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Saúde

Saúde

Governo de SP vai começar a distribuir remédios à base de cannabis no SUS a partir de maio

por Redação 9 de abril de 2024

O governo de São Paulo vai começar distribuir, a partir de maio, medicamentos à base de canabidiol vegetal, derivado da planta maconha, no Sistema Único de Saúde (SUS) do estado.

Eles serão fornecidos aos pacientes que tenham indicação médica para tratar síndromes raras ou distúrbios neurológicos.

A política de distribuição gratuita foi regulamentada em dezembro do ano passado, um ano após o projeto de lei ser sancionado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A proposta, de autoria do deputado estadual Caio França (PSB), foi aprovado em dezembro de 2022 pela Assembleia Legislativa de São Paulo .

A cannabis é o gênero da planta proibida, a maconha, mas que também é a planta medicinal, utilizada para o tratamento de epilepsia refratária, dor crônica, Alzheimer, ansiedade, Parkinson – uma lista com 26 condições médicas.

Os medicamentos só serão distribuídos com autorização da Secretaria Estadual da Saúde e devem ter registro de certificação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Pacientes precisam ter indicação médica;
Passar por acompanhamento periódico;
E devem seguir protocolos clínicos.
A liberação também só vai ser dada com a receita preenchida e assinada pelo médico e apenas nas farmácias especializadas do governo.

No Brasil, desde 2014, a Anvisa autoriza a importação de alguns medicamentos feitos com Cannabis. Já em 2019, a entidade regulamentou a pesquisa, produção e venda de remédios no país por parte da indústria farmacêutica, embora as plantas ainda precisem ser trazidas do exterior.

Fonte: G1

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Saúde

Novas drogas para obesidade podem vencer a tendência humana de resistir a um tratamento

por Redação 4 de abril de 2024

A maior parte das pessoas, como demonstram muitos estudos, não toma os medicamentos que foram prescritos pelo médico. Não importa se são estatinas, medicamentos para hipertensão, para baixar o açúcar no sangue, para asma. Os pacientes nunca começam a tomá-los ou simplesmente abandonam o tratamento medicamentoso.

É um problema que os médicos chamam de não adesão. Faz parte da conhecida tendência humana de resistir a um tratamento. Algumas consequências desse comportamento são as inúmeras mortes e os bilhões de dólares pagos em custos médicos que poderiam ser evitados todos os anos.

Mas essa resistência pode ser superada pelos medicamentos de sucesso que combatem a obesidade – o Wegovy e o Zepbound. Eles estão surpreendendo o mundo com sua eficácia em ajudar as pessoas a perder peso e mantê-lo baixo. Ainda é cedo para afirmações e há escassez de dados sobre a adesão aos novos medicamentos, porém os médicos observaram outro efeito surpreendente: os pacientes dessas novas drogas tomam fielmente suas doses, semana após semana.

Alguns pacientes precisam superar uma relutância inicial para começar. Uma pesquisa feita em âmbito nacional mostrou que a maioria dos entrevistados perdeu o interesse em iniciar o tratamento quando foi informada de que voltaria a ganhar peso se parasse de tomá-los.

Um estudo de pequeno alcance revelou que muitos pacientes pararam de renovar as prescrições durante meses seguidos, talvez devido aos efeitos colaterais, à dificuldade de encontrar os medicamentos ou a questões ligadas aos planos de saúde e aos altos custos.

Curiosamente, dizem médicos e pacientes, aqueles que começaram a tomar os medicamentos continuaram. “Não pretendo parar de tomar o Wegovy”, disse Kimberly DelRosso, de Pembroke, Massachusetts. Ela nunca se esquece de tomar a injeção semanal. Por outro lado, muitas vezes deixou de tomar os comprimidos para pressão arterial que foram prescritos quando pesava bem mais. (Hoje, depois de perder peso com o Wegovy, já não precisa deles.)

Os médicos relatam que, tal como DelRosso, a maioria dos pacientes pretende tomar os medicamentos para a obesidade para sempre. Muitos ficam entusiasmados ao saber que não precisam mais de outros medicamentos para doenças que têm relação com a obesidade.

David Cummings, professor de medicina da Universidade de Washington e diretor de um programa de controle de peso no VA Puget Sound Health Care System, registra as experiências de seus pacientes com Wegovy e o medicamento para diabetes Ozempic. Ele prescreveu até agora esses medicamentos para cerca de mil pacientes. Apenas cinco por cento pararam por causa dos efeitos colaterais, informou. Outros pararam porque o plano de saúde já não cobria o medicamento ou porque não conseguiram encontrar uma farmácia que o tivesse em estoque suficiente – o que reflete a escassez persistente desse tipo de remédio nos locais de vendas.

Mas, em geral, quem interrompe o uso não o faz voluntariamente, disse Cummings. Outros médicos que prescrevem Wegovy concordaram com isso. “A adesão é excepcional. As pessoas aceitam os medicamentos, pedem novas receitas e até levam em viagens”, comentou a dra. Diana Thiara, diretora médica do programa de controle de peso da Universidade da Califórnia, em San Francisco.

