O Ministério do Trabalho e Emprego anunciou a antecipação da liberação de valores do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que estavam retidos de trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa. A medida foi publicada nesta terça-feira e deve beneficiar cerca de 14,1 milhões de pessoas em todo o país.
Segundo o governo federal, a iniciativa deve injetar aproximadamente R$ 7,8 bilhões na economia entre o fim de 2025 e o início de 2026. A nova regra autoriza o saque do saldo da conta vinculada ao contrato encerrado, mesmo para quem optou pelo saque-aniversário, modalidade criada em 2019.
A liberação já havia sido sinalizada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, no fim de novembro. Na ocasião, ele afirmou que levaria a proposta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva como forma de destravar recursos e estimular a economia, além de corrigir distorções que atingem trabalhadores demitidos.
O saque-aniversário permite retiradas anuais do FGTS no mês de nascimento do trabalhador, mas impede o saque integral do saldo em caso de demissão sem justa causa, garantindo apenas o acesso à multa rescisória de 40%. O governo Lula defende mudanças nesse modelo e afirma que a medida anunciada busca reduzir os impactos negativos dessas regras.
Em 2025, o Executivo já havia autorizado a liberação de cerca de R$ 12 bilhões do FGTS para 12,1 milhões de trabalhadores, com pagamentos realizados nos meses de março e junho.
Terão direito ao saque os trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e tiveram o contrato de trabalho extinto ou suspenso entre 1º de janeiro de 2020 e a entrada em vigor da nova norma, nas situações previstas na legislação do FGTS. A liberação não altera contratos de crédito já firmados com garantia do fundo, que permanecem válidos.
O pagamento será feito em duas etapas. Até 30 de dezembro de 2025, será liberado até R$ 1.800 por conta vinculada. Já até 12 de fevereiro de 2026, será pago o valor restante disponível. Na primeira fase, mais de 14 milhões de trabalhadores devem receber, com valor médio de R$ 273. A segunda etapa alcança cerca de 800 mil pessoas, com média próxima de R$ 4,7 mil por beneficiário.
Fonte: OGLOBO