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Categoria:

Economia

BrasilEconomia

Café, carnes, ovos em alta? Veja o que vem por aí nos preços de alimentos

por Redação 7 de fevereiro de 2025

A inflação de alimentos pode não repetir nos próximos meses a disparada registrada no ano passado, considerando previsões mais moderadas de alguns economistas. No entanto, os preços de certos alimentos básicos — como é o caso do café, das carnes, dos ovos e dos alimentos in natura — devem pesar mais no bolso das famílias, especialmente na primeira metade do ano. Na quinta-feira, em entrevista a rádios da Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao comentar sobre a alta dos preços de alimentos, falou para o consumidor não comprar se o produto estiver caro.

O principal “vilão” da inflação de alimentos será o café, segundo analistas. Parte do aumento será resultado de altas que já ocorreram na indústria, mas que ainda não chegaram na ponta. Outro fator é a estimativa é de uma safra um pouco menor neste ano, já que o solo ainda se recupera da estiagem que afetou a produção brasileira no Brasil, maior produtor mundial do grão, e estimulou o aumento de preços.

— Espero altas de 7,60% em janeiro, 5,21% em fevereiro e 5,46% em março. O consumidor vai ficar sentindo esse aumento no primeiro trimestre, diria que o segundo trimestre inteiro também. Depois disso, o aumento pode ser em torno de 3% e chamará menos atenção — explica Gabriel Pestana, analista econômico da Genial Investimentos.

Leonardo Costa, economista da financeira ASA, espera uma alta de 25% para o café neste ano, com um impacto maior sobre os preços no primeiro e segundo trimestres. Ele lembra que o tipo arábica tem um ciclo bianual de produção, por isso, as safras alternam entre uma colheita maior e outra menor.

Carne será ‘vilã’
O segundo maior “vilão” deverá ser as carnes, especialmente a bovina. Costa, do ASA, lembra que o consumidor ainda colhe os efeitos do choque de preços ocorrido no ano passado, quando a arroba do boi disparou e ainda não retornou a patamares mais confortáveis. A expectativa do economista é de uma alta de 14% da proteína ao consumidor em 2025.

Já Pestana, da Genial, projeta um aumento médio de 10% das carnes este ano. Embora o preço da proteína possa arrefecer em fevereiro, com a arroba do boi gordo em queda — um reflexo da dificuldade dos frigoríficos para escoar a produção no mercado interno, segundo o setor —, essa redução deve ser apenas um recuo temporário, como um mecanismo de equilíbrio de mercado.

A virada do ciclo do boi, com processo de retenção de fêmeas, não elimina por completo a tendência de preços elevados, explica:

— A condição de oferta de carne vai ficar ruim porque tem que esperar o bezerro maturar pra abater. O estoque está menor — afirma Pestana.

Entenda: o que pode mudar no vale-refeição para conter a alta de alimentos
Outro grupo que pode ter altas expressivas é o de alimentos in natura — como hortaliças, frutas e legumes como batata, tomate e cenoura — que devem subir, segundo Costa, cerca de 10,5% no ano, embora o segmento seja historicamente volátil, podendo aumentar muito em um mês e cair muito no outro, e não tenha um peso expressivo na cesta.

Costa aponta que o aumento do custo de produção no campo é um dos principais fatores para a alta, impulsionado pela desvalorização do real e pelo encarecimento de insumos agrícolas no mercado internacional:

— No ano passado, esse grupo chegou a registrar deflação, mas a expectativa para 2025 é de alta. O tomate pode subir 15% no ano. Temos notícias piores para safras no Sul, mas os modelos climáticos indicam um caminho de transição para a neutralidade.

A cenoura, por exemplo, já apresenta tendência de alta no início do ano, podendo acumular avanço de 60%, segundo os dados analisados pela Genial Investimentos. Mas Pestana lembra que estes são itens que pesam pouco e sofrem influência da sazonalidade, com picos de preços durante o início do ano e devolução nos meses seguintes.

Já os preços de frangos e ovos podem ou não registrar alta neste ano. As projeções divergem: enquanto alguns analistas preveem deflação nos ovos, outros esperam reajustes para cima. No fim das contas, o comportamento dos preços tende a ser influenciado pela variação nas carnes, já que ambos costumam ser substitutos diretos da proteína bovina.

Itens como arroz, óleo de soja e feijão também geram mais discordância entre os economistas, que ainda aguardam sinais mais claros das próximas safras. Estes produtos têm ligação com o câmbio e com as expectativas de inflação, que podem levar vendedores a antecipar reajustes de preços.

Fonte: OGLOBO

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BrasilEconomia

Compras internacionais recuam em 2024, mas arrecadação sobe 40% com novo imposto e bate recorde

por Redação 29 de janeiro de 2025

A Secretaria da Receita Federal informou nesta quarta-feira (29) que o número de encomendas internacionais feitas pelos brasileiros caiu 11% em 2024 na comparação com 2023.

Foram 187,12 milhões de mercadorias compradas no exterior em 2024, contra 209,58 milhões no ano anterior.

Apesar da queda no número das remessas internacionais, a arrecadação do imposto de importação cresceu 40,7% em relação a 2023.

O governo recolheu R$ 2,8 bilhões, um recorde histórico. Em 2023, a arrecadação havia somado R$ 1,98 bilhão.

Quando anunciou a taxação de 20% das remessas internacionais, em agosto do último ano, o Fisco projetou um incremento de R$ 700 milhões em arrecadação em 2024.