Uma epidemia de não adesão
Contudo, há um preço a pagar por negligenciar as prescrições médicas. Um número surpreendente de 40 a 50% das pessoas que precisam tomar medicamentos para doenças crônicas, como hipertensão ou diabetes, simplesmente não os tomam. Isso resulta em um gasto anual de, pelo menos, US$ 100 bilhões em custos médicos desnecessários. Estima-se que essa desconformidade seja responsável por cerca de cem mil mortes evitáveis a cada ano.

Até mesmo um infarto do miocárdio não é suficiente para assustar as pessoas e levá-las a tomar o atual arsenal de remédios cardíacos que, comprovadamente, previnem mortes por doenças cardíacas. Alguns estudos feitos com indivíduos nos Estados Unidos mostram que apenas metade das pessoas que tiveram ataques cardíacos ainda tomava medicamentos para proteger o coração, dois anos depois dos eventos.

“Esses pacientes viram as luzes brilhantes, andaram de ambulância, fizeram ICP de salvamento, tiveram ataques cardíacos secundários na família, vislumbraram as Portas do Paraíso, mas, ainda assim, insistem em não tomar suas estatinas e seus betabloqueadores”, disse Amitabh Chandra, professor de políticas públicas e administração de empresas na Universidade Harvard. Até mesmo médicos param de tomar os remédios, desafiando a hipótese de que a maior parte das pessoas o faz porque não entende realmente quanto eles são importantes.

Embora o custo seja um desestímulo, houve um estudo que descobriu que, mesmo quando os medicamentos são gratuitos, a adesão pode ser ínfima.

Parece que há uma espécie de relutância arraigada em tomar algo que o lembre todos os dias de que você está doente – muitos pacientes percebem dessa forma. Essa relutância é mais visível com o que os especialistas chamam de medicamentos “de uso contínuo”; tomá-los diariamente faz com que alguns pacientes se sintam anormais. “As pessoas pensam que estão bem e que por isso não precisam do remédio, embora seja ele que as mantém bem-dispostas”, observou Corrine Voils, psicóloga social da Universidade do Wisconsin que estuda o problema da adesão aos medicamentos.

A professora de medicina da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia, Jalpa A. Doshi, disse que os pacientes fazem os próprios juízos de valor: “O medicamento tem efeitos colaterais, exige cobertura dos planos de saúde, e o ato de tomar um comprimido diário faz com que você se lembre de que está doente. O paciente se pergunta: onde estão os sintomas? Não vejo a pressão alta ou o colesterol alto. Quais são os benefícios? Ele acha que poderia, simplesmente, comer menos sal e menos alimentos gordurosos, e fazer mais caminhadas ou exercícios, em vez de tomar esses medicamentos. São autoavaliações que os pacientes fazem mentalmente e que facilitam a interrupção.”

O perfil acima cai como uma carapuça em Mark Anthony Walker, de 61 anos, morador de Dublin, na Califórnia, cuja experiência com doenças cardíacas é marcada por uma história familiar preocupante – seu pai morreu de um ataque cardíaco fulminante aos 47 anos, e sua mãe, aos 48 anos.

Aos 26 anos, Walker tinha um nível de colesterol de 360. “Fiquei apavorado”, contou ele, que toma estatinas desde então. Mas não pretende ficar nessa condição para sempre. Chegou à conclusão de que seu cérebro precisa de colesterol. Quanto a tomar uma droga pelo resto da vida, declarou-se totalmente contrário. Em vez disso, acredita que será capaz de controlar a doença cardíaca – e até revertê-la – com uma dieta rigorosa, exercícios e vitaminas.

O cardiologista de Walker, David J. Maron, diretor de cardiologia preventiva da Universidade Stanford, gentilmente o incentiva – e a outros pacientes também relutantes – a tomar seus medicamentos corretamente. Mas, como sabem os médicos, se atacarem com armas em punho, seus pacientes fugirão.

Menos estigma, menos vergonha
O que faz as drogas para obesidade serem diferentes? Embora sejam os médicos que recomendam as estatinas e os medicamentos para pressão arterial, há pacientes que, muitas vezes, pedem aos clínicos que lhes receitem medicamentos para obesidade. Muitos desses pacientes tentaram todas as dietas e programas de exercícios que lhes apareceram à frente e, cada vez que perdiam peso, recuperavam tudo rapidamente.

Além disso, pessoas que tomam os novos medicamentos contra a obesidade não conseguem se esconder facilmente se param de tomá-los. O peso que perderam pode voltar, bem como o estigma, a vergonha e a culpa que muitas vezes acompanham a obesidade. Isso torna essas drogas muito diferentes da maioria das outras. “Você não anda com um grande sinal no peito dizendo: ‘A medicação para pressão arterial foi interrompida'”, disse o dr. Walid Gellad, professor de medicina da Universidade de Pittsburgh que também estuda a adesão aos medicamentos.

