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Saúde

Saúde

Gêmeas de Varginha descobrem câncer de mama quase ao mesmo tempo e superam tratamento juntas

por Redação 25 de setembro de 2025

Cristina Aparecida de Souza Setério Olímpio e Cristiane Aparecida de Souza Setério Silva, irmãs gêmeas de Varginha (MG), compartilharam uma experiência marcante no último ano: ambas descobriram câncer de mama quase ao mesmo tempo.

Cristiane, assistente administrativo, foi a primeira a notar algo diferente após se inspirar em uma colega de trabalho em tratamento. Durante o banho, fez o autoexame e encontrou um nódulo. Pouco depois, Cristina, operadora de caixa, também realizou o autoexame e identificou um nódulo semelhante.

As duas iniciaram o tratamento praticamente juntas e, segundo os médicos, o diagnóstico precoce foi fundamental. “Diagnosticar o tumor em estágio inicial favorece a cura e permite terapias menos agressivas”, explica Bruno Aquino, coordenador de oncologia do Hospital Bom Pastor, referência na região do Sul de Minas.

Entre 2020 e 2024, a instituição registrou média de 290 novos casos por ano, com número crescente em mulheres de 30 a 40 anos. Estilo de vida, alimentação industrializada, consumo de álcool e uso de hormônios estão entre os fatores de risco, de acordo com especialistas.

Hoje, as gêmeas comemoram o fim do tratamento e ressaltam a importância da fé e do apoio mútuo. “Nunca soltamos a mão uma da outra. Seguimos firmes, sempre acreditando que ia dar certo”, disse Cristiane.

Fonte: G1

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Saúde

Hospital em Natal transplanta rim em paciente errado; órgão foi perdido

por Redação 24 de setembro de 2025

Um paciente recebeu por engano um rim que seria destinado a outra pessoa no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL-UFRN/Ebserh), em Natal. Ambos estavam na fila de espera por transplante renal.

Segundo o hospital, o erro ocorreu porque os pacientes tinham nomes semelhantes. O receptor convocado equivocadamente não era compatível com o órgão. Após a cirurgia, ele apresentou reação e precisou ser levado para a UTI. O rim acabou sendo retirado e não pôde mais ser aproveitado para o destinatário correto.

O HUOL confirmou o caso em nota, informou que acompanha o quadro clínico do paciente, abriu um processo de investigação com prazo de até 60 dias e está oferecendo apoio psicológico aos familiares.

Referência em transplantes no Rio Grande do Norte e no Brasil, o hospital afirma ter realizado 854 procedimentos desde 1998, incluindo rim e córnea.

Fonte: G1

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Saúde

Criadora do Wegovy anuncia pílula para obesidade que diminui peso em 16%

por Redação 18 de setembro de 2025

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, responsável pelos medicamentos Ozempic e Wegovy, anunciou resultados promissores de sua nova pílula para tratamento da obesidade. O fármaco experimental levou à perda média de 16,6% do peso corporal em estudo clínico com 307 adultos obesos ou com sobrepeso, realizado ao longo de 64 semanas.

Quase um terço dos voluntários chegou a reduzir 20% ou mais do peso, com efeitos colaterais semelhantes à versão injetável já disponível no mercado.

Se aprovado, o medicamento será o primeiro comprimido baseado em GLP-1 a ser avaliado pela Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos. A decisão regulatória é esperada até o fim de 2025. A empresa já iniciou a produção em fábricas no país.

O anúncio amplia a disputa bilionária no setor da obesidade. A principal concorrente, a americana Eli Lilly, desenvolve o orforglipron, comprimido que mostrou perda média de 12,4% em ensaio clínico com 3 mil pessoas.

Segundo especialistas, a versão oral representa um avanço estratégico, por ser mais prática e potencialmente mais acessível do que os injetáveis, ainda caros e com oferta limitada em sistemas de saúde públicos.