Com a disparada de 27% do dólar no ano passado, também subiu o valor das importações por meio das remessas internacionais, atingindo R$ 16,6 bilhões. Em 2023, haviam somado R$ 6,4 bilhões.

Remessa Conforme
O Remessa Conforme é o programa criado pelo governo em 2023 para regularizar a importação de mercadorias. O imposto que incide sobre essas compras ficou conhecido popularmente como a “taxa da blusinha”.

No começo, compras até US$ 50 dólares eram isentas do imposto de importação, mas tinham que ser declaradas à Receita. Até então, o índice de mercadorias declaradas era considerado pequeno.
Ainda em 2023, no entanto, os estados instituíram um ICMS de 17% para essas compras.
Em agosto de 2024, o governo brasileiro, em conjunto com o Congresso Nacional, instituiu uma alíquota de 20% para as compras do exterior de até US$ 50.
Ao mesmo tempo, os estados elevaram sua tributação, por meio do ICMS, também para 20%, com validade a partir de abril.
Segundo cálculos dos varejistas, a partir de abril deste ano, quando começar a vigorar a nova alíquota do ICMS sobre encomendas de até US$ 50, a taxação subirá para 50%. Importadoras reclamaram, mas o varejo nacional defende a medida.
No fim do ano passado, a Shein calculou que os consumidores já pagam atualmente no Brasil uma carga tributária combinada de 44,5% em compras internacionais de até US$ 50, tributação que subirá para 50% em abril de 2025 com a alta do ICMS estadual.

“Essa decisão impacta desproporcionalmente as populações mais vulneráveis do Brasil, que dependem de produtos internacionais acessíveis para suprir suas necessidades”, acrescentou a Shein, em dezembro de 2024.

A empresa avaliou, na ocasião, que essa medida ocorre em um “cenário em que os consumidores brasileiros já enfrentam a maior carga tributária do mundo para compras feitas em plataformas estrangeiras, dificultando ainda mais o acesso a produtos acessíveis”.

A Shein disse ainda compreender a importância do controle das contas públicas para governos estaduais, mas acredita que essa decisão transfere de forma injusta o ônus tributário para os consumidores, especialmente para as classes de renda mais baixa (C, D e E), que representam aproximadamente 88% dos 50 milhões de consumidores da companhia no Brasil.

A AliExpress, por sua vez, também demonstrou, no fim do ano passado, preocupação com a decisão de aumento do ICMS sobre produtos importados.

Posição dos varejistas nacionais
O presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), Jorge Gonçalves Filho, afirmou, também no fim do ano passado, que a carga tributária a que são submetidos os produtos nacionais é muito maior, chegando a 90%.

Ele argumentou que o aumento do ICMS a partir de abril deste ano, “não deverá ter impacto significativo nas importações cross-border”. “Porém é importante salientar que é mais uma passo em direção à isonomia tributária”, concluiu Gonçalves Filho.

Entre os associados do IDV, estão: Americanas, Assaí, C&A, Carrefour, Centauro, Dafiti, Grupo Pão de Açúcar, Casas Bahia, Leroy Merlin, Lojas Renner, Magalu, Marisa, Pernambucanas, Petlove, Polishop, Riachuelo, Tok&Stok, Veste, Via Veneto – Brooksfield, Vivara e Zara.

Fonte: G1

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Economia

Inflação x vida real: por que os preços do dia a dia podem subir muito mais do que o IPCA

por Redação 13 de janeiro de 2025

Basta uma ida ao supermercado para os consumidores brasileiros percam a paciência. A sensação é de que os preços estão descolados da realidade medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país.

O resultado final do indicador em 2024 mostra que os preços subiram 4,83% no ano, mas o número é uma média e tem muitas nuances.

O desânimo no supermercado se explica porque o grupo que puxou o indicador foi Alimentação e bebidas (7,69%). Itens como carne, café e leite subiram muito a mais que essa média, o que ajuda a piorar a percepção dos consumidores (veja os detalhes aqui).

E especialistas ouvidos pelo g1 confirmam o movimento: a alta dos alimentos tem sido o principal motivo do mau humor de quem vai às compras.

Entenda por que os preços parecem piores do que o IPCA indica.

A ampla cobertura do IPCA — e a renda dos brasileiros
A confusão entre ‘deflação’ e ‘desaceleração’ da inflação
A expectativa do consumidor (maior do que a do mercado)

A ampla cobertura do IPCA — e a renda dos brasileiros
Considerado o índice oficial de inflação do Brasil, o IPCA monitora os preços de uma grande cesta de serviços e produtos comercializados no varejo. São 377 subitens medidos, mês a mês.

Além disso, o indicador tem uma cobertura ampla: abrange 90% das famílias que vivem em áreas urbanas do país com renda entre 1 e 40 salários mínimos.

Essa discrepância ajuda a explicar os reflexos dos preços de determinados produtos no bolso de cada família. Para quem ganha até um salário mínimo, por exemplo, a forte alta dos alimentos gera um impacto muito maior no bolso do que para quem ganha até 40 salários.

O economista André Braz, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), lembra que o Brasil é um país essencialmente constituído por famílias de classe média-baixa. A maioria delas, então, tem uma cesta de consumo muito restrita.

“Então, uma família que tem a renda baixa e concentra o gasto em comida percebe uma inflação de quase 8%, e não de quase 5%”, pontua Braz. Ele explica que essa diferença pode ajudar a justificar a sensação de que os preços estão mais altos do que o observado pelo índice.

