Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, identificaram possíveis novos efeitos colaterais associados ao uso de medicamentos da classe dos análogos do GLP-1, como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro). A descoberta foi feita com o auxílio de inteligência artificial, que analisou mais de 400 mil postagens na rede social Reddit ao longo de mais de cinco anos.
Publicado na revista científica Nature Health, o estudo reuniu relatos de quase 70 mil usuários e destacou duas categorias de sintomas que ainda demandam investigação mais aprofundada: alterações reprodutivas, como ciclos menstruais irregulares, e queixas relacionadas à temperatura corporal, incluindo calafrios e ondas de calor. Segundo os autores, esses efeitos podem não estar totalmente documentados em ensaios clínicos ou registros regulatórios.
Os pesquisadores ressaltam que os dados não estabelecem relação causal. Ainda assim, apontam que os relatos espontâneos dos pacientes podem servir como sinal de alerta. Cerca de 44% dos usuários analisados mencionaram pelo menos um efeito colateral, sendo os problemas gastrointestinais os mais frequentes — o que reforça a consistência do método utilizado.
Entre os achados que chamaram atenção, quase 4% dos usuários relataram sintomas reprodutivos, percentual ainda maior quando considerada apenas a amostra feminina. Também foram identificadas queixas como fadiga — a segunda mais comum — além de sensações de frio, febre e ondas de calor, sintomas que nem sempre aparecem com destaque em estudos clínicos tradicionais.
Apesar das limitações da amostra — composta majoritariamente por usuários mais jovens, homens e residentes nos Estados Unidos —, os pesquisadores defendem que a análise de redes sociais pode complementar o monitoramento de medicamentos, especialmente os que se popularizam rapidamente. A expectativa é ampliar o estudo para outras plataformas e populações, buscando confirmar se os padrões se repetem globalmente e reforçar o uso da inteligência artificial como ferramenta de alerta precoce na área da saúde.
Fonte: OGLOBO