O lado negativo é que as drogas contra a obesidade são caras e, muitas vezes, exigem que os médicos preencham formulários de autorização prévia para os planos de saúde. Outro fato é que os medicamentos constantemente escasseiam em todos os Estados Unidos. São impedimentos que os tornam difíceis de obter.

Outras desvantagens dos medicamentos incluem efeitos colaterais como náuseas e problemas gastrointestinais. Também a forma como são administrados não é simples: os pacientes precisam injetar em si próprios os medicamentos uma vez por semana.

Em um estudo feito na Clínica Cleveland, o pesquisador Hamlet Gasoyan e seus colegas examinaram os registros digitais de saúde de 402 pacientes, em diferentes locais de Ohio e da Flórida, que tomavam Wegovy ou Ozempic para obesidade. Descobriram que apenas 161, ou seja, 40 por cento, tinham aviado suas receitas ao longo do ano. Os efeitos colaterais, a indisponibilidade nas farmácias, as questões de cobertura dos planos de saúde e o custo dos medicamentos podem ter influenciado.

Mas há uma razão pela qual os pacientes estão dispostos a ligar para dezenas de farmácias em busca dos medicamentos e se injetar fielmente todas as semanas: sem obesidade, sentem que têm uma aparência melhor e que são vistos de um jeito diferente. Não são mais evitados ou maltratados. As pessoas em volta não ficam mais olhando para o carrinho de compras ou fazendo comentários jocosos quando os ex-obesos comem uma tigela de sorvete. O constrangimento, a culpa e o estigma sem fim da obesidade desaparecem.

Esse fator tem importância para DelRosso: “As pessoas com obesidade são tratadas de forma diferente. É simplesmente horrível como você é menosprezado por ser mais pesado.” Mas ela também se deleita com os efeitos para a saúde. Não tem mais apneia do sono ou pressão alta. Seu nível de açúcar no sangue, que estava próximo da faixa diabética, caiu. “Não preciso mais tomar nenhum remédio”, disse ela. Exceto, é claro, o Wegovy.

c. 2024 The New York Times Company

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Saúde

Antiviral contra dengue está em fase de testes pré-clínicos, diz pesquisador de Stanford

por Redação 13 de março de 2024

FOLHAPRESS) – A pesquisa para o desenvolvimento de medicamentos antivirais ganhou um novo fôlego com a pandemia da Covid. No entanto, o arrefecimento da urgência acompanhou a redução dos investimentos. Agora, a aposta dos pesquisadores é em medicamentos que possam tratar mais de um vírus ao mesmo tempo.

Quem diz isso é o cientista americano Jeffrey Glenn, professor de imunologia e microbiologia na Universidade de Stanford que lidera pesquisas de desenvolvimento de antivirais para arboviroses, que incluem dengue e chikungunya.

No Brasil nesta quarta-feira (13) para uma visita ao projeto Ciência Pioneira, iniciativa de apoio à ciência do Idor (Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino), ligado à Rede D’Or, o virologista molecular já tem um passado de participação em estudos com brasileiros – fez parte do grupo que observou um medicamento que teve sucesso em reduzir os riscos de hospitalização em casos de Covid-19.

Seu novo projeto para desenvolvimento de antivirais contra arbovírus teve bons resultados nos testes em células, em laboratório, e também nos testes de tolerabilidade, e deve partir para a fase de testes em animais em abril, em uma fase pré-clínica, em provável parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A previsão é que os primeiros resultados surjam até o início do segundo semestre do ano.
*
PERGUNTA – O senhor tem um histórico no desenvolvimento de antivirais. Como os antivirais atuam no corpo, especialmente os desenvolvidos contra dengue?

JEFFREY GLENN – Infelizmente, o número de antivirais disponíveis para combater o grande número de ameaças que existem é relativamente pequeno e deixa muitas lacunas em nossas defesas antivirais coletivas.
Esse tipo de medicamento funciona contra vírus da mesma forma que os antibióticos funcionam contra infecções bacterianas. Os antivirais buscam interferir no ciclo de vida do vírus e podem ajudar o sistema imunológico a se livrar da infecção.

Para a dengue, e em muitos outros casos, também há o risco do vírus sofrer mutações para se tornar resistente a um determinado antiviral. Assim, uma abordagem é tentar desenvolver um coquetel de vários agentes antivirais que poderiam ser usados juntos para diminuir a probabilidade de o vírus se tornar resistente ao tratamento.

P – Quais são os desafios nessa área de pesquisa?
JG – É necessário muito esforço para desenvolver até mesmo um bom medicamento para a dengue, quanto mais um coquetel de antivirais. Estamos trabalhando em novos candidatos a medicamentos para serem usados sozinhos ou em combinação com outros antivirais contra a dengue.

