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Saúde

Saúde

Ansiedade já é a terceira causa que mais afasta o brasileiro do trabalho em 2024

por Redação 21 de outubro de 2024

A ansiedade já é a terceira causa que mais afasta o brasileiro do trabalho. Segundo levantamento do Ministério da Previdência Social, de outubro de 2023 a setembro de 2024, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) concedeu 128.905 benefícios por incapacidade, antigo auxílio-doença, por “outros transtornos ansiosos”. Essa denominação inclui, por exemplo, ansiedade generalizada e transtorno de pânico.

A doença ficou atrás apenas de dor nas costas (dorsalgia), com 185.843 requerimentos concedidos, e de outros transtornos de discos intervertebrais, com 150.066.

Em 2021, a ansiedade estava em 10º lugar no ranking, respondendo por 49.481 afastamentos. No ano seguinte subiu para oitavo, com 54.203. Em 2023, esse número chegou ao quinto lugar (80.516).

O levantamento considera somente aqueles afastamentos por mais de 15 dias e que, consequentemente, geraram um benefício ao segurado do INSS. O trabalhador pode ter a estabilidade de 12 meses no emprego, após alta médica, se a causa da doença estiver vinculada ao trabalho.

Os transtornos mentais estão cada vez mais ocupando as principais causas que afastam do trabalho. O chamado episódios depressivos foi responsável por 49.582 licenças médicas em 2021. No ano seguinte esse número subiu para 50.027. Em 2023 chegou a 67.966 e agora está atingiu 102.883 pedidos concedidos.

Também fazem parte do ranking o transtorno depressivo recorrente, distúrbio de saúde mental que se caracteriza por episódios depressivos repetidos, e transtorno afetivo bipolar (TAB), alteração mental que se caracteriza por mudanças extremas de humor.

“Chat GBT, plataformas e mercado de trabalho dominado por algorítimos fazem com que o ambiente de trabalho fique cada vez mais incerto, que o trabalhador se sinta inseguro, que cada vez mais as metas sejam abusivas. E tudo isso faz com que as pessoas adoeçam”, afirma Lariane R. Del Vechio, advogada especialista em acidente e doenças do trabalho.

Para ela, o aumento dos casos de transtornos mentais ocorre pela influência da nova estrutura do mercado de trabalho, por esse excesso de informação e de tecnologia e pela falta ao direito de desconexão e descanso.

O Brasil é o país com mais pessoas ansiosas no mundo, segundo a médica do trabalho e psiquiatra Leticia Maria Akel Mameri Trés, membro da Comissão de Saúde Mental e Trabalho da Anamat (Associação Nacional de Medicina do Trabalho).

Ela explica que isso se reflete nos ambientes corporativos. E entre os fatores que podem agravar o problema no trabalho estão:

  • Jornadas de trabalho longas e exaustivas
  • Metas agressivas
  • Falta de reconhecimento
  • Alta pressão no ambiente de trabalho
  • Ambientes não saudáveis
  • Comunicação ineficaz
  • Falta de apoio da parte de chefias e colegas
  • Assédio psicológico ou sexual

Já o advogado Washington Barbosa, CEO do WB Cursos, acredita que estamos vivendo uma epidemia de transtornos mentais no trabalho.

“Dados indicam que a grande doença do século é a depressão e as doenças psicológicas. Ansiedade está diretamente ligada a isso. Nós temos inclusive até agora burnout que tem crescido muito nas empresas e tido vários impactos, tanto na previdência como no direito do trabalho. É uma crise de saúde pública, eu até diria que é uma pandemia de problemas psicológicos, principalmente, na geração Z, dos anos 2000, que tem sofrido muito com isso”, afirma Barbosa, mestre em direito das relações sociais e trabalhistas.

O advogado defende que a previdência deveria ter um aspecto preventivo. “Não só conceder o benefício, mas, por exemplo, identificar uma situação dessa e, juntamente com o Ministério da Saúde, envolver campanhas, trabalhos e até tratamentos específicos para gerir seu risco. Isso reduziria os custos também”, avalia.

Segundo Barbosa, ainda há muito preconceito em relação a essas doenças, que são as mais difíceis para ter aprovação da perícia.

Rol de doenças
O rol de doenças que dão direito ao benefício por incapacidade temporária foi atualizado no fim do ano passado, quando o Ministério da Saúde incluiu na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT) os transtornos mentais.

Desde 1999, o Brasil tem uma lista com 182 doenças profissionais reconhecidas, que, desde 29 de dezembro de 2023, passou a contar com um total de 347 patologias, entre elas burnout, ansiedade, depressão e tentativa de suicídio. A Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho não era atualizada havia 24 anos. Veja a lista aqui.

Atualmente o pedido para o benefício de incapacidade temporária é feito por meio do Atestmed, ferramenta que permite a substituição da perícia médica presencial pela análise documental em casos de auxílios com duração de até 180 dias.

É necessário comprovar a incapacidade para o trabalho por meio da apresentação de atestado médico e documentos complementares.

A documentação médica (atestado, laudo ou relatório médico contendo CID da doença) deverá ser anexada no momento do requerimento do auxílio por incapacidade temporária – análise documental no aplicativo ou site Meu INSS. O pedido também pode ser feito pela Centra 135.