A inovação foi possível após a empresa desenvolver um intensificador de absorção para evitar a degradação do princípio ativo no estômago, garantindo eficácia na circulação sanguínea.

Atualmente, cerca de 40% da população adulta dos Estados Unidos tem obesidade, segundo dados recentes, e a Organização Mundial da Saúde alerta para o avanço global da condição.

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Saúde

Entregador entra para sessão de hemodiálise e sai intubado após intoxicação por ácido no RJ

por Redação 29 de agosto de 2025

O entregador Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, de 29 anos, está em coma após ter sido intoxicado durante uma sessão de hemodiálise na clínica Nice Diálise, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Segundo a família, ele recebeu, por engano, ácido peracético, substância usada para a limpeza de máquinas, mas que não pode entrar em contato com o paciente.

De acordo com o pai, Márcio Luiz Alves dos Santos, Bruno chegou à clínica na última quarta-feira (20) animado para mais um dia de tratamento. “Ele entrou sorrindo e saiu intubado. Vimos a maca sair com ele inchado, sangrando e sem consciência”, relatou.

Estado de saúde

Segundo o laudo médico do pronto-socorro, Bruno apresentou rebaixamento do nível de consciência, além de hemorragia e edema cerebral, provocados pela exposição ao ácido. Desde então, permanece internado em estado gravíssimo.

Investigação

O caso foi registrado na Polícia Civil como lesão corporal. O boletim de ocorrência cita a presença de resíduos de ácido na máquina usada pelo paciente. A família relatou ainda que, no dia do incidente, houve troca da técnica de enfermagem responsável.

A TV Globo esteve na clínica, mas não encontrou responsáveis. Vizinhos disseram que o espaço funciona apenas às segundas, quartas e sextas-feiras.

A reportagem entrou em contato com a Nice Diálise e aguarda resposta. A Secretaria Municipal de Saúde de São Gonçalo informou que a fiscalização do serviço é de responsabilidade da Vigilância Sanitária Estadual, já notificada sobre o caso.

Fonte: G1

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Saúde

Falta de canetas de insulina em SP se agrava após indústria priorizar remédios para emagrecimento

por Redação 27 de agosto de 2025

Pacientes com diabetes em São Paulo enfrentam dificuldades diante da escassez de canetas aplicadoras de insulina nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Segundo o Ministério da Saúde, o problema ocorre porque a indústria farmacêutica tem priorizado a produção de canetas usadas em medicamentos para emagrecimento, de alta demanda e maior lucratividade no mercado.

Embora a insulina continue disponível, os aplicadores — que oferecem mais precisão e praticidade — estão em falta. Como alternativa, a Secretaria Municipal de Saúde tem distribuído frascos de doses múltiplas e seringas, um método mais doloroso e de uso complexo.

Pacientes relatam dificuldades. “Sempre que vou ao posto, eles avisam que não tem”, disse Maria Helena dos Santos, aposentada. Outros moradores afirmam que chegam a organizar “mutirões” para tentar encontrar os dispositivos em diferentes unidades.

Segundo especialistas, a substituição compromete o tratamento. “A caneta tem uma precisão maior, cada clique equivale a uma unidade. Na seringa, muitas vezes só conseguimos aplicar de duas em duas unidades”, explicou João Salles, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Em nota, o Ministério da Saúde reconheceu a escassez e atribuiu o problema a uma mudança global de mercado, mas não informou prazo para a normalização do fornecimento.

Fonte: G1

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Saúde

Médico pega bactéria no cérebro após infecção em dente e fica três meses internado na UTI

por Redação 19 de agosto de 2025

Um cirurgião plástico de 49 anos passou três meses internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Vitória após uma bactéria entrar em seu organismo por um ferimento na boca, causar lesões no cérebro e no coração e exigir uma cirurgia de emergência.

O médico Eduardo Passamai contou que tudo começou após uma obturação quebrar, deixando uma ferida bucal que se tornou porta de entrada para a infecção.