“O IPCA é uma cesta muito diversificada. Tem de tudo ali. O índice prevê famílias consomem passagem aérea, carro zero, gasolina, o que não é a realidade de uma família de baixa renda. Isso às vezes confunde”, diz.

O economista Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro, lembra que também há diferenças regionais, que implicam em percepções diferentes sobre os preços a depender da cidade ou do estado.

Serigati reforça ainda que o peso dos alimentos na percepção de inflação é maior pelo fato de serem itens básicos e perecíveis. São diferentes dos televisores, por exemplo, que são monitorados pelo índice, mas de consumo muito mais pontual.

A confusão entre ‘deflação’ e ‘desaceleração’ da inflação
Há ainda outra complicação no entendimento quando o assunto é inflação: os conceitos de deflação e desaceleração (que é apenas uma inflação menor).

A deflação ocorre quando os preços, de fato, caem no supermercado, puxando o IPCA para o campo negativo. Enquanto isso, a desaceleração (ou inflação mais baixa) não significa necessariamente o recuo dos preços: ela indica que eles subiram menos.

“As pessoas podem dizer: ‘O café está caro! E a projeção é de inflação menor do item no próximo ano’. Então, ele vai voltar a ficar acessível? Não. Ou seja, ele vai até ficar mais caro, mas o aumento vai ser menor”, exemplifica o especialista.

Em outras palavras: inflação é a elevação do nível médio de preços da economia. Ou seja, uma inflação menor não significa que os preços caíram.

Entre as altas de preços mais importantes para os brasileiros está a carne, destaca Serigati, que subiu 20,8% em 2024 — o maior avanço em 5 anos. “Esse efeito não é transitório. Nós vamos passar 2025 com o churrasco mais caro”, diz.

A expectativa do consumidor (maior do que a do mercado)
Com base em sua Sondagem do Consumidor, o FGV Ibre publica mensalmente um indicador que mede a perspectiva dos brasileiros em relação à inflação do país. Eles respondem, basicamente, qual taxa acumulada imaginam para daqui a 12 meses.

E a sondagem confirma o pessimismo: é muito comum que os entrevistados esperem por uma inflação mais alta do que a registrada de fato pelo índice oficial de preços, o IPCA. E não só: a expectativa mediana dos brasileiros é tradicionalmente superior à do mercado financeiro.

Todas as semanas, o Banco Central (BC) publica o boletim Focus, um relatório que contém estimativas de indicadores econômicos a partir de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Veja abaixo a diferença entre as projeções dos consumidores, do mercado financeiro e o IPCA oficial.

Segundo a especialista, o pessimismo acontece porque o consumidor vive mais de perto a inflação. “Ele consegue ver o aumento dos preços de maneira diferente do mercado, que está sempre modelando suas previsões.”

Anna Gouveia também destaca a “memória recente” como outro fator de peso sobre a percepção dos brasileiros. Há três anos, no auge da pandemia de Covid-19, o país registrou uma inflação de dois dígitos, que fechou a 10,06% em 2021.

Fonte: G1

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Economia

Abono salarial, CadÚnico, seguro-desemprego: veja o que muda com o salário mínimo de R$ 1.518

por Redação 3 de janeiro de 2025

O novo salário mínimo subiu de R$ 1.412 em 2024 para R$ 1.518 em 2025, uma alta de 7,5%. A mudança, que passou a valer em 1º de janeiro, impacta uma série de benefícios e serviços que usam o piso nacional como referência.

Entre os benefícios que terão mudanças nos valores, estão:

abono salarial PIS/Pasep;
benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS);
Benefício de Prestação Continuada (BPC);
seguro desemprego;
os valores que permitem a inscrição no Cadastro Único;
seguro-defeso;
os montantes pagos no trabalho intermitente;
o teto permitido para ajuizar ações;
contribuições mensais dos Microempreendedores Individuais (MEIs).
Entenda abaixo os principais reflexos do aumento do salário mínimo.

Abono salarial PIS/Pasep
O abono salarial PIS/Pasep é um benefício anual pago aos trabalhadores do setor público e privado que recebem, em média, até dois salários mínimos mensais com carteira assinada.

Com o aumento do salário mínimo, o valor do abono salarial passará a variar de R$ 126,50 a R$ 1.518,00, de acordo com a quantidade de meses trabalhados. Só receberá o valor máximo quem trabalhou os 12 meses do ano.

O cronograma do PIS/Pasep de 2025 já foi divulgado, com pagamentos a partir de 17 de fevereiro para os nascidos em janeiro. Os valores estarão disponíveis para saque até o encerramento do calendário, em 29 de dezembro de 2025.

Ao todo, serão disponibilizados R$ 30,7 bilhões para pagamento do benefício a cerca de 25,8 milhões de trabalhadores, segundo o Ministério do Trabalho.

Tanto os trabalhadores da iniciativa privada quanto os servidores públicos vão receber de acordo com o mês de nascimento de cada beneficiário.

Benefícios do INSS
Os benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também devem ser reajustados com o novo salário mínimo.

Atualmente, o INSS paga mais de 40,6 milhões de benefícios por mês no país. Desse total, 34,3 milhões são benefícios previdenciários e outros 6,3 milhões são assistenciais. Os números, segundo o instituto, fazem parte da folha de pagamento de outubro.

Ainda conforme o levantamento, 28,2 milhões de pessoas recebem até um salário mínimo, enquanto 12,3 milhões ganham acima do piso nacional.