Como pedir o benefício

  • Entre no Meu INSS
  • Clique em “Pedir benefício por incapacidade”
  • Selecione o tipo de perícia e siga as orientações que aparecem na tela
  • Informe os dados necessários para concluir seu pedido


Documento precisa ter as seguintes informações

  • Nome completo do requerente;
  • Estar legível e sem rasuras;
  • Ter a data de emissão do documento médico, a qual não poderá ser superior a 90 dias da data de entrada do requerimento;
  • Conter a data de início do repouso e o prazo estimado necessário;
  • Conter informações sobre a doença ou Classificação Internacional de Doenças – CID;
  • Ter a assinatura do profissional emitente e carimbo de identificação, com registro do Conselho de Classe – Conselho Regional de Medicina (CRM), Conselho Regional de Odontologia (CRO) ou Registro do Ministério da Saúde (RMS) – que poderão ser eletrônico ou digital, desde que respeitados os parâmetros estabelecidos pela legislação vigente.


Fonte: INSS

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AnvisaSaúde

Anvisa discute novas imagens e mensagens de advertência em embalagens de cigarro

por Redação 18 de outubro de 2024

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute, nesta sexta-feira (18), as propostas de novas imagens e mensagens de advertências sanitárias para as embalagens de cigarro.

Ao todo, sete novas imagens serão apresentadas em uma audiência pública, que acontece a partir das 9h, na sede do órgão em Brasília. (veja abaixo as imagens propostas)

?A última norma de atualização foi publicada no fim de 2017. As empresas tiveram até dezembro de 2018 para se adequarem às novas regras.

De acordo com a Anvisa, a consulta aberta ao público tem como objetivo apresentar as novas mensagens que serão colocadas na parte posterior das embalagens de cigarro e nos expositores nos pontos de venda.

A audiência pública tem caráter consultivo e não deliberativo. Isto é, as informações colhidas no encontro serão consolidadas pela equipe técnica para orientar a elaboração de uma futura norma.

Ainda segundo a agência, como o processo ainda está em discussão, não há previsão para as novas etapas envolvendo a atualização ou para a apresentação para o formato final da proposta.

Novas imagens propostas
Segundo a Anvisa, a proposta de mudança “busca atualizar o layout e a distribuição dos elementos nas embalagens dos produtos fumígenos”.

Para chegar ao que será apresentado, a agência realizou um estudo de avaliação das atuais advertências e criou um grupo técnico para o desenvolvimento das novas advertências.

Uso de advertências sobre tabaco
A utilização de imagens de advertência nas embalagens de produtos derivados do tabaco está em vigor no Brasil desde 2001.

O país foi o segundo a exigir imagens nos avisos sanitários, após recomendação da Comissão Nacional para Controle do Tabaco a partir de uma discussão ocorrida na Assembleia Mundial da Saúde, em 2000.

Ao longo dos anos, as imagens e as frases de advertência foram sendo atualizadas para manter a efetividade dos alertas. Até o momento, foram realizadas quatro versões das advertências em 2001, 2003, 2008 e 2017.

⚠️No Brasil, o consumo do tabaco e a exposição passiva ainda são responsáveis por 156 mil mortes por ano. Eles também acarretam cerca de 50 enfermidades, entre elas o câncer, doenças do aparelho respiratório e doenças cardiovasculares.

Fonte: G1

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Saúde

Seis transplantados do RJ testam positivo para HIV após receberem órgão infectado: ‘Situação sem precedentes’, diz Secretaria

por Redação 11 de outubro de 2024

Seis pessoas que estavam na fila do transplante da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) receberam órgãos contaminados pelo HIV de 2 doadores e agora testaram positivo para o vírus. O incidente é inédito na história do serviço.

A notícia foi dada pela BandNews FM nesta sexta-feira (11). À TV Globo e ao g1, a SES-RJ confirmou as informações. O incidente também é investigado pelo Ministério da Saúde e pela Polícia Civil do RJ.

“Esta é uma situação sem precedentes. O serviço de transplantes no Estado do Rio de Janeiro sempre realizou um trabalho de excelência e, desde 2006, salvou as vidas de mais de 16 mil pessoas”, declarou a SES-RJ.

Segundo o governo do estado, o erro foi em 2 exames do PCS Lab Saleme. A unidade privada fica em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e foi contratada pela SES-RJ em dezembro do ano passado, em um processo de licitação emergencial no valor de R$ 11 milhões, para fazer a sorologia de órgãos doados.

A Coordenadoria Estadual de Transplantes e a Vigilância Sanitária Estadual interditaram o laboratório, e o caso é investigado pela Delegacia do Consumidor (Decon) da Polícia Civil. O Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) também abriu sindicância.

A Anvisa descobriu ainda que o PCS não tinha kits para realização dos exames de sangue nem apresentou documentos comprovando a compra dos itens, o que levantou a suspeita de que os testes podem não ter sido feitos e que os resultados tenham sido forjados.

O g1 tenta contato com o laboratório.

Transplante em janeiro
A situação foi descoberta no último dia 10 de setembro, quando um paciente transplantado foi ao hospital com sintomas neurológicos e teve o resultado para HIV positivo; ele não tinha o vírus antes.

Esse paciente recebeu um coração no fim de janeiro. A partir daí, as autoridades refizeram todo o processo e chegaram a 2 exames feitos pelo PCS Lab Saleme.

A primeira coleta foi feita no dia 23 de janeiro deste ano — foram doados os rins, o fígado, o coração e a córnea, e todos, segundo o laboratório, deram não reagentes para HIV.