P – Houve uma mudança no investimento pelos setores público e privado no desenvolvimento de antivirais depois da pandemia?
JG – Certamente, durante a pandemia houve um aumento nos investimentos no desenvolvimento de antivirais. Este investimento veio da indústria, do governo e da filantropia. Infelizmente, à medida que a pandemia diminuiu, também diminuiu a magnitude desses investimentos.

Quando se trata de desenvolver antivirais para pandemias, é importante agir de forma proativa, ou seja, antes da próxima pandemia, não reativa, depois de milhões de mortes. O desenvolvimento de medicamentos leva tempo, então é muito perigoso que não estejamos fazendo investimentos suficientes nessa área.

Dito isso, para que um antiviral seja útil para interromper uma futura pandemia, ele precisa ser totalmente desenvolvido e estocado antecipadamente. Isso é muito caro e fazer esse investimento para um vírus que pode nunca aparecer é um grande desafio, independentemente de ser financiado pelo governo, por organizações sem fins lucrativos ou por investidores. Portanto, é importante que haja um bom argumento de negócios para o medicamento em tempos não pandêmicos.

Por exemplo, um medicamento desenvolvido para combater futuras pandemias de influenza, que podem matar centenas de milhões de pessoas, que também possa ser usado para tratar a gripe sazonal regular. Ou um medicamento desenvolvido para tratar a Covid que também possa ser usado para tratar o câncer. Estamos adotando uma estratégia semelhante em nossos esforços para buscar uma solução para a dengue.

P – Qual é o cenário da ciência nas pesquisas de antivirais contra a dengue?
JG – Existem várias abordagens possíveis. Em uma delas, podemos buscar desenvolver medicamentos que visem um elemento específico dentro do vírus da dengue, os chamados antivirais de ação direta.

Em uma segunda, podemos buscar desenvolver medicamentos que possam privar o vírus de acesso a algo que o vírus precisa em nós para crescer, os chamados antivirais que visam o hospedeiro.

Em terceiro lugar, há uma nova classe de medicamentos que chamamos de “antivirais programáveis” que podemos “programar” ou projetar rapidamente contra características específicas no genoma do vírus da dengue.

P – Como tem sido o avanço da sua pesquisa para desenvolvimento de antivirais para arboviroses? Pode falar sobre a metodologia e os resultados obtidos até então?
JG – Em Stanford, focamos no desenvolvimento de novos tipos de medicamentos desde seu início com grande ênfase em química medicinal. Isso envolve projetar, sintetizar e testar novas moléculas.

Os testes geralmente são feitos primeiro em células infectadas pelo vírus cultivadas em laboratório, e os compostos mais promissores são então testados em animais infectados. [A pesquisa é feita a partir do estudo de desenvolvimento de antivirais para hepatite e faz parte da abordagem de antivirais de ação direta, por agirem diretamente no vírus – são pequenas moléculas que se ligam a uma proteína do vírus, de forma a inibir a replicação vira].
Parece que temos alguns candidatos promissores e continuamos a otimizar ainda mais os principais. Ainda estamos na fase de testes pré-clínicos.

Também acredito que o interferon lambda [peguilado, substância ainda sem autorização para uso comercial no Brasil, do estudo que pesquisa um medicamento para a Covid], que tem atividade antiviral de amplo espectro e foi administrado em milhares de pacientes em múltiplos ensaios internacionais, incluindo aqui no Brasil, pode ser muito bom para muitas infecções-chave por arbovírus.

P – Os antivirais podem ser solução para uma epidemia no país? Em conjunto com a vacina, é uma boa forma de combate à dengue?
JG – Idealmente, são eficazes tanto os antivirais quanto as vacinas. Precisamos de ambos. As vacinas tentam prevenir doenças, e os antivirais tratam pessoas que já estão infectadas, quando é tarde demais para a vacina ter benefício.

Além disso, para fazer uma vacina, é preciso saber qual é o vírus-alvo. E alguns vírus são muito difíceis de se fazer vacinas. Por exemplo, mesmo depois de décadas de tentativas, ainda não temos vacinas para hepatite C ou para o HIV.

Às vezes temos sorte, como com a Covid, mas mesmo assim, com o maior investimento já feito, para a Operação Warp Speed, [parceria público-privada iniciada pelos Estados Unidos para acelerar o desenvolvimento, a fabricação e a distribuição de vacinas e diagnósticos da Covid], foram necessários bilhões de dólares e mais de um ano desde o início da pandemia até o envio das vacinas.

Se tivéssemos um antiviral eficaz em mãos, poderíamos ter esperança de controlar a pandemia em Wuhan. Como os antivirais muitas vezes podem ser de amplo espectro, podem ser desenvolvidos contra vírus específicos, mas têm chance de funcionar contra outros vírus, até mesmo aqueles que ainda não sabemos que existem.

P – O senhor fez parte do grupo que pesquisou um medicamento experimental que reduziu pela metade os riscos de hospitalização em casos de Covid. Há novidades sobre esse estudo ou perspectiva de comercialização do medicamento?
JG – Este foi um esforço feito com uma ótima equipe baseada aqui no Brasil do qual fiquei muito orgulhoso de fazer parte.