No fim de abril, depois de sentir fortes dores de cabeça durante a Romaria dos Homens, tradicional procissão da Festa da Penha, ele foi internado com hipertensão craniana. Exames identificaram três abscessos cerebrais de até seis centímetros e outros dois menores. O quadro provocou edema cerebral e arritmia cardíaca.

Passamai passou por neurocirurgia para drenar a secreção e iniciou tratamento com antibióticos.

Após três meses internado, recebeu alta no fim de julho e se recupera em casa, realizando fisioterapia de reabilitação e retomando gradualmente as atividades médicas.

“O sentimento é de agradecimento. Estou vivo. Fiquei muito tempo internado, ainda tenho fraqueza muscular, mas volto a trabalhar aos poucos. Esse período mudou minha vida: saí melhor pai, melhor filho e serei um médico melhor para meus pacientes”, disse.

Durante a internação, o cirurgião comemorou o aniversário dos filhos e o seu próprio dentro do hospital, em momentos que descreveu como transformadores.

Fonte: G1

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Saúde

Bell Marques passa mal durante corrida em Fortaleza: ‘Me recuperando’

por Redação 15 de agosto de 2025

O cantor Bell Marques, de 72 anos, passou mal na manhã desta sexta-feira (15) enquanto participava de uma corrida na Avenida Beira Mar, em Fortaleza (CE). O evento, chamado “Corrida 100% Você”, foi promovido pelo próprio artista e reuniu fãs e atletas.

Bell completava o percurso de 10 quilômetros quando sentiu um mal-estar e precisou do apoio de outros corredores que estavam próximos. Pouco depois, ele usou as redes sociais para tranquilizar os seguidores e explicou que o problema foi causado por indisposição estomacal após a refeição.

“Me recuperando, viu? Saí cedo demais, comi um negócio, fiquei me sentindo mal, passei, o estômago ficou ruim. Mas deu tudo certo, a corrida foi linda e eu tô aqui, já tô indo pro palco de novo. Essas coisas acontecem, sabe? Rapaz, poxa vida!”, disse o artista.

Apesar do susto, Bell garantiu que está bem e manteve a programação de shows prevista para logo após a prova. A corrida é organizada por uma empresa ligada ao cantor e promove eventos esportivos em diversas cidades do Brasil.

Fonte: G1

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Saúde

Faustão passa por transplante de fígado e retransplante renal em SP

por Redação 8 de agosto de 2025

O apresentador Fausto Silva, de 75 anos, passou por um transplante de fígado e um retransplante renal nesta quarta (6) e quinta-feira (7), no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

De acordo com o boletim médico, os órgãos, provenientes de um único doador, foram considerados compatíveis pela Central de Transplantes do Estado de São Paulo, que acionou a instituição para a realização dos procedimentos.

Internado desde 21 de maio por causa de uma infecção bacteriana aguda com sepse, Faustão vinha sendo submetido a tratamento para controle da infecção e a reabilitação clínica e nutricional, com o objetivo de estabilizar seu quadro de saúde.

Ainda conforme o boletim, o retransplante renal já estava previsto havia um ano e pôde ser realizado em conjunto com o transplante de fígado.

Transplantes

Faustão passou por um transplante cardíaco no dia 27 de agosto de 2023. O apresentador ocupava o segundo lugar na fila de espera por um coração, segundo a Central de Transplantes do Estado.

Em fevereiro de 2024, Faustão voltou a ser internado, desta vez para um transplante de rim. De acordo com familiares, quando ele passou por um transplante de coração, no ano passado, seus rins já estavam comprometidos e ele estava fazendo hemodiálise. O apresentador ficou na fila por um transplante de rim por dois meses.

Em entrevista ao Fantástico em agosto de 2024 (assista acima), meses após o segundo transplante, o apresentador comentou sobre sua saúde e compartilhou como se sentia depois de vivenciar esses episódios.