O chamado piso previdenciário, que é igual ao salário mínimo nacional, vale para aposentadorias (incluindo aeronautas), auxílio-doença e pensão por morte.

Benefício de Prestação Continuada (BPC)
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de extrema pobreza.

O benefício paga mensalmente um salário mínimo para idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem não ter meios próprios de se sustentar nem auxílio da família.

O valor do benefício passará a ser R$ 1.518 com o novo salário mínimo. O valor ajustado começará a ser pago no início de fevereiro, já que o reajuste é válido para os salários ou benefícios referentes a janeiro.

Para ter direito ao BPC, é preciso que a renda per capita seja entre ¼ de salário mínimo e meio salário mínimo. Com o reajuste, os valores passarão a ficar entre R$ 379,50 e R$ 759.

Além da mudança nos valores, passaram a valer neste ano regras mais rígidas para acesso ao BPC. O recebimento do benefício está condicionado, entre outras exigências, ao cadastramento biométrico e à atualização cadastral a cada dois anos. Veja o que muda no benefício em 2025.

Seguro-desemprego
O valor do seguro-desemprego, recebido pelo trabalhador com carteira assinada demitido sem justa causa, depende da média salarial dos últimos três meses anteriores à demissão. No entanto, o valor da parcela não pode ser inferior ao salário mínimo vigente, que passou a ser de R$ 1.518.

Trabalho intermitente
Os trabalhadores intermitentes também têm como base o salário mínimo. Essa modalidade de trabalho ocorre esporadicamente, em dias alternados ou por algumas horas, e é remunerado por período trabalhado, ou seja, de forma proporcional.

O trabalhador receberá o chamado salário-hora, que não poderá ser inferior ao salário mínimo ou ao dos profissionais que exerçam a mesma função na empresa.

Com o aumento para R$ 1.518, os valores de referência diário e por hora para as remunerações vinculadas ao salário mínimo devem ser de R$ 55,20 e de R$ 6,90, respectivamente.

Cadastro Único
O governo federal, os estados e os municípios utilizam o Cadastro Único (CadÚnico) para identificar potenciais beneficiários de programas sociais como Bolsa Família, Tarifa Social de Energia Elétrica, BPC e vale-gás.

Com a alta no salário mínimo, os valores que permitem a inscrição no CadÚnico também devem subir para:

renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa (R$ 759);
renda mensal familiar total de até três salários mínimos (R$ 4.554);
renda maior que três salários mínimos (R$ 4.554), desde que o cadastramento esteja vinculado à inclusão em programas sociais nas três esferas do governo.
Seguro-defeso
O seguro-defeso é um benefício de um salário mínimo pago para os pescadores que exercem atividade exclusiva e de forma artesanal. O valor é concedido nos períodos em que a pesca é proibida para permitir a reprodução da espécie.

Contribuição dos MEIs
As contribuições mensais dos microempreendedores individuais (MEIs) também devem ser reajustadas. Com isso, o valor referente ao INSS do Documento de Arrecadação Simplificada do MEI (DAS-MEI) deverá ser de R$ 75,90, o que corresponde a 5% do salário mínimo.

O imposto mensal pago pelos MEI é atrelado ao salário mínimo, por isso, o reajuste ocorre todos os anos.

Os MEIs que exercem atividades ligadas ao comércio e indústria pagam R$ 1 a mais referente ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Já os ligados a Serviços pagam R$ 5 a mais, referentes ao ISS (Imposto sobre Serviços).

Ações nos juizados
O reajuste do salário mínimo ainda afeta o teto permitido para se ajuizar uma ação sem precisar de advogado. No Juizado Especial Federal, por exemplo, pode entrar com ação, sem defensor, quem tem valor a receber de até 60 salários mínimos. Assim, o limite passa a ser de R$ 91.080.

No Juizado Especial Cível, o valor das ações também é calculado com base no salário mínimo. Quem quiser entrar com ação que envolva até R$ 30.360 (ou 20 salários mínimos), sem advogado, estará liberado.

O novo salário mínimo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em 27 de dezembro as novas regras de reajuste para o salário mínimo. As mudanças constam no pacote de corte de gastos do governo federal, que foi anunciado no fim de novembro e tem o objetivo de equilibrar as contas públicas.

As novas regras determinam que, entre 2025 e 2030, o aumento real do salário mínimo ficará limitado a 2,5%. Ou seja, poderá subir até, no máximo, esse percentual além da inflação.

Com essa nova trava, o piso nacional subiu de R$ 1.412 para R$ 1.518, uma alta de 7,50%.

O reajuste corresponde à soma de dois índices:

a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses até novembro – como prevê a Constituição;
o índice de crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores.
Se fosse mantido o critério anterior, sem o teto de 2,5%, o salário mínimo em 2025 subiria para R$ 1.528 (considerando o INPC de 4,84% e os 3,2% referentes à variação do PIB de dois anos antes).

Ou seja, com a nova trava, o reajuste do mínimo foi reduzido em cerca de R$ 10 neste ano. Entenda.

A regra de gastos do governo permite que as despesas cresçam, acima da inflação, entre 0,6% e 2,5%. O reajuste real do salário mínimo segue, então, a mesma regra: não pode ser inferior a 0,6% nem superior a 2,5%.

Fonte: G1

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BrasilEconomia

Carne sem imposto: entenda se a reforma tributária poderá baratear o churrasco

por Redação 19 de dezembro de 2024

O Congresso aprovou nesta semana a primeira parte da regulamentação da reforma tributária e um dos destaques é que as carnes de boi, frango, porcos e bodes e cabras terão alíquota zero dentro da cesta básica nacional.