Na verdade, a redução no risco de hospitalização pela metade foi em pacientes que já estavam vacinados. Nos pacientes não vacinados e tratados precocemente, houve uma redução de 89% nas hospitalizações e mortes. Além disso, foi eficaz contra todas as variantes da Covid, e os efeitos colaterais foram os mesmos que o placebo.

Com base na ciência disponível, acredito que esse tratamento pode ser muito eficaz contra muitos outros vírus, incluindo alguns dos que têm grande impacto no Brasil.

Sobre a comercialização, mesmo que o estudo de fase 3 da lambda para Covid esteja completo, a lambda ainda precisa ser aprovada pela autoridade regulatória de cada país individualmente.

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Saúde

‘Covid-19 segue um problema de saúde pública’, diz ministra ao anunciar memorial da pandemia

por Redação 11 de março de 2024

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, disse nesta segunda-feira (11) que, embora a Covid-19 não seja mais uma emergência sanitária global, a doença ainda não foi superada “como problema de saúde pública”. “A Covid-19 permanece como importante problema de saúde pública, por essa razão várias medidas tem sido adotadas pelo ministério, pois ela segue uma preocupação”, alertou Nísia durante evento em Brasília que marcou o anúncio do Memorial da Pandemia. No Brasil, ao menos 700 mil vidas foram perdidas devido à Covid-19.

Neste ano, a Covid-19 voltou a ganhar força dentro do país. Segundo dados do Ministério da Saúde, até 2 de março tinham sidos constatados 381.446 casos e 1.789 mortes pela doença. Só entre 25 de fevereiro e 2 de março, o Brasil teve 70.582 casos (alta de 1,9% em relação à semana anterior) e 253 óbitos (19,9% a mais que na semana anterior).

De acordo com a ministra, a criação do memorial representa “um momento de reflexão, mas também de um agir ligado ao esforço reflexivo para construirmos uma memória de um evento que denota muito mais do que o abandono, mas a negação da ciência e da vida pelo governo anterior”, afirmou.

O anúncio do memorial aconteceu durante um seminário no Palácio Itamaraty. O evento acontece nesta segunda (11) e terça-feira (12) e vai promover um debate entre especialistas, autoridades e profissionais de diversas áreas que atuaram no combate a doença.

Segundo o Ministério da Saúde, o objetivo do evento é contribuir para a criação de um plano que vai escolher o monumento do memorial da pandemia e permitir que artistas, arquitetos e outros profissionais se engajem na proposta.

A expectativa é que o memorial abrigue uma exposição sobre os momentos marcantes da pandemia, como lockdown, estudos científicos, mapeamento genético do vírus e ações de solidariedade. “O memorial nos faz pensar essa história recente e projetar, de verdade, um novo futuro”, destacou Nísia.

A ministra ainda acrescentou ser necessário um sistema de saúde forte e resiliente para fazer frente a “possíveis futuras pandemias que o mundo inteiro discute”.

Fonte: r7

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Saúde

Anvisa aprova registro de vacina atualizada contra a Covid-19

por Redação 6 de março de 2024

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (6), o registro de uma vacina atualizada contra a Covid-19, a Spikevax monovalente. O imunizante já está atualizado para a mais recente variante da doença, a XBB 1.5. O produto é registrado pela Adium S.A. e fabricado pela Moderna.

Esta é a segunda vacina monovalente atualizada com essa variante autorizada pela Anvisa. Em dezembro do ano passado, a agência tinha aprovado a atualização da vacina Comirnaty monovalente, fabricada pelo laboratório farmacêutico Pfizer.

A vacina Spikevax está indicada para imunização ativa para a prevenção da Covid-19 em crianças a partir de 6 meses de idade e adultos. Na terça-feira (5), a ministra da Saúde, Nísia Trindade, anunciou que as doses do imunizante devem chegar no Brasil no final deste mês e começar a serem distribuídas em abril. De acordo com o governo, os grupos prioritários serão os primeiros vacinados.

Ela afirmou que a Covid-19 continua sendo “problema de saúde pública”. “Estamos enfrentando esse grande desafio da dengue, que é uma preocupação de saúde pública, mas, nós estamos enfrentando essa questão junto ao aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave por influenza e também covid-19”, disse.

Fonte: r7

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Saúde

Ministério da Saúde antecipa vacinação da gripe para março

por Redação 29 de fevereiro de 2024

O Ministério da Saúde decidiu antecipar o início da campanha de vacinação contra a gripe em todo o Brasil devido ao aumento da circulação de vírus respiratórios. Tradicionalmente realizada entre abril e maio, a campanha deste ano começará em 25 de março. As vacinas serão distribuídas a partir de 20 de março para as regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

Em 2023, a estratégia foi alterada para a região Norte, onde a imunização ocorreu entre novembro e dezembro, considerando as particularidades climáticas da região. A imunização visa proteger contra os vírus que geralmente circulam nos meses de maio, junho e julho.

Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, destaca a antecipação da campanha para proteger a população, especialmente idosos, gestantes e profissionais de saúde, antes da chegada do inverno.

A vacina trivalente, contendo três cepas de vírus, protege contra os principais vírus em circulação no Brasil. Estima-se que 75 milhões de pessoas serão imunizadas, podendo a vacina contra a influenza ser administrada simultaneamente com outras do Calendário Nacional de Vacinação.

Em 2024, a vacinação ocorrerá no primeiro semestre nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, enquanto no Norte será no segundo semestre, considerando o início do inverno amazônico. A estratégia busca atender às particularidades climáticas da região.

O Ministério da Saúde, em conjunto com estados e municípios, adota o microplanejamento como ferramenta de planejamento contínuo das ações de vacinação. Esta estratégia visa ampliar o acesso à vacinação, respeitando as diversidades regionais e direcionando esforços para alcançar a cobertura vacinal. Dentre as estratégias adotadas estão a realização do Dia D de vacinação, busca ativa de não vacinados, vacinação em escolas e áreas indígenas, entre outras.

Fonte: r7

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Saúde

Em duas décadas, Brasil teve 10 mil mortos por dengue e 16 milhões de casos prováveis da doença

por Redação 7 de fevereiro de 2024

Nos últimos 20 anos, 10.027 pessoas morreram vítimas de dengue no Brasil e mais de 16 milhões de casos prováveis da doença foram registrados, segundo o Ministério da Saúde. Entre 2004 e 2023 o número de mortes saltou de 19 para 1.094, o que representa um aumento de 5.657%. São Paulo (2.132 mortes), Goiás (1.186), Minas Gerais (1.179), e Rio de Janeiro (796) são os estados com maior número de registros.

Desde o ano passado, o Brasil vem enfrentando um aumento nos casos de dengue. Apenas nas quatro primeiras semanas de 2024, 243.720 casos prováveis da doença foram notificados, ultrapassando o total de suspeitas registradas em 2017 (239.389 casos). O número corresponde a um aumento de 273% em relação ao mesmo período de 2023.

Segundo o último boletim epidemiológico divulgado, 24 mortes já foram confirmadas e 163 estão em investigação. Entre as unidades da federação com maiores coeficientes de incidência estão o Distrito Federal (com 1.108 casos por 100 mil habitantes), Minas Gerais (384 por 100 mil), Acre (357 por 100 mil) e Paraná (264 por 100 mil).

Com a explosão de casos, pelo menos cinco unidades da federação já decretaram situação de emergência em saúde pública: Distrito Federal, Acre, Minas Gerais, Goiás e Rio de Janeiro.

Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal apontam 46,5 mil casos de dengue e 11 mortes na capital do país desde o início do ano. O governador Ibaneis Rocha (MDB) disse que está realizando um trabalho conjunto com diversas pastas para limpar bairros e eliminar os criadouros do mosquito.

Em novembro do ano passado, uma menina de 7 anos morreu por complicações causadas pela dengue hemorrágica. Inicialmente, ela havia sido diagnosticada com bronquite e virose, mas a situação se agravou. A mãe acredita que houve negligência médica.

Vacina contra dengue
O Ministério da Saúde incorporou a vacina contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS), em dezembro do ano passado. Em janeiro, o governo anunciou a chegada das primeiras doses do imunizante, que deve atender a 3,2 milhões de pessoas este ano.

Segundo a pasta, serão aplicadas duas doses da vacina em um intervalo de, no mínimo, três meses. Neste ano, o público-alvo serão crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo que concentra o maior número de hospitalização pela doença, e pessoas idosas, que ainda não tiveram a liberação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Os imunizantes serão destinados a regiões com municípios de grande porte, com alta transmissão nos últimos dez anos, e população igual ou maior a 100 mil habitantes. A remessa recebida vai passar pelo processo de liberação da alfândega e da Anvisa. Depois, segue para o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde.

No último dia 30, o Ministério da Saúde informou que pretende começar a distribuir a vacina da dengue a partir da segunda semana de fevereiro. O cronograma do governo prevê o envio às 521 cidades com alto índice da doença.

Cenário da dengue
A dengue é uma doença transmitida pela fêmea infectada do mosquito Aedes aegypti, que causa principalmente dores musculares, atrás dos olhos e de cabeça, vômitos persistentes e letargia.

Todo indivíduo que apresentar febre repentina (a partir de 39°C) e pelo menos dois dos principais sintomas deve procurar imediatamente um serviço de saúde, segundo o Ministério da Saúde.

De acordo com a Organização Pan Americana de Saúde, cerca de 500 milhões de pessoas nas Américas correm o risco de contrair dengue. Já a nível mundial, metade da população tem a chance de se contagiar.