“É curioso, eu nunca fumei na vida. Nunca bebi. Não bebo nem licor. Nem cerveja. Nada. Nunca usei droga. E eu caí na malha fina e tive que fazer transplante de coração. Eu estou agora, o que acontece? O coração de um atleta de 35 anos. E agora tem que cuidar da lanternagem, da funilaria, da parte física mesmo. Fazer fisioterapia, ginástica. Isso é fundamental”, relatou.

“Você recebe uma bênção dessas, você fala assim: ‘poxa, se eu mereci voltar?’. E estou me sentindo muito melhor do que antes, eu tenho uma responsabilidade, então tem que pensar no legado”, afirmou, na época.

Fonte: G1

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Saúde

ExRNA: a molécula que pode antecipar o diagnóstico de câncer e transformar o tratamento da doença

por Redação 7 de agosto de 2025

Uma molécula minúscula que circula no sangue — chamada RNA extracelular (exRNA) — está no centro de uma revolução científica silenciosa que promete mudar a forma como o câncer é detectado, acompanhado e tratado. É o que revela uma nova revisão publicada na revista ExRNA por pesquisadores da Universiti Putra Malaysia, em colaboração com outras instituições asiáticas. O estudo compila os avanços mais recentes sobre essa ferramenta que ainda é desconhecida de grande parte da população.

Presente em fluidos como sangue, saliva e urina, o exRNA é um fragmento de material genético expelido pelas células — inclusive as cancerígenas — que circula envolto por estruturas chamadas exossomos. O que torna essas moléculas promissoras vai além da detecção precoce de tumores: elas têm potencial para guiar terapias personalizadas e menos invasivas.

Uma biópsia sem bisturi
Diferente da biópsia convencional, que exige retirada de tecido com agulhas ou cirurgia, os exRNAs podem ser detectados por meio de um simples exame de sangue. Isso viabiliza as chamadas biópsias líquidas, capazes de identificar o câncer ainda nos estágios iniciais e monitorar sua evolução ao longo do tratamento.

Fragmentos como microRNAs e RNAs circulares já estão sendo investigados como marcadores para diferentes tipos de câncer, como os de pulmão, próstata, cólon e pâncreas. Além da estabilidade no organismo, os exRNAs refletem mutações genéticas, agressividade do tumor e até a resistência a medicamentos — tudo isso sem necessidade de procedimentos invasivos.

Do diagnóstico ao tratamento
A inovação, porém, não para no diagnóstico. Cientistas agora estudam maneiras de usar os exRNAs como agentes terapêuticos. A proposta é aproveitar os próprios exossomos como veículos para entregar fragmentos de RNA terapêutico diretamente às células tumorais.

Em testes pré-clínicos, foi possível interromper o crescimento de tumores e até reverter resistência a quimioterápicos, utilizando exossomos carregados com RNAs supressores de tumor. A meta, no futuro, é tratar o câncer com maior precisão e causar menos efeitos colaterais.

Obstáculos e futuro promissor
Apesar do otimismo, o uso clínico dos exRNAs ainda enfrenta barreiras importantes: a padronização dos métodos de coleta e análise, a garantia de que os exossomos cheguem ao destino correto no corpo e a falta de regulamentação específica para esse tipo de abordagem.

A produção desses sistemas em larga escala e com segurança também representa um desafio para que possam ser usados em hospitais.

Ainda assim, os cientistas enxergam um futuro promissor. Avanços em bioengenharia, inteligência artificial e diagnóstico molecular podem acelerar o uso clínico dos exRNAs, inclusive em plataformas integradas com outros biomarcadores, pavimentando o caminho para uma oncologia verdadeiramente personalizada.