O texto ainda precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pode vetar trechos da proposta. Lula, no entanto, já tinha se manifestado a favor da inclusão das carnes na cesta básica, ainda que a equipe econômica do governo não concordasse (saiba mais ao fim da reportagem).

? Nada muda agora: a reforma tributária só vai ser totalmente implementada em 2033, depois de uma transição gradual que vai começar em 2026.

Até por isso, economistas e tributaristas entrevistados pelo g1 entendem que não dá para afirmar que a carne vai ficar mais barata apenas por ser parte da cesta básica na reforma.

Afinal, o preço da proteína não é decidido só por impostos: também pesam outros fatores, como o dólar, se existe mais ou menos oferta de carne no mercado e também a renda do consumidor. Até os eventos climáticos, como a seca, têm feito o alimento encarecer. Entenda mais abaixo.

Como é hoje
Atualmente, as carnes já são isentas de impostos federais, como o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é um tributo estadual, e do Imposto Sobre Serviços (ISS), municipal, pode variar de acordo com a localidade.

Com a reforma tributária, todos esses impostos serão unificados. Para Cristiano Correa, professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-SP), o objetivo não é baratear os produtos, mas tornar uma tributação complexa em algo simples.

A tendência geral é que o imposto zerado para carnes se reflita preço final e, consequentemente, beneficie o consumidor, diz Victoria Rypl, da Andersen Ballão Advocacia e especialista em direito tributário.

Mas os empresários não são obrigados a repassar a isenção do imposto porque o tributo é um custo, assim como os materiais comprados para fazer o produto, o transporte, etc, complementa a advogada e professora de direito tributário na FGV-Rio Bianca Xavier.

“Ele pode passar a redução do custo tarifário para o consumidor e diminuir o preço final do produto ou pode manter o preço e aumentar o seu lucro, já que seu custo foi menor”, explica.

Ainda que haja repasse, em localidades onde o imposto é menor atualmente, essa isenção não deverá causar tanto impacto no preço final, avalia Cícero Zanetti, doutor em economia aplicada e pesquisador do FGV Agro.

Rypl entende que pode existir impacto maior no estado de São Paulo, onde a tributação é mais alta.

O que mais impacta no preço
Para os entrevistados, o imposto pesa menos do que outros fatores no preço da carne. E é difícil prever os cenários para quando a reforma estará totalmente implementada, em 2033.

A carne vem sofrendo seguidas altas atualmente. Em novembro, o preço subiu pelo terceiro mês consecutivo, acumulando uma inflação de 15,43% nos últimos 12 meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

“Hoje, o que faz o preço da carne ter esse preço é uma série de outros fatores”, diz Correa, do Ibmec-SP.

Os principais fatores que levaram ao encarecimento foram uma oferta menor do produto frente a uma demanda maior da população, além das secas e queimadas, que prejudicaram os pastos.

A menor oferta pode ser explicada por dois fatores principais.

?Efeito dólar

O dólar alto faz com que o mercado externo se torne mais atraente para os produtores, pontua Correa. “É uma matemática muito simples: o exportador vai preferir vender para quem vai pagar mais”.

?Ciclo de abates

Existem períodos em que se abate mais ou menos gado. Esse ciclo é formado, basicamente, por duas fases:

alta do ciclo – quando há uma expectativa de aumento nos preços do bezerro, os pecuaristas, em vez de abater as vacas, as mantêm nas fazendas para reprodução, movimento que provoca um aumento nas cotações dos bovinos (boi gordo, bezerro, novilhas, boi magro, vaca gorda, etc.). É o que acontece atualmente;
baixa do ciclo – quando as projeções do preço do bezerro começam a cair, um volume maior de fêmeas é encaminhado para os abates. Isso amplia a quantidade de carne no mercado, gerando uma queda nas cotações dos bovinos.
Apesar de o imposto zerado não significar que a carne vai ficar mais barata do que é hoje, ela pode se tornar mais em conta na comparação com outros produtos no supermercado, explica Zanetti, do FGV Agro.

Isso porque alimentos que estarão fora da cesta básica e da lista de redução de 60% do imposto (caso do camarão, por exemplo) vão ser taxados 26,5%.

Correa, do Ibmec, acredita que, mesmo se a carne ficar um pouco mais barata com a isenção, a elevação dos preços de outros alimentos deve deixar o sistema equilibrado. Assim, o poder de compra do consumidor deve ser manter similar ao que é hoje.

“A grande questão é que, se as carnes não tivessem ficado isentas, se não tivessem entrado na cesta básica, nós poderíamos ter um aumento dos preços”, avalia Fernando Henrique Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado.

Até meados deste ano, a proposta da reforma tributária previa uma alíquota reduzida, de 10,6%, no imposto sobre as carnes. Mas, em julho, a Câmara dos Deputados incluiu a isenção das proteínas.

Segundo cálculos da consultoria, se as carnes fossem tributadas como no projeto original, poderia haver um aumento de 9% a 10% no preço do produto para o consumidor.

O impasse da carne na cesta básica
A carne foi um dos principais pontos de impasse na discussão da reforma pelo Congresso ao longo dos últimos meses.

