Caso Lamine Yamal: o que dizem brasileiros com nanismo sobre a contratação para ‘animar festas’

por Redação

Lamine Yamal, jogador do Barcelona, se tornou centro de uma polêmica nesta semana, após contratar pessoas com nanismo como animadoras em uma festa de aniversário. Os profissionais contratados serviram bebidas, dançaram e realizaram truques de mágica.

Yamal chegou a ser denunciado pela Associação de Pessoas com Acondroplasia e Outras Displasias com Nanismo (ADEE), da Espanha – sob a acusação de isso “perpetua estereótipos, alimenta a discriminação e prejudica a imagem e os direitos das pessoas com nanismo”.

A denúncia se baseia em uma lei espanhola que proíbe espetáculos que “desonram” pessoas com deficiência. O Ministério Público espanhol vai investigar o caso. Já um dos animadores da festa disse que não se sentiu desrespeitado. “Somos pessoas normais que fazem o que querem fazer de forma absolutamente legal”, declarou.

O caso traz à tona uma discussão sobre uma prática bem comum no Brasil.

‘É válido investigar’, diz atriz
A atriz Juliana Caldas considera que o trabalho pode ser realizado com respeito, mas a investigação é válida. “Eu não posso julgar uma pessoa com nanismo que aceita esse tipo de trabalho. E se foi um trabalho de servir bebidas, fazer truque de mágicas, essas coisas, se foi um trabalho realizado e com respeito, ok. Eu não veria problema nenhum”.

“Mas tem esse tipo de trabalho estereotipado, que a gente sabe que existe. Eu acho muito válido, sim, entrar com a denúncia do caso [Yamal] para dar uma investigada”.

Para ela, o capacitismo ainda é um assunto pouco debatido – e compreendido – na sociedade.

Para humorista, ‘já era para ter mudado’
“Não se trata tanto da pessoa com nanismo que está ganhando seu dinheiro dessa forma, servindo de ‘entretenimento’ para outras pessoas. Eu acho que a grande questão está no pensamento da sociedade sobre isso”, diz o ator e humorista Gigante Leo.

Leo diz que não há consenso entre associações que representam pessoas com nanismo — mas que ele, pessoalmente, não se sente confortável com esse tipo de entretenimento.

“Eu já tive propostas de fazer trabalhos, ser um ajudante de palco que seria esse tipo de papel – que tá ali para ser jocoso, para ser o bobo da corte. Eu não me sinto confortável, pessoalmente, em fazer esse tipo de trabalho”.

“Acho que tem milhões de outras possibilidades de se fazer humor, entretenimento sem precisar passar por esse estereótipo, esse clichê que é muito fácil e que a sociedade já tá acostumada”, reforça.

Sambista recomenda regulamentar
Para a sambista Viviane de Assis, que é passista da Viradouro, a contratação em si não é um incômodo “desde que a pessoa não seja ridicularizada”. Ela diz que ela mesma já trabalhou dessa forma.

“Coqueleteiros, que colocam a bebida na boca da pessoa, balançam a cabeça, dançam… tá tudo bem. Eu não vejo ridicularização nisso, até porque eu já trabalhei assim”.

Mas Viviane ressalta que muitas vezes é preciso ter um limite, um regulamento no contrato – o que ela mesma já aplicou em vários eventos em que participou.

Fonte: G1

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