Apenas nas duas primeiras semanas deste ano, 112 mil casos suspeitos da doença foram registrados nas Américas. Brasil (19.653 casos), Paraguai (10.316) e Colômbia (6.050) lideravam o ranking com maior número de casos.

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Saúde

32,3 milhões de brasileiros não completaram o esquema primário de vacinação contra a Covid-19

por Redação 6 de fevereiro de 2024

Da população apta a tomar a vacina contra a Covid-19 no Brasil, 32,3 milhões de pessoas não completaram o esquema primário de imunização, composto por duas doses. Isso equivale a 16,06% do público-alvo, considerando que os imunizantes foram aprovados para qualquer pessoa acima de 6 meses de idade. O Brasil teve quase 710 mil mortes causadas pela doença e mais de 38 milhões de casos confirmados.

Roraima é o estado que menos completou o esquema vacinal, com 41,49% da população sem ter tomado duas doses, segundo dados do Ministério da Saúde atualizados até essa segunda-feira (5). Na sequência estão o Maranhão (34,15%) e o Pará (31,9%).

Em números absolutos, São Paulo é o estado com menos imunizados, com quase 3,9 milhões de pessoas sem as duas doses. Minas Gerais aparece em segundo (2,8 milhões).

O infectologista Werciley Junior explica que ter um número alto de pessoas que não completaram a imunização torna inviável fazer um controle uniforme da doença.

Bebês e crianças são os menos imunizados
De acordo com o levantamento, a faixa etária que menos completou o esquema de vacinação primário foi o de bebês de 6 meses a 2 anos, com 86,5% incompletos ou sem doses, o que equivale a 5,5 milhões. A faixa seguinte, de 3 a 4 anos, é a segunda menos vacinada, com 77,4% das crianças sem o esquema primário de imunização.

Com relação ao grupo de 5 a 11 anos, 44,3% não completaram as duas doses previstas, com 8,5 milhões de crianças. As pessoas com 75 anos ou mais são as que mais completaram o esquema vacinal.

Para o infectologista Alberto Chebabo, o risco de complicações de Covid-19 em crianças não vacinadas de até 5 anos é maior por não terem sido expostas à doença e terem uma queda mais rápida nos níves de anticorpos.

O mesmo vale para pessoas acima de 60 anos e, principalmente, acima de 75 anos. “Para essa população, é importante que a vacinação ocorra dentro do calendário recomendado pelo Ministério da Saúde”, reforça.

Fonte: r7

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Saúde

Médicos pedem cuidado com receitas de repelente caseiro contra a dengue; veja dicas

por Redação 5 de fevereiro de 2024

Com o aumento no número de casos e escassez de produtos, muitas pessoas buscam receita caseiras para se proteger contra o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue. Porém, o médico infectologista Lucas Godoy, do Hospital Santa Helena da Rede D’Or São Luiz, alerta para a falta de comprovação da efetividade dessas preparações. “São necessárias concentrações específicas de certos princípios ativos e, além disso, da manutenção da estabilidade”, explica. Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 262.247 casos prováveis da doença até esta segunda-feira (5), com 29 mortes confirmadas e outras 173 em investigação.

O infectologista ressalta que alguns óleos extraídos de plantas, como a citronela, eucalipto e a lavanda, as receitas que encontramos na internet são, em sua maioria, uma combinação entre os ingredientes naturais e o álcool. “Esses componentes podem causar dermatites e outras reações dermatológicas”, ressalta.

Para Godoy, o melhor caminho é procurar os produtos vendidos em farmácias, já que eles passam por um rigoroso processo de verificação junto aos órgãos competentes, sendo necessários estudos que comprovem sua efetividade.

Ele explica que, no Brasil, os principais princípios ativos desses repelentes são a Icaridina e o DEET. “A concentração ideal de icadirina é acima de 20% e do DEET entre 30–50% (em crianças recomenda-se concentrações menores) para as aplicações aconteçam em um intervalo de 10h de segurança”, explica. O médico ainda acrescenta que concentrações abaixo do padrão necessitam de “reaplicações mais frequentes. ”

Falta de repelente
O presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal, Humberto Lopes, explicou que a atual escassez de repelentes nos estabelecimentos farmacêuticos é resultado da sazonalidade do pico do mosquito da dengue. “Esse cenário tem ocasionado um consumo desproporcional, gerando temporariamente a falta de repelentes nas drogarias locais.”, concluiu.

Eliminar focos
O infectologista ressalta que a principal ação para o combate à dengue é a eliminação dos focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti. “A autonomia de voo do Aedes aegypti ultrapassa dificilmente os 100 metros, por isso, quando alguém contrai a doença o foco pode estar mais perto do que se imagina.”

Godoy explica que a população deve fazer uma vigilância ativa a possíveis locais com água parada. “Até mesmo tampinhas de garrafas podem servir de reservatório”, explica.
“Esse mosquito costuma ‘atacar’ no início da manhã e ao final do dia. Por isso atenção redobrada nesses períodos”, ressalta.