Sempre que um órgão é doado, uma amostra é guardada. A SES-RJ, então, fez uma contraprova do material e identificou o HIV. Em paralelo, a pasta rastreou os demais receptores e confirmou que as pessoas que receberam 1 rim cada também deram positivo para o HIV. A que recebeu a córnea, que não é tão vascularizada, deu negativo. A que recebeu o fígado morreu pouco depois do transplante, mas o quadro dela já era grave, e a morte não teria relação com o HIV.

No dia 3 de outubro, mais um transplantado também apresentou sintomas neurológicos e testou positivo para HIV. Essa pessoa também não tinha o vírus antes da cirurgia. Cruzando os dados, chegaram a outro exame errado, o de uma doadora no dia 25 de maio deste ano.

Reteste
A secretária estadual de Saúde, Cláudia Mello, disse que a 1ª ação tomada foi de transferir todos os exames de sorologia dos doadores desse laboratório para o Hemorio, uma unidade de saúde estadual.

“Então, a partir do dia 13 de setembro, toda a doação é passada direto das doações para o Hemorio”, disse Cláudia. O departamento vai retestar o material armazenado de 286 doadores.

O que a SES-RJ diz
“A Secretaria de Estado de Saúde (SES) considera o caso inadmissível. Uma comissão multidisciplinar foi criada para acolher os pacientes afetados e, imediatamente, foram tomadas medidas para garantir a segurança dos transplantados.

O laboratório privado, contratado por licitação pela Fundação Saúde para atender o programa de transplantes, teve o serviço suspenso logo após a ciência do caso e foi interditado cautelarmente. Com isso, os exames passaram a ser realizados pelo Hemorio.

A Secretaria está realizando um rastreio com a reavaliação de todas as amostras de sangue armazenadas dos doadores, a partir de dezembro de 2023, data da contratação do laboratório.

Uma sindicância foi instaurada para identificar e punir os responsáveis. Por necessidade de preservação das identidades dos doadores e transplantados, bem como do encaminhamento da sindicância, não serão divulgados detalhes das circunstâncias.

Esta é uma situação sem precedentes. O serviço de transplantes no Estado do Rio de Janeiro sempre realizou um trabalho de excelência e, desde 2006, salvou as vidas de mais de 16 mil pessoas.”

Fonte: G1

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Saúde

Família cria mochila que carrega equipamentos médicos, e filho eletrodependente pode viver longe do hospital; outros pacientes receberam

por Redação 30 de setembro de 2024

O Léo, de 9 anos, nasceu muito prematuro, teve complicações médicas quando bebê e precisou retirar o intestino. Ainda na gravidez, teve que fazer uma cirurgia intraútero. Esses acontecimentos fizeram com que ele se tornasse um paciente eletrodependente — que precisa estar conectado a máquinas para sobreviver.

Para os pais do pequeno, ver o filho bem durante quase uma década contraria todas as expectativas. “Os médicos me disseram que ele não ia sobreviver, ele sobreviver seria viver pouco tempo, que ia viver para sempre dentro do hospital”, lembrou a mãe, Aline Bertolozzi.

Ela e o marido, Rodrigo Monteiro, não queriam que a criança passasse a vida toda em casa ou no hospital. Os dois viram que não existia uma solução para isso e resolveram criar uma mochila capaz de carregar os equipamentos sem a necessidade de ficar preso a um lugar.

Os pais perceberam que o filho apresentou melhoras significativas, diminuiu a quantidade de internações e decidiram compartilhar a ideia: “A gente falou ‘Isso tem que ir pro mundo'”, disse a mãe.

Aline e o Rodrigo levaram a ideia da mochila para o Hospital Samaritano Higienópolis, onde Leo é acompanhado, e os médicos se uniram para melhorar a tecnologia.

“A gente precisava ter toda essa avaliação do ponto de vista ergonômico, do ponto de vista de segurança, aí sim poder disseminar para os outros pacientes já com as instruções de uso correto”, explicou Mariana Barcia, nefropedriatra.

Liberdade
Como os resultados com o Leo foram positivos, um grande sonho dos pais foi realizado: o hospital resolveu dar essa possibilidade para mais gente. Em dezembro do ano passado, 50 pacientes receberam a mochila de graça e adaptada às necessidades de cada um.

“Após 3 meses nessa utilização, a gente acabou percebendo que 38% dos pais e das crianças colocam como melhora da qualidade de vida, 100% falam que puderam ter novas experiências. A gente perguntou como que a palavra que você traduz a utilização da mochila: e eles colocam como liberdade”, relatou Maria Fernanda Carvalho de Camargo, médica nefrologista pediátrica do Hospital Samaritano Higenópolis.

Primeiro paciente a testar a novidade, o menino que teria que viver no hospital agora vai a jogos do time do coração, ama praia e já viajou para outros países.

Rebeca Nascimento, de 18 anos, também está nessa lista. Aos 18 anos, a vida dela mudou. Hoje, faz faculdade de enfermagem, dirige e viaja.

“O meu intestino não absorve direito as coisas que eu como, então, se eu fosse comer pela boca, não ia conseguir ficar em pé. Eu tinha que ficar em casa no horário da infusão, agora é em qualquer lugar”, disse a estudante.

O hospital acompanha todos os pacientes para entender os impactos da mochila.