Inicialmente, o grupo de trabalho que relatou a regulamentação não incluiu a proteína animal na cesta básica. O Ministério da Fazenda era contra a entrada, alegando que isso teria um impacto alto nas contas públicas e na alíquota do imposto unificado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, defendeu a isenção. “Sou daqueles que vou ficar feliz se eu puder comprar carne sem imposto, prometi na campanha que o povo ia voltar a comer picanha e tomar cerveja”, disse Lula, em julho, pouco antes da votação da proposta.

O PL, maior partido da oposição, pediu que esse item fosse votado separadamente no plenário da Câmara. Diante de uma iminente derrota, o governo cedeu e acatou a inclusão do item na cesta.

Fonte: G1

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BrasilEconomia

Haddad indica novas medidas de cortes e não descarta ‘ataque especulativo’, mas acredita em ‘acomodação’ do dólar

por Redação 18 de dezembro de 2024

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou nesta quarta-feira (18) que a equipe econômica pode adotar, no futuro, novas medidas de cortes de gastos.

As declarações foram dadas durante entrevista na portaria do Ministério da Fazenda. Ele tem almoço agendado com o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, para tratar da tramitação do pacote de cortes de gastos.

Diante da disparada do dólar e dos juros futuros, que servem de base para as taxas bancárias, ele não descartou a possibilidade de estar ocorrendo um ataque especulativo à economia brasileira.

O Banco Central efetuou, nos últimos dias, intervenções no câmbio, por meio da venda de moeda norte-americana no mercado à vista e, também, dos chamados leilões de linha (venda com compromisso de recompra, como se fosse um empréstimo).

Mesmo assim, o dólar tem operado pressionado, enquanto analistas aguardam o andamento do pacote de cortes de gastos no Congresso Nacional. Nesta quarta-feira, chegou a R$ 6,17 por volta das 11h, e a R$ 6,15 às 12h15. Veja mais cotações.

Por fim, o ministro lembrou que a economia brasileira atua com o chamado câmbio flutuante, com o dólar oscilando, para cima e para baixo, de acordo com os movimentos do mercado — e eventuais intervenções por parte do Banco Central, que, em tese, servem para corrigir distorções e problemas de falta de liquidez.

Ele disse acreditar que, em um momento de pendência do pacote fiscal, sob análise do Legislativo, a moeda norte-americana terá oscilações.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (17) uma proposta que proíbe a ampliação de benefícios fiscais em caso de resultado negativo nas contas públicas.

Esse projeto é o primeiro do pacote de corte de gastos enviado pelo governo ao Congresso na tentativa de conter as despesas públicas.

Com a íntegra das medidas — divididas em quatro propostas legislativas —, a área econômica projeta economizar R$ 327 bilhões até 2030.

Entre as propostas, estão a limitação do ritmo de crescimento do salário mínimo, cortes de verbas para Educação, mudanças no abono salarial e alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria dos militares.

Fonte: G1

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Economia

Carne mais cara: entenda por que o preço subiu pelo terceiro mês consecutivo

por Redação 10 de dezembro de 2024

O preço das carnes ficou mais caro pelo terceiro mês seguido em novembro. No acumulado dos 12 meses, a alta foi de 15,43%, aponta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A inflação da proteína bovina ficou em queda por um ano e meio, mas voltou a aumentar em setembro de 2024.

Entre os cortes bovinos, o patinho foi o que mais encareceu no acumulado dos 12 meses, com a inflação de 19,63%. Ele é seguido do acém (18,33%), do peito (17%) e do lagarto comum (16,91%).

A única peça que ficou mais barata foi o fígado, com queda de 3,61%, aponta o índice.

Considerando a variação mensal, as carnes tiveram uma alta de 8,02%. É a maior elevação do item na categoria desde dezembro/2019, quando atingiu 18,06%.

Quatro fatores ajudam a explicar a alta de preços, segundo economistas consultados pelo g1:

Ciclo pecuário: após dois anos de muitos abates, a oferta de bois vai começar a diminuir no campo;
Clima: seca e queimadas prejudicaram a formação de pastos, principal alimento do boi;
Exportações: Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e vem batendo recordes de vendas.
Renda: queda do desemprego e valorização do salário mínimo estimularam compras de carnes.
Segundo os economistas, esses fatores também indicam que o preço não deverá baixar em 2025, e a alta pode se estender até 2026.

O IPCA foi divulgado dias depois do acordo comercial firmado entre a União Europeia e o Mercosul, na última sexta-feira (6). A carne está entre os produtos que terão imposto reduzido nas vendas para o bloco europeu.

Apesar do anúncio, não existe uma previsão de quando a medida entrará em prática. O novo texto ainda deve passar por revisão, tradução, assinatura e ratificação antes de entrar em vigor. Entenda aqui o que está em jogo para o agro brasileiro com o acordo.

? Altas e baixas do ciclo pecuário
A oferta de bovinos começou a ficar mais restrita no campo e um dos motivos que explica isso são os ciclos da pecuária, explica Felippe Serigati, coordenador do mestrado profissional em Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em resumo, eles funcionam assim:

alta do ciclo: quando há uma expectativa de alta nos preços do bezerro, os pecuaristas, em vez de abater as vacas, as mantêm nas fazendas para reprodução, movimento que provoca um aumento nas cotações dos bovinos (boi gordo, bezerro, novilhas, boi magro, vaca gorda, etc.);
baixa do ciclo: quando as projeções do preço do bezerro começam a cair, um volume maior de fêmeas é encaminhado para os abates. Isso amplia a quantidade de carne no mercado, gerando uma queda nas cotações dos bovinos.
A redução do valor das carnes no último um ano e meio correspondeu, justamente, a um período de grande volume de abates de bois e vacas no Brasil. No terceiro trimestre deste ano, inclusive, os abates ultrapassaram, pela primeira vez, 10 milhões de cabeças, segundo uma série histórica do IBGE iniciada em 1997.

