O corpo da brasileira Letícia Oliveira Alves, de 36 anos, foi encontrado em uma área de floresta na província de Quebec, no Canadá, próximo à fronteira com os Estados Unidos. A identidade da goiana foi confirmada oficialmente no fim de fevereiro, após meses de buscas internacionais. Letícia estava desaparecida desde dezembro de 2023 e chegou a ser incluída na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo usado para localizar pessoas desaparecidas.
De acordo com a polícia provincial de Quebec (Sûreté du Québec), o corpo foi localizado por caçadores na região de Coaticook, próxima aos estados americanos de Vermont e New Hampshire. Segundo o porta-voz da corporação, Louis-Philippe Ruel, não foram encontrados sinais aparentes de violência. A principal hipótese investigada é de que a brasileira tenha morrido por hipotermia após exposição prolongada ao frio intenso.
Familiares informaram que o corpo havia sido encontrado ainda em abril de 2024, mas a confirmação da identidade só foi comunicada recentemente pelas autoridades canadenses.
Natural de Goiânia, Letícia era formada em Química pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e possuía mestrado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ela deixa uma filha de 12 anos, que permaneceu em Goiânia sob os cuidados da avó e não participou das viagens feitas pela mãe.
A família agora tenta arrecadar recursos para realizar o traslado do corpo ao Brasil enquanto aguarda a conclusão dos trâmites diplomáticos. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Consulado-Geral do Brasil em Montreal acompanha o caso e presta assistência consular aos familiares.
O desaparecimento começou a ser investigado após a mãe da brasileira procurar as autoridades em Goiânia, relatando que não conseguia mais contato com a filha desde dezembro de 2023. O registro foi feito pelo Grupo de Investigação de Desaparecidos da capital goiana.
Segundo familiares, Letícia atuava como missionária da Igreja Adventista e iniciou uma viagem pela América do Sul, passando pela Argentina e pela Bolívia antes de seguir para os Estados Unidos, onde chegou inicialmente ao estado do Mississippi em junho de 2023.
Durante as buscas, surgiram indícios de que ela poderia estar em Boston, no estado de Massachusetts, possivelmente em um abrigo na Harrison Avenue. O Consulado-Geral do Brasil foi acionado, mas não conseguiu confirmar a presença da brasileira no local.
Consultas iniciais em bancos de dados não encontraram registros de voos ou histórico migratório em nome de Letícia. Posteriormente, investigadores identificaram um registro de detenção nos Estados Unidos com o nome “Leticia Alpes Oliveira”, com a mesma data de nascimento da brasileira, levantando a hipótese de erro de grafia.
Registros também indicam que ela teria sido impedida de entrar no Canadá em janeiro de 2024 na região de Buffalo, no estado de Nova York. Após a abordagem, Letícia permaneceu por cerca de três meses sob custódia de autoridades migratórias dos Estados Unidos e foi liberada em abril daquele ano mediante compromisso de comparecer a uma audiência de imigração prevista para 2026 em Boston.
As investigações também apontaram que ela poderia ter sido acolhida em um abrigo feminino na cidade, voltado para mulheres em situação de vulnerabilidade. Entretanto, as autoridades não conseguiram confirmar essa informação devido às regras de confidencialidade da instituição.
Em consultas posteriores, autoridades americanas confirmaram que Letícia entrou no país em janeiro de 2024 usando uma grafia alternativa do nome e que não havia registros de saída. Em outro momento, ela também teria se identificado como “Sara Mars”, informação que passou a integrar a investigação.
Sem novos contatos da brasileira com a família, as buscas continuaram em cooperação internacional até a recente confirmação da localização do corpo no Canadá. As circunstâncias da morte seguem sendo apuradas pelas autoridades.
Fonte: OGLOBO