Fonte: G1

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Saúde

Brasileiras desconhecem fatores de risco para o câncer de mama e a importância da mamografia, diz pesquisa

por Redação 30 de setembro de 2024

O câncer de mama é o mais comum entre as brasileiras — depois do tumor de pele não melanoma — e também o que causa mais mortes por essa doença entre elas. Ainda assim, as mulheres do país desconhecem informações importantes sobre essa enfermidade, como o melhor método diagnóstico e os fatores de risco.

Os dados, divulgados nesta segunda-feira (30), são do levantamento A Mulher Perante o Câncer, realizado pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), a pedido da farmacêutica Pfizer. A pesquisa ouviu 1.400 mulheres, de 20 anos ou mais, moradoras da capital e das regiões metropolitanas de São Paulo, Belém, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

O estudo mostrou que a maioria das entrevistadas têm uma percepção errada sobre as causas da doença. Para 77%, a herança genética é a principal responsável pelos tumores de mama.

Na realidade, o câncer de mama está associado a diversos fatores, entre eles os não controláveis e os controláveis. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) de 5 a 10% dos casos estão relacionados à hereditariedade. Por outro lado, cerca de 17% poderiam ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e amamentar um bebê.

As participantes da pesquisa desconhecem o peso do estilo de vida na prevenção da doença: 71% não sabem que o álcool está relacionado ao tumor, 69% não reconhecem o excesso de peso como um fator de risco e 84% ignoram a amamentação como uma proteção contra o câncer de mama. Somente 9% sabiam que a primeira menstruação antes dos 9 anos também eleva o risco da enfermidade.

“Essa falsa percepção de que o câncer de mama é causado pela genética pode mascarar cuidados necessários para prevenir a doença”, aponta a ginecologista Adriana Ribeiro, diretora médica da da Pfizer Brasil.

Percepção arraigada sobre o autoexame
Nos anos 1990, a campanha do Outubro Rosa ensinou para as mulheres a importância de tocar as mamas para identificar a presença de nódulos. Embora o autoconhecimento seja relevante, ele é insuficiente em se tratando de câncer de mama. Caroços perceptíveis pelo toque costumam ter pelo menos 1 centímetro. O ideal seria detectar lesões menores por meio de exames de rastreamento. Afinal, quanto mais precoce o diagnóstico, maior a chance de cura.

A pesquisa do Ipec revelou que para 54% das brasileiras o autoexame é a principal medida de detecção precoce. No recorte por idade, 59% daquelas com 50 anos ou mais — o grupo mais atingido pela enfermidade — têm essa percepção equivocada.

Além disso, as entrevistadas desconhecem a importância da mamografia, uma radiografia dos seios, no diagnóstico da doença. Para 56% delas, não está clara a necessidade de passar por esse procedimento quando outros exames, como o ultrassom de mamas, indicam normalidade.

O levantamento mostrou ainda que a maioria (52%) subestima a importância de se submeter à mamografia com regularidade: 25% das participantes acreditam que, após um primeiro teste com resultado normal, podem acompanhar qualquer mudança somente pelo autoexame.

Baixa adesão à mamografia
A falta de conhecimento sobre o método diagnóstico se reflete nos cuidados preventivos das mulheres. Apenas 33% das entrevistadas de 40 a 49 anos disseram ter ido ao médico, recebido o pedido de mamografia, feito o exame e compartilhado o resultado com o profissional que a acompanha. O percentual se manteve baixo tanto entre as mulheres das classes A/B (35%) como no grupo da classe C (24%).

A pesquisa identificou ainda que uma a cada cinco participantes com idade entre 40 e 49 anos (20%) não recebeu do médico uma solicitação de mamografia nos 18 meses que precederam o levantamento do Ipec.

É possível que o resultado seja influenciado por uma divergência entre o Ministério da Saúde e por entidades médicas. O primeiro, que segue a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) e norteia as práticas do Sistema Único de Saúde (SUS), recomenda que a mamografia seja realizada por mulheres de 50 a 69 anos, a cada dois anos.

Já a Sociedade Brasileira de Mastologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) estabelecem o rastreamento a partir dos 40 anos, anualmente. Estima-se que 21% das brasileiras diagnosticadas com câncer de mama tenham 40 anos ou menos.

Fonte: revistamarieclaire

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Saúde

Inca e Fiocruz vão produzir dados sobre cigarro eletrônico para fortalecer políticas públicas

por Redação 12 de setembro de 2024

O Inca (Instituto Nacional do Câncer) e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) firmaram acordo de cooperação técnica para produzir e divulgar conhecimentos científicos sobre os DEFs (Dispositivos Eletrônicos para Fumar), conhecidos como cigarros eletrônicos. Fortalecer as políticas públicas de controle do tabagismo é o objetivo das duas instituições. O principal desafio é contrapor o marketing da indústria de tabaco com dados científicos sobre os danos causados à saúde pelo cigarro eletrônico. A primeira reunião conjunta ocorreu terça-feira (10).

O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, disse que o compromisso dos dois órgãos é com a ciência. Estamos alimentando todos os interlocutores com evidências de que esses produtos [DEFs] fazem muito mal e vamos produzir ainda mais dados”, afirmou. Gil destacou que a sustentabilidade do sistema de saúde depende do enfrentamento dos fatores de risco de doenças crônicas, como o tabagismo. “A conta chega lá na frente. Por isso temos que agir agora”.