No momento, o ciclo está na fase oposta. Muitas fêmeas foram abatidas, há um menor número de nascimentos e menos animais disponíveis, o que também eleva o preço do bezerro.

“Há, portanto, uma perspectiva de diminuição da produção de carne lá na frente. Então, em 2025, a gente deve ver os preços da carne bovina mais pressionados [ou seja, mais altos]”, prevê Serigati.

Thiago Bernardino de Carvalho, responsável pela área de pecuária no Cepea/USP, acrescenta que a alta nos preços ao consumidor tende a se estender por 2026. Isso porque leva tempo até que um bezerro se torne um boi gordo, ou seja, que fique pronto para ser abatido.

“Os bezerros vão começar a nascer no ano que vem, vão desmamar em 2026, e se tornarem boi gordo lá em 2027, 2028”, explica Carvalho.

Secas, queimadas e menos confinamento
A maior seca da história recente do Brasil e as queimadas também ajudam a explicar a alta de preços agora no final do ano: elas prejudicaram a produção de pasto, que é o principal alimento do gado no país.

Nesses momentos, é comum que o pecuarista confine o seu gado para engordá-los com ração, o que acaba saindo mais caro. Como os preços do boi gordo ficaram em baixa boa parte deste ano, os produtores decidiram não fazer investimento, diz Carvalho.

Exportações em alta
Enquanto a produção caminha para um momento de baixa, a demanda externa por carne está aquecida. E o Brasil, como maior exportador global da proteína, vem batendo recordes de exportação.

Exemplo disso é que, em outubro, as vendas nacionais da proteína alcançaram 301.166 toneladas, o maior volume embarcado para o mês, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que tem uma série histórica das vendas desde 1997.

“Por que nós estamos exportando volumes recordes? Porque outros fornecedores de carne bovina não estão conseguindo atender a demanda externa. A Austrália está recompondo o seu rebanho bovino. Os Estados Unidos estão no seu menor rebanho desde 1950. A Argentina está voltando agora para o mercado”, comenta Serigati.

? Renda maior e festas
No Brasil, as compras de carnes também estão aquecidas e isso contribui para manter os preços da proteína em alta.

“Houve ainda uma política de valorização do salário mínimo, e reajustes de uma série de benefícios sociais, como a Previdência, BPC [Benefício de Prestação Continuada], Bolsa Família, seguro-desemprego. Isso é mais renda chegando”, acrescenta o professor da FGV.

“E o bifão é a preferência nacional. Se [o brasileiro] tiver dinheiro no bolso, ele vai preferir consumir carne bovina”, diz Serigati.

O pagamento do 13º salário e de bonificações neste final do ano, somada à chegada das festas da época, deve manter a demanda aquecida, conclui o economista Allan Maia, da Safras & Mercados.

Fonte: G1

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Economia

Analistas apontam os sinais de que a economia brasileira está a pleno vapor: inflação é a ameaça

por Redação 4 de dezembro de 2024

O bom ritmo de crescimento no terceiro trimestre — com expansão de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) — reforçou para analistas os sinais de que a economia brasileira está a todo vapor, com pleno emprego e sem capacidade ociosa, o que favorece os repasses de preços e amplia os riscos de elevar a inflação.

Mesmo com alguma desaceleração em novembro, os Índices de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês), indicador de atividade calculado mundo afora pela S&P, sugerem que o ritmo pode se manter neste quarto trimestre.

— Os dados de novembro revelaram uma expansão mais moderada no setor industrial brasileiro. No entanto, a taxa de crescimento permaneceu elevada em relação à média histórica, indicando um desempenho robusto — afirmou Pollyanna de Lima, diretora associada econômica da S&P, responsável pelos PMIs do Brasil.

Em novembro, o PMI da indústria do Brasil registrou 52,3, na zona de expansão (acima de 50 pontos), após ter ficado em 52,9 em outubro, informou a S&P na segunda-feira.

Apesar da ligeira queda, Pollyanna chamou a atenção para o fato de que o subíndice referente à “capacidade utilizada do setor manufatureiro”, um dos componentes do PMI, registrou 51,1 em novembro, “sinalizando que o setor opera acima de seu potencial, o que sugere uma utilização plena dos recursos disponíveis”.

— Esse cenário reflete uma demanda forte por produtos, impactando positivamente a produção e os investimentos, mas também pode gerar pressões inflacionárias — disse a diretora da S&P.

Além do bom desempenho da indústria manufatureira — no PIB, a indústria de transformação cresceu 1,3% em relação ao segundo trimestre — Pollyanna chamou a atenção para o desempenho positivo do setor de serviços, “evidenciando uma recuperação econômica abrangente”. Em outubro, o PMI de serviços do Brasil ficou em 56,2 pontos, acima dos 55,8 pontos de setembro.

— A utilização plena da capacidade no setor industrial e o crescimento vigoroso no setor de serviços são sinais positivos, mas também trazem desafios inflacionários que precisam ser geridos com cautela para assegurar um crescimento sustentável a longo prazo — concluiu Pollyanna

Fonte: OGLOBO

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Economia

Dólar opera em alta e passa de R$ 5,80, ainda com expectativa por corte de gastos; Ibovespa sobe

por Redação 11 de novembro de 2024

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (11), em mais um pregão em que o foco dos investidores são as contas públicas. O mercado aguarda, desde o fim das eleições municipais, o anúncio de um pacote de corte nos gastos que equilibre as contas do governo e possibilite o cumprimento do arcabouço fiscal.