Situação do Brasil
O painel de monitoramento de arboviroses mostrou que, até sexta-feira (2), o Brasil registrou 262.247 casos prováveis da doença, com 29 mortes confirmadas e 174 em investigação. 54,47% dos pacientes são mulheres, e a faixa etária de 30 a 39 anos é que mais contraiu a doença.

O Distrito Federal tem a maior incidência da doença, seguido pelo Acre, Minhas Gerais. Segundo a ministra Nísia Trindade, os locais mais críticos vão ter prioridade na entrega de vacinas. O governo espera distribuir 6,5 milhões de doses e espera começar a imunização no território nacional.

Fonte: r7

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Saúde

Ministério da Saúde pretende entregar vacinas contra dengue na segunda semana de fevereiro

por Redação 30 de janeiro de 2024

O Ministério da Saúde quer começar a distribuir a vacina da dengue a partir da segunda semana de fevereiro para as 521 cidades com alto índice da doença. A informação foi dada nesta terça-feira (30) pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, em reunião de emergência com o Distrito Federal e sete cidades do Entorno. “Ainda não começamos a distribuição porque estamos atendendo uma regulação técnica da Anvisa. Assim que tivermos ela pronta, começamos a distribuição”, informou Nísia.

Parte da regulação, segundo a pasta, é ter as informações da vacina em português. A expectativa do Ministério é que as demandas sejam atendidas na próxima semana para que na seguinte se inicie a distribuição.

Neste ano serão distribuídas 6,5 milhões de doses, e para 2025 o Ministério comprou 9 milhões de doses. O público-alvo serão crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, faixa etária que apresenta o maior número de hospitalizações por dengue, depois dos idosos, segundo o Ministério da Saúde.

As cidades foram selecionadas segundo os municípios com mais de 100 mil habitantes; que possuem alta transmissão de dengue e com maior número de casos em 2023 e 2024; e predominância da dengue tipo 2 em dezembro do ano passado. A pasta não informou a quantidade de doses destinadas a cada município.

Entre os sintomas mais comuns da doença estão dores de cabeça e atrás dos olhos, febre e manchas pelo corpo. Nos casos mais graves, como a dengue hemorrágica, pode haver dor abdominal, vômito, sonolência, tontura e sangramentos. Segundo a especialista Carla Kobayashi, é importante buscar ajuda médica e tratar os sintomas desde o início, mantendo-se hidratado.

Como funciona
A Qdenga é baseada no vírus vivo e atenuado do sorotipo 2 da dengue. Segundo o fabricante, é ele que fornece a “espinha dorsal” genética para haver a proteção contra os demais sorotipos. O esquema vacinal inclui duas doses subcutâneas com intervalo de três meses entre elas. A proteção contra a doença deve ter duração de até cinco anos.

Eficácia
A aprovação da Qdenga pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) serviu como base para a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em março de 2023.

Ao órgão europeu, a Takeda apresentou dados de 19 estudos científicos que envolveram 28 mil crianças e adultos.

O ensaio clínico final demonstrou que o imunizante foi capaz de prevenir 80,2% dos casos sintomáticos de dengue 12 meses após a vacinação.

O estudo mostrou que a vacina evitou em 90,4% as hospitalizações em casos de dengue em um prazo de 18 meses após as injeções. Após 4,5 anos da vacinação, a eficácia para casos sintomáticos caiu para 61%, mas a prevenção de internações hospitalares se manteve alta, em 84%.

Como funciona
Na prática, o vírus existente na vacina não é capaz de causar doença nas pessoas que recebem a vacina. Ainda assim, existem contraindicações. Segundo o laboratório, os seguintes grupos não devem receber a Qdenga:

  • Pessoas com imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo terapias imunossupressoras, como quimioterapia ou altas doses de corticosteroides sistêmicos nas quatro semanas anteriores à vacinação;
  • Indivíduos com infecção sintomática pelo HIV ou com infecção assintomática pelo HIV quando acompanhados de evidência de comprometimento da função imunológica; e
  • Grávidas e lactantes.

Efeitos colaterais
Os estudos apontaram uma série de possíveis efeitos colaterais após a vacinação.Os mais comuns (afetaram mais de uma em dez pessoas) foram:

  • dor no local da injeção;
  • dor de cabeça;
  • dores musculares;
  • vermelhidão no local da injeção;
  • mal-estar;
  • fraqueza;
  • infecções no nariz ou garganta;
  • febre.

Os efeitos adversos considerados comuns (afetaram até uma em cada dez pessoas) foram:

  • inchaço no local da injeção;
  • dor ou inflamação no nariz, ou garganta;
  • coceira no local da injeção;
  • inflamação da garganta e amígdalas;
  • dor nas articulações;
  • sintomas gripais.

Outros sintomas mais incomuns, como diarreia, coceira e erupções na pele, também foram identificados nos estudos.

Fonte: r7

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