O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, destacou o apoio da instituição à decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir os DEFs no Brasil. Ele considera que a ideia de regulamentação do uso desses produtos atende a interesses apenas do mercado, e não da população e da saúde pública. “A Fiocruz e o Inca são instituições estratégicas nesse debate. Vamos trabalhar juntos para exercer nosso papel técnico na geração de mais evidências científicas sobre a extensão dos malefícios desses dispositivos eletrônicos sobre a saúde humana, especialmente a dos jovens, que têm sido tão impactados”, afirmou Moreira.

Especialistas das duas instituições vão manter um grupo permanente de trabalho para a produção de dados científicos e econômicos sobre o potencial impacto negativo da inserção dos DEFs no mercado.

Fonte: r7

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Saúde

Estado de SP registra 315 casos de Mpox entre janeiro e julho de 2024; alta de 257% em relação ao ano anterior

por Redação 15 de agosto de 2024

O estado de São Paulo registrou nos primeiros sete meses de 2024 pelo menos 315 casos confirmados de Mpox (antiga varíola dos macacos), segundo os dados da secretaria estadual da Saúde (SES).

De acordo com a pasta, entre janeiro e julho deste ano o número de casos da doença cresceu 257% em relação ao mesmo período de 2023, quando 88 casos da doença foram registrados no estado.

Apesar disso, os números de 2024 estão bem abaixo do registrado em 2022, primeiro ano da doença, quando 4.129 casos de Mpox foram registrados no estado durante todo o ano.

Em todo o Brasil foram notificados em 2024 ao menos 709 casos confirmados ou prováveis da doença, segundo o Ministério da Saúde. O número é significativamente menor em comparação aos mais de 10 mil casos notificados em 2022, durante o pico da doença no Brasil, segundo a pasta.

Desde 2022, foram registrados 16 óbitos no país pela doença, sendo o mais recente em abril de 2023, disse o órgão federal.

A pasta diz que já iniciou a atualização das recomendações e do plano de contingência para a doença no Brasil, assim que soube que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que a mpox é, mais uma vez, uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).

“O Ministério da Saúde instalará, a partir desta quinta-feira (15), um Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) para coordenar as ações de resposta à Mpox. Desde 2023, o Brasil apresenta estabilidade de casos. Desde a ESPII anterior para Mpox, declarada pela OMS em julho de 2022 e encerrada em maio de 2023, a vigilância para a doença se manteve como prioridade no Ministério da Saúde, que vinha monitorando atentamente a situação mundial e as informações compartilhadas pela OMS e outras instituições”, disse o ministério.

“A vacinação contra a Mpox foi iniciada em 2023, durante a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, com o uso provisório da vacina liberado pela Anvisa, priorizando a proteção das pessoas com maior risco de evolução para formas graves da doença. Desde o início da vacinação, mais de 29 mil doses foram aplicadas”, afirmou o governo federal.

Alerta da OMS

Nesta quarta-feira (14), a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que a mpox é, mais uma vez, uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).

O mais alto nível de alerta da organização havia sido declarado para o surto da “varíola dos macacos”, como era então conhecida a doença, no final de julho de 2022.

Somente em maio de 2023 que a organização decidiu rebaixar seu status, por causa da diminuição global do número de casos (como também aconteceu com a Covid).

Agora a preocupação é com a rápida propagação da mpox – numa variante nova – que vem acontecendo no continente africano, em especial na República Democrática do Congo (RDC), país que vem registrando somente este ano quase 14 mil casos, incluindo 450 mortes, segundo o último relatório do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, o Africa CDC (entenda mais abaixo).

Fora da África, até o momento, “o surto continua com um baixo nível de transmissão”, afirmou a OMS.

“A OMS está comprometida em coordenar a resposta global nos próximos dias e semanas, trabalhando em estreita colaboração com cada um dos países afetados e alavancando nossa presença local para prevenir a transmissão, tratar os infectados e salvar vidas”, disse Tedros Adhanom, diretor-geral da organização nesta quarta-feira.

No momento, a avaliação do Ministério da Saúde é de que o risco para o Brasil é baixo. Atualmente, há duas vacinas recomendadas pela OMS contra a doença. No entanto, nenhuma delas está sendo usada de forma ampla no país.

Especialistas sugerem a vacinação principalmente em casos de contato com infectados, para evitar surtos – como o do RDC. Uma campanha de vacinação em massa é improvável, a menos que ocorra uma grande emergência sanitária global. Essas ações são consideradas cruciais para proteger os grupos mais vulneráveis.

Ao g1, o Ministério da Saúde disse que “caso novas evidências demonstrem a necessidade de alterações no planejamento, as ações necessárias serão adotadas e divulgadas” sobre a imunização contra a doença.

Fonte: G1

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Saúde

Mpox: qual o risco da nova cepa mais letal que acendeu o alerta da OMS chegar ao Brasil?

por Redação 13 de agosto de 2024

Na próxima quarta-feira, um Comitê de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) vai se reunir para decidir se recomenda, ou não, que o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, decrete uma nova emergência de saúde pública de importância internacional por causa da Mpox, como foi com a Covid-19 e com a própria Mpox em 2022.

Embora os casos globais da doença tenham caído depois do surto inédito há dois anos, a doença continuou a circular, especialmente nos lugares onde já era endêmica, como a República Democrática do Congo (RDC). No entanto, as infecções têm crescido no país africano e chegaram neste ano a 14 mil infectados e 511 mortos, impulsionados por uma nova linhagem do vírus.