Uma nova era no combate ao câncer
Com o avanço das pesquisas, cresce a esperança de que os exRNAs deixem de ser apenas uma promessa de laboratório e passem a integrar o arsenal clínico contra o câncer. Esses “mensageiros invisíveis” oferecem uma janela inédita para entender e intervir na doença antes mesmo de seus sinais se tornarem visíveis.

O estudo completo, “ExRNA como agentes teranósticos no câncer: progresso atual e perspectivas futuras”, está disponível gratuitamente em acesso aberto na revista científica ExRNA.

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SUS

Pacientes do SUS poderão ser atendidos por planos de saúde a partir deste mês; quem tem direito? Tire todas as suas dúvidas

por Redação 1 de agosto de 2025

A partir deste mês, parte dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) poderão ser atendidos gratuitamente por planos de saúde privados no programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. A medida, anunciada na última segunda-feira, permitirá que as operadoras troquem dívidas com o governo pela prestação de serviços aos usuários da rede pública.

De acordo com a pasta, o edital com as regras para adesão voluntária pelos planos ao programa será publicado na próxima segunda-feira, dia 4. Uma semana depois, no dia 11, o sistema para as operadoras se cadastrarem será aberto. Depois, o ministério avaliará se o plano segue os critérios necessários. Se aprovado, os serviços serão ofertados ao SUS.

— Os planos de saúde solicitam participação, o Ministério da Saúde cruza os serviços ofertados com as necessidades apontadas pelos estados e municípios e, depois que as adesões forem aprovadas, começam os atendimentos em áreas em que há carência de atendimento lá na ponta, como oncologia e ginecologia. Com esse reforço dos hospitais privados, menor será o tempo de espera no SUS — afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao GLOBO.

Abaixo, tire as principais dúvidas sobre o programa.

Por que pacientes do SUS serão atendidos por planos de saúde?
O atendimento pelos planos é parte do novo programa Agora Tem Especialistas, que busca utilizar a estrutura privada do país para ampliar o acesso à atenção especializada, como cirurgias, consultas e exames, e reduzir as longas filas enfrentadas por pacientes do SUS.

Numa primeira etapa do programa, os hospitais passaram a poder quitar suas dívidas realizando procedimentos da rede pública. Agora, o Ministério da Saúde passa a permitir que as operadoras também troquem suas dívidas pelo atendimento.

Isso porque a legislação brasileira obriga os planos a ressarcirem o poder público quando um de seus beneficiários utiliza um serviço especializado do SUS, o que não é cumprido na prática, explica Ligia Bahia, professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ):

— Eu acho uma iniciativa positiva, porque essas dívidas nunca serão efetivamente pagas. Porque os planos judicializam os valores, que viram ativos financeiros, que é o pior dos mundos. Então trocá-las por serviços ao SUS é uma boa ideia.

De acordo com a pasta da Saúde, há uma dívida estimada em R$ 1,3 bilhão, dos quais espera-se que R$ 750 milhões sejam quitados com a oferta de serviços para o SUS em 2025. Reinaldo Guimarães, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), também vê o projeto com bons olhos:

— No SUS, a atenção básica é bem sucedida, apesar de seus problemas, o principal nó é na chamada média e alta complexidade. Desatar esse nó, mesmo que não completamente, porque o passivo é muito grande, é algo positivo. O ideal seria que o SUS tivesse condições de solucionar as filas sozinho, mas é difícil pensar em quanto tempo levaria para conseguir isso, se é que conseguiríamos um dia.

A partir de quando o atendimento poderá ser feito pelo plano de saúde?
O acesso não será imediato. A partir do dia 11, as operadoras de saúde poderão se cadastrar voluntariamente para aderirem ao programa. Apenas depois, com a liberação pelo Ministério da Saúde, é que os serviços começarão a ser ofertados ao SUS. Espera-se que os primeiros atendimentos para pacientes da rede pública sejam realizados ainda em agosto.

