Brasileiros na Ucrânia são alvo de grupos pró-Rússia no Telegram; mortes são celebradas e recompensas oferecidas

por Redação

O brasileiro Jackson Aurélio Lourenço, de 30 anos, foi declarado morto na Ucrânia, onde lutava ao lado das forças ucranianas, e teve a morte celebrada em um grupo pró-Rússia no Telegram. O canal, chamado “TrackANaziMerci”, reúne mais de 50 mil membros e divulga informações pessoais de combatentes estrangeiros, especialmente brasileiros, promovendo uma espécie de “caça” aos que participam do conflito.

Segundo relatos, ao receberem a notícia de mortes, os membros do grupo publicam imagens dos soldados com um X vermelho, acompanhadas de comentários ofensivos e racistas. Combatentes brasileiros relatam que suas fotos, nomes e trajetórias militares são divulgados, colocando-os em risco de ataques e até de exposição pública em caso de morte.

O número exato de brasileiros na guerra é incerto. O Itamaraty contabiliza oficialmente 10 mortos e 18 desaparecidos, mas alerta que há uma presença maior nos últimos meses e recomenda não aceitar propostas de trabalho militar na Ucrânia, devido ao risco extremo das missões.

Alguns soldados, como Arisson Benevides, amigo de Jackson, afirmam que receberam recompensas de até US$ 10 mil para sua captura. Ele relata já ter sido ferido em combate, e que a exposição nos canais de Telegram aumenta o risco para si e suas famílias.

O Ministério das Relações Exteriores mantém contato com as famílias, prestando assistência consular, mas reconhece que a ajuda é limitada, já que os brasileiros atuam em contratos privados, sem vínculo oficial com as Forças Armadas.

Especialistas em relações internacionais classificam os grupos de Telegram como parte de uma “guerra estratégica”, cujo objetivo é intimidar combatentes estrangeiros, provocando exaustão psicológica e desestabilização do moral das tropas adversárias.

Fonte: gq

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