O diretor-geral da OMS destacou que o número de casos em seis meses é igual ao registrado em todo o ano passado e que o vírus se espalhou para províncias anteriormente não afetadas. Além disso, que cerca de 50 casos foram relatados em quatro países vizinhos que não tinham registros de Mpox: Burundi, Quênia, Ruanda e Uganda.

— Dada a propagação da Mpox fora da República Democrática do Congo (RDC) e a possibilidade de uma nova propagação internacional dentro e fora da África, decidi convocar um comitê de emergência para me aconselhar sobre se a epidemia constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional — declarou Tedros Adhanom em coletiva de imprensa na semana passada.

Um dos temores é que a cepa que tem se disseminado não é a mesma do surto de 2022. O vírus Mpox é dividido em duas linhagens, chamadas de Clado 1 e Clado 2. A 2, que é mais branda, foi a responsável pela propagação global em 2022, o que foi ligado a ela ter começado a ser transmitida por meio de relações sexuais.

Agora, a OMS relata a identificação de uma nova versão do Clado 1, batizada de Clado 1b, que também passou a ser disseminada pelo contato sexual, explica a virologista Giliane Trindade, coordenadora do Laboratório de Vírus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora de Microbiologia da instituição.

— O Clado 1 é historicamente conhecido, afeta a RDC e principalmente países da África Central, e tem uma letalidade maior. O que acontece agora é que detectaram uma nova linhagem do Clado 1, que registra mutações que foram relacionadas a essa transmissão mais alta entre humanos — explica.

Para ela, que é especialista em Poxvírus, esses fatores, junto ao fato de mundo ser cada vez mais globalizado, fazem o risco da nova versão da Mpox se disseminar para fora do continente africano, assim como a anterior, ser uma realidade:

— Apesar de não termos registrado ainda casos do Clado 1 fora da África, a possibilidade de o vírus chegar às Américas e ao Brasil existe especialmente se considerarmos a transmissão sustentada relacionada ao contato sexual que estamos vendo na RDC, o que facilita a disseminação de uma maneira parecida com a emergência do Clado 2 em 2022. E quanto mais a situação se agrava na África, são mais pessoas infectadas, uma maior transmissão e consequentemente um maior risco para os outros países.

O Clado 1b, por exemplo, já foi confirmado no Quênia, Ruanda e Uganda, enquanto há casos em Burundi que ainda estão sendo analisados. Em relação à gravidade, enquanto a RDC acumula mais de 500 mortos em 2024, o surto global de 2022 chegou apenas a cerca de 120 óbitos em todos os países naquele ano.

— A mortalidade agora é completamente diferente da que observamos com a outra linhagem de Mpox do surto de 2022. Ela chega a ser de 4% dos casos notificados em adultos e até 10% em crianças pelo que temos observado na RDC — diz o virologista da Universidade Feevale e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Vigilância Genômica de Vírus, Fernando Spilki.

Segundo dados da OMS, 66% dos casos e 82% das mortes na RDC até agora foram abaixo de 15 anos, e 73% entre homens.

— Gera uma preocupação pela agressividade, mas ainda temos pouca informação para prever como isso vai caminhar daqui para frente. Sempre existe o risco de esse vírus se espalhar e, se houver essa expansão da área de transmissão, ele eventualmente chegar ao Brasil. Mas não há como dizer com certeza nesse momento se vai ou não — avalia o infectologista e pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) José Cerbino Neto, consultor científico do Richet/Rede D’Or.

Ele destaca que, caso a OMS decida decretar o status emergência, “haverá medidas de contenção para buscar restringir a circulação do vírus, e é possível que se consiga evitar que ele chegue a outros países”. Para Spilki, que participa junto com Giliane da Câmara Técnica Pox do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), para isso é importante que países estejam atentos e se preparem:

— Como é uma doença extremamente contagiosa, as vigilâncias e os sistemas de controle precisam estar muito atentos para qualquer evidência de casos. E temos o problema de hoje ter o mundo globalizado, com as pessoas viajando e se deslocando, em que, se não houver um cuidado transnacional muito grande, podemos ter uma transmissão sim. Precisamos estar atentos a essa possibilidade especialmente com doenças suspeitas em viajantes e em contatos próximos no país.

Ele acredita que a experiência com pesquisa e diagnóstico decorrente do surto de 2022 é uma vantagem. Uma das ferramentas que está mais acessível, por exemplo, são as vacinas, inicialmente desenvolvidas para a versão tradicional da varíola, erradicada em 1980, mas que também conferem proteção contra a Mpox por serem da mesma família de vírus.

— A grande pergunta que vem sendo estudada é em que medida a vacina consegue dar uma boa proteção contra essa cepa em específico, o que é bastante possível. Desde junho, as vacinas vêm sendo aplicadas na RDC. Então é de esperar que continuemos tendo uma proteção adequada. Mas precisamos ter estoques da vacina, principalmente para imunizar as cadeias de contatos próximos daquele paciente e profissionais de saúde, de laboratórios. Isso os países precisam estar preparados — diz Spilki.

No Brasil, uma das vacinas é inclusive aplicada a grupos de maior risco no SUS, como pessoas que vivem com HIV e com contagens baixas de células de defesa. Na última sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um documento oficial em que convidou os fabricantes a submeterem as doses para aprovação de uso em caráter de emergência pela autarquia.

As doses já foram aprovadas por agências reguladoras de referência, como a europeia, a americana e pela Anvisa, mas um aval da OMS poderá acelerar o acesso pelo mundo, especialmente em países de baixa renda, e permitir que parceiros como Gavi e Unicef adquiram os imunizantes para distribuição.