A equipe econômica, porém, continua discutindo o pacote nesta semana. Especialistas explicam que, quanto mais tempo o governo demorar para anunciar o plano de corte de gastos, mais o mercado fica desconfiado e busca formas de proteger seus investimentos, o que valoriza o dólar em detrimento do real.

Enquanto aguarda o anúncio, o mercado repercute os resultados do setor público consolidado, divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta manhã. Em setembro, as contas apresentaram um déficit primário (quando os gastos ficam acima das receitas) de R$ 7,34 bilhões, mas a dívida pública recuou para 78,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além disso, O BC também divulgou a nova edição do Boletim Focus — relatório que traz as projeções de economistas do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do país. As expectativas para a inflação subiram pela sexta semana consecutiva e são de 4,62% para 2024, acima do teto da meta.

Dólar
Às 14h17, o dólar subia 0,49%, cotado a R$ 5,7653. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,8163. Veja mais cotações.

Na última sexta-feira (8), a moeda subiu 1,09%, cotada a R$ 5,7372. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,7903.

Com o resultado, acumulou:

queda de 2,26% na semana;
recuo de 0,76% no mês;
ganho de 18,23% no ano.

Ibovespa
No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,12%, aos 127.985 pontos.

Na sexta, o índice encerrou em baixa de 1,43%, aos 127.830 pontos, no menor nível desde 7 de agosto.

Com o resultado, acumulou:

queda de 0,23% na semana;
perdas de 1,45% no mês;
recuo de 4,74% no ano.

O que está mexendo com os mercados?
O governo passou toda a última semana reunido para discutir um plano para o controle das despesas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, inclusive sinalizou que tinha a previsão de anunciar as medidas ainda na semana passada.

No entanto, o pacote ainda não saiu e frustrou as expectativas do mercado financeiro. Segundo Haddad, o presidente Lula ainda quer apresentar as medidas aos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, porque o pacote contém medidas legislativas que precisam de apoio para aprovação.

O tema é importante para o mercado financeiro porque há uma percepção de que, sem os cortes, o governo não será capaz de honrar o arcabouço fiscal — que é o conjunto de regras que determina, entre outros pontos, quanto o país pode gastar.

Com o temor por um possível não cumprimento do arcabouço fiscal, o mercado passa a exigir um prêmio maior para emprestar dinheiro para o país (por meio dos títulos públicos). Isso faz com que a demanda por juros maiores cresça — justamente em um momento em que o BC já está elevando a Selic, taxa básica de juros.

Na última quarta-feira (6), o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 11,25% ao ano, e especialistas esperam novas altas pela frente, ainda mais com a inflação voltando a pressionar a economia.

Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,56% em outubro, puxado pelos preços da energia elétrica residencial e das carnes, principalmente.

Embora a mudança da bandeira tarifária de vermelha 2 para amarela em novembro possa trazer certo alívio para as contas de luz, o dólar caro pode continuar pressionando os preços dos alimentos e outros setores, que têm produtos e/ou matérias-primas importadas de outros países.

Neste sentido, o Boletim Focus prevê uma inflação acima do teto da meta do BC pelo terceiro ano consecutivo, a 4,62% em 2024. A meta ara este ano é de 3% e será considerada formalmente cumprida se estiver em um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

Para 2025, a estimativa de inflação subiu de 4,03% para 4,10% na última semana. A meta de inflação para o próximo ano também é de 3%, com o mesmo intervalo de limite inferior e superior.

Fonte: G1

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Economia

‘Cuidar da economia para sermos o menos afetados possível’, diz Haddad após vitória de Trump

por Redação 6 de novembro de 2024

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quarta-feira (6) que o discurso de Donald Trump após a vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos foi mais “moderado” do que o da campanha. Segundo Haddad, é preciso diferenciar o que foi dito e o que vai ser feito. O ministro avaliou, no entanto, que o dia amanheceu “mais tenso” com a vitória do republicano.

“Na campanha, foram ditas muitas coisas que causam apreensão no mundo inteiro, não só no Brasil, mas também na Europa, nos países emergentes”, disse em entrevista a jornalistas na chegada ao Ministério da Fazenda.

Na avaliação do ministro, é necessário esperar mais para analisar os impactos do resultado.

“O dia amanheceu mais tenso. Mas entre o que foi dito e o que vai ser feito, a gente sabe que as coisas muitas vezes não se traduz da maneira que foram anunciadas, e o discurso pós vitória não oficial já é um discurso mais moderado do que a campanha. Então nós temos que aguardar um pouquinho e cuidar da nossa casa, do Brasil, das finanças, da economia, para ser o menos afetados possível qualquer que seja o cenário externo.

Haddad comentou ainda o fato de os números indicarem que Trump também teve uma “vitória inequívoca” no Senado e na Câmara dos Deputados dos EUA.

“Vamos ver os desdobramentos do governo Trump a partir do ano que vem. Muito do que foi dito na campanha possivelmente vai ser moderado, vai ser mediado pela sociedade, apesar de a vitória ter sido inequívoca também no Parlamento, então ele vai ter muitos graus de liberdade. Mas a vida depois trata de corrigir algumas propostas mais exacerbadas, trata de moderar”, completou.

Fonte: r7

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