Como é o processo para os planos aderirem?
Depois da publicação do edital e da abertura para cadastro, os planos deverão solicitar a adesão ao programa via plataforma InvestSUS. Para isso, haverá alguns critérios, como comprovação de capacidade técnica e operacional e disponibilização de uma matriz de oferta que atenda às necessidades do SUS.

As operadoras, por exemplo, precisarão realizar mais de 100 mil atendimentos por mês, para evitar a pulverização dos serviços. Em regiões que têm menos instituições e grande demanda, planos de saúde de menor porte, com um atendimento mínimo de 50 mil por mês, poderão aderir.

O Ministério da Saúde avaliará a regularidade do plano e se os serviços oferecidos atendem às demandas da rede pública. Caso o cadastro esteja de acordo com os critérios, a operadora será aceita, e o rol dos serviços ofertados será disponibilizado aos estados e municípios. A partir daí, unidades conveniadas ao plano poderão iniciar os atendimentos.

O paciente do SUS pode escolher ser atendido pelo plano?
Não. O paciente que utiliza a rede pública buscará uma unidade de saúde normalmente. O encaminhamento para um atendimento especializado por plano de saúde ou por um serviço público será feito pelo complexo regulatório que administra a fila do SUS na região, explica Padilha:

— O caminho continua o mesmo, mas agora vai andar mais rápido, porque, com o reforço dos hospitais dos planos de saúde, o SUS vai ofertar mais cirurgias, exames e consultas.

É possível escolher em qual hospital privado o paciente será atendido?
Não. Da mesma forma que o paciente não poderá escolher ser atendido ou não por um plano de saúde, não será possível selecionar para qual unidade ele será encaminhado.

Alguma região ou especialidade médica será priorizada?
Para garantir mais serviços nas localidades com maior demanda, o Ministério da Saúde definiu que a participação dos planos será dividida em 36,5% para a região Sudeste; 24% para o Nordeste; 11,5% para o Sul; 10% para o Centro-Oeste e 10% para a região Norte. Outros 10% serão reservados para contratação de serviços estratégicos em qualquer região do país.

Além disso, o programa Agora Tem Especialistas como um todo prioriza seis áreas em que há maior carência de serviços especializados: oncologia; oftalmologia; ortopedia; otorrinolaringologia; cardiologia e ginecologia. Mas a pasta da Saúde diz que também será considerada a demanda apresentada pelos estados e municípios.

Os planos poderão dar prioridade aos pacientes do SUS?
Não. Na coletiva de anúncio do programa, a diretora-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Carla de Figueiredo Soares, destacou que a iniciativa será acompanhada de mecanismos de fiscalização, com possibilidade de multas e penalidades, e que “não há qualquer espaço para que operadoras deixem de atender sua carteira de clientes para priorizar o SUS”.

Para Gustavo Ribeiro, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), o programa representa “uma evolução significativa na integração entre os sistemas público e privado de saúde no Brasil” que poderá “beneficiar milhões de brasileiros que aguardam atendimento”.

Quais os desafios no programa?
A medida, embora vista com bons olhos por especialistas, não é isenta de desafios. Guimarães pontua, por exemplo, que será difícil precificar os serviços prestados pelos planos em relação à dívida e saber se os planos vão aderir ao programa, já que historicamente eles não querem pagar os ressarcimentos ao SUS.

Além disso, Ligia pontua que o sucesso da iniciativa também se apenas operadoras que têm uma baixa cobertura vão demonstrar interesse:

— Se elas devem ao SUS, significa que a cobertura já é restrita, porque seus beneficiários buscam muito a rede pública. E precisamos pensar na qualidade e dignidade desse serviço, sem um estigma para os pacientes que vêm do SUS.

Se bem sucedida, ela acredita que a medida poderia se transformar numa política de Estado permanente, o que resolveria a falta de pagamento das dívidas. Porém, isso demandaria um desenho maior do programa, com mais fiscalização e governança, defende, e não apenas uma iniciativa isolada do governo atual.

Fonte: OGLOBO

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