Nesse contexto de maior risco, o patologista Helio Magarinos Torres Filho, diretor do Richet Medicina & Diagnóstico, também lembra a importância da testagem para que os casos de Mpox sejam isolados e evitar, dessa forma, a maior disseminação do vírus:

— O diagnóstico laboratorial é realizado através de técnicas de biologia molecular, como o PCR, em amostras coletadas diretamente das lesões suspeitas. Também é possível diagnosticar o vírus em amostras de orofaringe ou raspado anal. No entanto, nesses casos, o resultado pode indicar apenas que a pessoa é portadora do vírus, sem necessariamente apresentar sintomas da doença. Mesmo assim, recomenda-se adotar medidas para prevenir a transmissão a outras pessoas.

Além disso, como a Mpox se manifesta com erupções na pele (lesões), como bolhas, além de febre e dores musculares, o diagnóstico pode ser confundido com doenças mais comuns, como herpes e sífilis, por isso a importância da testagem.

Fonte: OGLOBO

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Saúde

Genérico, referência ou similar: entenda diferenças e veja lista dos medicamentos mais vendidos

por Redação 13 de agosto de 2024

Você já deve ter visto, em algum momento, aquela caixinha de medicamento com um G gigante e uma tarja amarela. A política de medicamentos genéricos no Brasil, estabelecida em 1999, promoveu uma profunda mudança no panorama da saúde pública no país.

Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos) apontam que:

85% dos medicamentos do programa Farmácia Popular são genéricos;
79% dos consumidores compram ou já compraram medicamentos genéricos;
38% dos medicamentos vendidos no país são genéricos;
Os preços são, geralmente, 35% mais baixos em comparação aos de referência.
Os genéricos estão disponíveis nas farmácias como uma alternativa ao medicamento de referência, mas você sabe as diferenças entre genérico, referência e similar? A gente te explica nesta reportagem.

?Genéricos
Os genéricos são aqueles considerados equivalentes aos de referência, com o mesmo princípio ativo, mesma dose e forma farmacêutica. São administrados pela mesma via e com a mesma posologia e indicação terapêutica. Seria como uma “cópia” e, por isso, são intercambiáveis.

“É possível, no momento da compra de um medicamento de referência, substituí-lo por um medicamento genérico. Importante destacar que os medicamentos genéricos também possuem a sua eficácia, segurança e qualidade comprovadas por meio de testes de biodisponibilidade e bioequivalência garantindo assim a sua total eficácia terapêutica”, explica o farmacêutico Fábio Ribeiro da Silva, conselheiro do Conselho Regional de Farmácia de SP e diretor geral da Faculdade de Guarulhos (FAG).

O genérico é comercializado após a expiração da patente do medicamento original. Nas farmácias, ele tem a tarja amarela, o G de genérico e é identificado pelo nome do princípio ativo (por exemplo: dipirona)

?Referência (ou de marca)
É o medicamento considerado inovador, registrado na Anvisa, que teve sua eficácia, segurança e qualidade comprovadas por estudos clínicos e não clínicos. Serve como padrão para a comparação com genéricos e similares. Estão no mercado há bastante tempo e são conhecidos por nomes comerciais. Quando a patente expira, outros laboratórios são autorizados a produzir o mesmo medicamento.

?Similares
Também são cópias do medicamento de referência, com mesma composição química, concentração, eficácia, segurança e qualidade. Contudo, diferentemente dos genéricos, podem ter diferenças em características como excipientes, embalagem, rotulagem, prazo de validade, entre outros. Além disso, sempre serão identificados por meio de um nome comercial ou uma marca.

O farmacêutico explica que é mais difícil diferenciar o que é medicamento similar e o que é medicamento referência. “Nesse caso, recomendo que o paciente se oriente com o médico ou com o farmacêutico”, diz.

??Resumindo: as principais diferenças estão no processo de registro, nome comercial e, às vezes, nos excipientes. Todos atendem os padrões da Anvisa sobre eficácia, segurança e qualidade.

Por que o genérico é mais barato?
Como o genérico é uma “cópia” do medicamento referência, o fabricante não precisou realizar todas as pesquisas para o seu desenvolvimento.

“Como a indústria que vai produzir o genérico não teve esse custo, essa é uma das razões pelas quais o medicamento genérico acaba ficando mais barato para aquisição do paciente”, aponta o farmacêutico.

Além disso, segundo a legislação, o medicamento genérico deve ser, no mínimo, 35% mais barato que o medicamento de referência.

A intercambialidade dos medicamentos
Tanto genéricos quanto similares são intercambiáveis apenas com o medicamento de referência. Ou seja, não dá para trocar um similar por um genérico ou vice-versa. O motivo? Os estudos de comparação de cada um foram feitos com o medicamento referência.

Fábio Ribeiro da Silva explica que a intercambialidade entre o medicamento referência e o genérico pode acontecer no ato da compra. O paciente pode questionar se existe um genérico mais acessível.

