As câmeras corporais dos PMs devem passar a fazer também reconhecimento facial e leitura de placas de veículos a partir de 2026, segundo o comando da Polícia Militar em São Paulo. Esses novos recursos já estavam previstos desde a implantação desses equipamentos.
O capitão Marcelo Luís Valino, chefe de Operações de Imagens da PM, diz que a Polícia Militar trabalha junto com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) para operacionalizar o reconhecimento facial pelas câmeras, integrando-as ao sistema de monitoramento do programa de controle de mobilidade criminal Muralha Paulista.
“A previsão de integração é para o primeiro semestre do ano que vem”, afirma.
Com a nova funcionalidade do reconhecimento facial, o policial, em uma abordagem, terá condições de “ter uma ideia se a pessoa que ele estiver abordando é mesmo aquela pessoa, e não alguém dando um nome falso”, diz Valino.
“O policial, ao se deparar com uma ocorrência, na abordagem vai fazer o acionamento de um botão na câmera e tirar uma foto daquele momento, daquele ambiente, encaminhado para o reconhecimento facial, [em interface com] banco de dados de procurados”, explica. “Em um minuto, no máximo, terá a informação [de veracidade da identidade da pessoa abordada].”
Em relação à leitura de placas, a lógica será a mesma, segundo o chefe de Operações de Imagens da PM.
“Da mesma forma, a leitura de placa terá de ser acionada via botão, no momento da ocorrência. A câmera poderá identificar essa placa e posteriormente fazer as consultas dela.”
“Na área de despacho das ocorrências, temos no centro de uma tela todas as viaturas, todas as câmeras corporais em um mapa plotado, onde a gente pode selecionar as câmeras e verificar onde elas estão”, descreve Valino. “Todas as câmeras corporais possuem GPS integrado.”
Se um policial decide desligar sua câmera durante uma ocorrência, em até um minuto ela será automaticamente reativada.
Em 2022, sob gestão do governador Rodrigo Garcia (DEM), com a ampliação do programa das câmeras, o estado de São Paulo registrou o menor número de mortes por PMs em serviço na história. A redução da mortalidade de adolescentes em intervenções policiais chegou a 80,1% naquele ano, por exemplo.
Ao alcançar 813 mortes em 2024, o estado voltou para o patamar anterior à introdução das câmeras corporais. Se comparado com 2022, antes do governo Tarcísio, o aumento no número de mortes praticadas por policiais militares aumentou 91%.
Após acordo no Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Militar começou a implantar, em junho, as novas câmeras nas fardas dos agentes em São Paulo, com a distribuição de 2.955 câmeras em 19 batalhões. Eles não gravam ininterruptamente, como os primeiros equipamentos.
Até o fim do ano, 12 mil novas COPs devem ser implementadas no estado “com foco em regiões de maior risco, conforme matriz técnica elaborada pela corporação”.
Acionamento via bluetooth
O equipamento também pode ser ligado via bluetooth. Se, durante uma ocorrência, um dos policiais aciona sua câmera, as dos outros PMs em um raio de 10 metros também serão ligadas por meio dessa tecnologia.
Foi o que aconteceu no caso da morte de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em uma ação na favela de Paraisópolis, no dia 10 de julho.
Três policiais sobem uma escada. Outro PM já está dentro do quarto com dois rapazes rendidos, com as mãos na cabeça. Na porta do quarto um policial dá dois tiros. Um dos PMs grita para largarem a arma. Depois pergunta para o rapaz de camiseta clara se ele têm passagem pela polícia.
Um dos policiais na ação acionou sua câmera corporal, ligando também as dos outros policiais via bluetooth. A PM analisou as imagens das câmeras corporais que eles usavam. A partir dessa análise, dois policiais militares foram presos em flagrante e vão responder por homicídio doloso.
Fonte: G1