) registrou redução de 6,1% em 2021 e foi estimado em R$ 2.476. Em 2020, havia atingido o maior valor da série (R$ 2.638).

A retração do rendimento médio é atribuída ao possível resultado da expansão da informalidade na ocupação.
Com isso, a desigualdade também aumentou. O rendimento mensal do 1% da população mais rica, que recebe em média R$ 15.940, é 38,4 vezes maior que a renda da metade da população mais pobre, que ganha R$ 415.

Outras fontes
Entre as categorias que compõem o rendimento proveniente de outras fontes, o item aposentadoria e pensão manteve a maior média em 2021 (R$ 1.959), mesmo com retração recorde de 5,3% no período.

Em todas as regiões, aposentadoria e pensão também representavam a categoria de maior valor, variando de R$ 1.564, no Norte, a R$ 2.212, no Centro-Oeste. Regionalmente, a perda de valor foi generalizada entre 2020 e 2021, com destaque para a redução de 9,7% no Centro-Oeste.

Os rendimentos provenientes de aluguel e arrendamento tiveram valor médio de R$ 1.814, aumento de 3,7% quando comparado ao estimado em 2020 (R$ 1.749). Em termos regionais, apenas na região Nordeste houve redução do valor médio do rendimento de aluguel e arrendamento no período (queda de 12,7%).

Pensão alimentícia, doação e mesada de não morador totalizavam, em média, R$ 667, valor 4,2% abaixo do estimado no ano anterior (R$ 696).

As regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores perdas nesse rendimento entre 2020 e 2021: 29,5% e 19%, respectivamente.

Emprego
Entre os fatores que ajudam a explicar a queda da massa de rendimentos do trabalho da população ocupada, entre 2020 e 2021, está a redução do rendimento médio de todos os trabalhos, que preponderou sobre o aumento da população ocupada no período.

Entretanto, a população ocupada cresceu 3,2%, passando de 84,7 milhões para 87,5 milhões de pessoas, o que não foi suficiente para recuperar as perdas ocorridas no início da pandemia, uma vez que em 2019 a população ocupada totalizava 92,8 milhões de pessoas.

Esse aumento de 2,8 milhões de pessoas na ocupação contribuiu para reduzir o rendimento médio do trabalho em 6,1%, o que se deve à entrada no mercado de trabalho de pessoas com menor remuneração, puxando a média do rendimento para baixo. No entanto, para justificar a queda da massa de rendimento no país entre 2020 e 2021, pesou mais a redução do rendimento médio que o aumento da ocupação.

No primeiro ano da pandemia de Covid-19, houve redução do peso do trabalho e aumento de outras fontes de rendimento. Mas, entre 2020 e 2021, o movimento foi oposto. A tendência de aumento da parcela correspondente ao rendimento do trabalho e de queda do peso do rendimento de outras fontes ocorreu em todas as regiões.

População
Em 2021, havia 212,7 milhões de pessoas residentes no país, ante 197,7 milhões em 2012. A região Sudeste concentrava a maior parte da população (42,1%), seguida das regiões Nordeste (27,1%), Sul (14,3%), Norte (8,7%) e Centro-Oeste (7,8%).

Programas sociais
Entre 2020 e 2021, houve redução do rendimento médio em todos os domicílios, mas com maior intensidade naqueles em que havia alguém recebendo algum programa social. Enquanto o rendimento domiciliar per capita dos domicílios beneficiários do Bolsa Família se desvalorizou em 10,8%, entre os domicílios não beneficiários a perda foi de 5,4%.

Domicílios em que alguém recebe outro programa social tiveram redução de 26,1% no rendimento médio, sobretudo pela redução do valor do auxílio emergencial, enquanto aqueles sem beneficiários tiveram perda de 10,3%. A redução do rendimento médio dos domicílios por recebimento do BPC-Loas foi menos discrepante: queda de 7,8% nos domicílios com beneficiários e de 6,9% naqueles sem beneficiários.

Devido à pandemia do novo coronavírus e à necessidade de distanciamento social, em 2020 o governo federal criou o auxílio emergencial, benefício destinado aos trabalhadores informais, MEIs (microempreendedores individuais), autônomos e desempregados.

Esse benefício estava presente em 15,4% dos domicílios do país em 2021, após totalizar 23,7% dos domicílios em 2020, redução que pode ser explicada por mudanças na concessão do auxílio realizadas com a flexibilização das medidas sanitárias.

Fonte: Com informações da Agência Estado

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