Os genéricos mais vendidos no país em 2023
Remédios para pressão alta, disfunção erétil, analgésico e antigases estão entre os genéricos mais vendidos em 2023, segundo a PróGenéricos. Veja abaixo:

Losartana (hipertensão)
Dipirona Sódica (analgésico)
Hidroclorotiazida (hipertensão)
Nimesulida (anti-inflamatório)
Enalapril (hipertensão)
Sildenafila (disfunção erétil)
Atenolol (hipertensão)
Simeticona (antigases)
Tadalafila (disfunção erétil)
Sinvastatina (reduzir colesterol)
“Com um preço mais acessível é possível que um número muito maior de pessoas tenha acesso aos medicamentos de qualidade e aos tratamentos. Os genéricos apresentam a mesma qualidade e os mesmos efeitos do medicamento de referência”, completa o farmacêutico e conselheiro do CRF-SP.

Como saber os medicamentos genéricos registrados?
Para consultar qualquer medicamento regularizado na Anvisa, acesse a página Consultas – Medicamentos. Para consultar os medicamentos genéricos registrados, selecione “Genérico” no campo “Categoria Regulatória” e efetue a pesquisa de acordo com os outros dados de interesse.

Fonte: G1

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Saúde

Nitazeno: novo opioide, mais forte que heroína e fentanil, é achado em drogas apreendidas em SP

por Redação 22 de julho de 2024

Pesquisadores da USP e Unicamp encontraram um novo opióide misturado a drogas sintéticas vendidas em São Paulo. A substância tem um poder devastador no usuário, mais perigoso do que a heroína ou o fentanil.

Quem fuma cigarros, nem sempre sabe quais substâncias ele carrega. Uma droga feita em laboratório, que tem como base os canabinoides sintéticos e preocupa pelo poder de expansão.

Estamos longe do centro de São paulo. É nesse terminal de ônibus, na zona leste da capital paulista, um lugar movimentado, de dia, que dezenas de pessoas consomem drogas K.

A droga é conhecida como K – seguida por números – ou spice, especiaria em inglês. Lado a lado, os usuários sentem os efeitos.

Um usuário da droga, que estava no local da reportagem, afirmou que a substância deixa uma pessoa apagada por cerca de duas horas.

Repórter: o que é aquilo ali?
Usuário 1: é o k9. É o que se faz. Você fuma e desliga.
Repórter: fica quanto tempo apagado?
Usuário 1: coisa de uma, duas horas.
O vício fez esse rapaz de 23 anos deixar para trás o emprego, casa.

Repórter: Você perdeu tudo de seis meses para cá?
Usuário 1: Seis meses. Vendi o carro, comecei a discutir com a família e vim para a rua. Digo até que neurônio. Antes, eu era uma pessoa bem mais rápida, bem mais ligeira. Hoje sinto uma pessoa mais devagar, bem mais burra, digamos.
Na parte de cima do terminal de ônibus, a gente tem os passageiros que circulam saindo do local onde se pega os trens. Do outro lado, próximo ao metrô e perto das grades da estação, é possível ver uma situação bastante difícil: um homem curvado, parado já há algum tempo.

É uma imagem chocante, no meio do vai e vem do transporte público. Ele tinha usado a droga momentos antes.

Um segundo usuário de 25 anos estava dormindo e acordou com a chegada da reportagem. São jovens, gente ainda mais nova, que nem começou a vida direito. Nos arredores da estação, restam vazios os frascos usados para guardar droga.

A preocupação com as drogas K aumenta com a mais recente descoberta de pesquisadores da USP e da Unicamp. Eles ajudaram a polícia técnico-científica de São Paulo a identificar a presença de nitazeno em drogas que foram apreendidas no estado.

Um opióide extremamente forte, que torna a droga ainda mais perigosa, bastando uma pequena quantidade para causar efeito. O mesmo grupo já tinha detectado o fentanil, um potente anestésico.

Maurício Yonamine, professor de toxicologia da faculdade de ciências farmacêuticas da USP, afirma que o fentanil é 50 vezes mais forte que a heroína.

Até 2020, a quantidade de drogas K apreendidas pela polícia civil do estado não passava de alguns gramas. Em 2021, já saltou para cerca de 5 quilos. No ano seguinte, 51 quilos e em 2023, foram 157 quilos.

A rede pública de saúde também sente o impacto. Na unidade mantida pelo governo paulista para tratar dependentes químicos, dos pacientes que foram questionados, 36% disseram ter usado drogas K recentemente.

No ano passado, a secretaria municipal registrou 1099 casos suspeitos de intoxicação por drogas sintéticas.

O professor de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) explica que esse tipo de entorpecente pode levar a transtornos mentais para quem já tem essa predisposição.

Origem
O nitazeno surgiu na década de 1950 em pesquisas farmacêuticas, mas por causa da alta potência, nunca foi aprovado para uso na medicina. E se conhece bem pouco dos seus efeitos.

O que já se sabe é o que essa droga tira de quem usa. Um terceiro usuário afirma: “minha vontade de me movimentar, minha vontade de comer. Nem me olhar no espelho eu consigo mais. Não tem nada, nem amor próprio mais. O vício me tirou tudo: a vontade de viver, a vontade de sonhar. Novamente, tirou tudo”.

O Departamento de Narcóticos do estado de São Paulo afirmou que as drogas K são manipuladas, principalmente, em países asiáticos e europeus e que, muito provavelmente, o nitazeno já vem adicionado nesses entorpecentes.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que possui um centro especializado em tratar pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso do crack e de outras drogas. Segundo a Secretaria, a unidade funciona 24 horas por dia e os dependentes químicos passam por triagem e avaliação médica. Se necessário, ficam internados ou são encaminhados para outros serviços de saúde.

Fonte: G1

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