Caso da PM baleada em SP ganha novos capítulos e levanta dúvidas sobre o que aconteceu no apartamento

por Redação

Imagens e áudios inéditos obtidos pelo Fantástico revelam detalhes dos momentos após a soldado da Polícia Militar Gisele Alves ser baleada na cabeça dentro do apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro de 2026.

As gravações incluem ligações feitas para serviços de emergência e registros das câmeras de segurança do andar do prédio. O primeiro pedido de socorro foi feito pelo marido da policial, o tenente-coronel da PM Geraldo Neto.

“Alô. É o tenente-coronel Neto, estou no Brás. A minha esposa é policial feminina, ela se matou com um tiro na cabeça. Manda um resgate, uma viatura aqui agora, por favor”, afirmou ele em ligação para a Polícia Militar.

Em seguida, ele também telefonou para o Corpo de Bombeiros. “A minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Ela ainda está viva, ela está respirando”, disse.

Imagens das câmeras de segurança mostram o tenente-coronel no corredor do prédio às 8h02, ao telefone e sem camisa. Três minutos depois, ele faz outra ligação. Às 8h13, três bombeiros chegam ao local.

Um dos socorristas, com 15 anos de experiência, relatou em depoimento que achou a cena incomum e decidiu fotografar. Segundo ele, a arma estava encaixada na mão da policial de uma forma que nunca havia visto em casos de suicídio.

Outros pontos também chamaram atenção: o sangue já estava coagulado, o cartucho da bala não foi encontrado e, apesar de afirmar que estava no banho no momento do disparo, o tenente-coronel estava seco e não havia água no chão do apartamento.

Áudios gravados no local mostram o militar falando sobre problemas no relacionamento e a situação financeira do casal.

“A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise”, disse.

Ele relatou que os dois estavam sozinhos desde a noite anterior e que haviam discutido a relação. “O jeito que a gente está vivendo não compensa. Eu estou gastando aí sete mil por mês para viver com dois estranhos. Eu quero me separar”, afirmou.

Segundo o tenente-coronel, a discussão continuou na manhã do ocorrido. Ele afirmou que estava tomando banho quando ouviu um barulho.

“Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça”, declarou.

Os socorristas conseguiram reanimar Gisele no local. Enquanto tentavam salvá-la, relataram que o marido permaneceu ao telefone com superiores e não demonstrava desespero.

Às 8h55, a policial foi retirada do prédio ainda com vida em uma maca. O tenente-coronel aparece nas imagens sentado no corredor.

Um dos pontos que mais chamou atenção da família foi uma ligação feita por Geraldo ao desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O magistrado chegou ao prédio às 9h07 e subiu ao apartamento. Segundo o advogado da família da policial, José Miguel da Silva Junior, é necessário esclarecer o motivo da presença dele no local.

“Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo”, afirmou.

Às 9h18, o desembargador reaparece no corredor. Onze minutos depois, o tenente-coronel surge usando outra roupa.

Testemunhas disseram que ele teria tomado banho nesse intervalo, mesmo após ter sido orientado por policiais a não fazê-lo. Policiais militares relataram ainda que ele voltou com cheiro forte de produto químico.

Laudos da Polícia Técnico-Científica apontam que a cena do crime não foi preservada corretamente, o que dificultou determinar a dinâmica do disparo e quem teria efetuado o tiro.

Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, além de panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão.

“O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirmou o advogado da família.

Outro ponto investigado aparece no depoimento de uma vizinha, que disse ter acordado às 7h28 com um estampido forte. A primeira ligação do tenente-coronel pedindo socorro foi registrada apenas às 7h57, cerca de 29 minutos depois.

“Essa lacuna precisa ser explicada. A família merece saber o que aconteceu”, disse o advogado.

Em nota, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento. A defesa também declarou que o militar tem colaborado com as autoridades e está à disposição para esclarecer os fatos.

Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária.

Fonte: FANTÁSTICO

Leia também