O Condado de Los Angeles, na Califórnia, declarou estado de emergência nesta terça-feira (14) em resposta às batidas de imigração promovidas pelo governo Donald Trump, conduzidas pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
A decisão foi aprovada pelo Conselho de Supervisores do condado, que justificou a medida pela paralisação econômica e o clima de medo gerado pelas ações. Segundo o documento oficial, as batidas estariam impedindo trabalhadores de comparecer ao emprego, levando empresas e restaurantes a fechar e sobrecarregando escolas, hospitais e locais de culto.
“Temos que garantir que estamos vivendo nossos valores e colocando-os em ação — é disso que trata esta proclamação”, afirmou a supervisora Lindsey Horvath à emissora Fox11, autora da moção aprovada.
Um relatório apresentado ao conselho na semana passada mostrou uma queda de 62% na renda média semanal dos imigrantes e relatou casos de ameaças de despejo feitas por proprietários que condicionavam o pagamento do aluguel à ausência de denúncias ao ICE.
Com a declaração de emergência, o condado poderá agilizar contratações e aquisições públicas, além de solicitar assistência financeira adicional e adotar medidas para “apoiar e estabilizar comunidades impactadas”.
Entre as ações estudadas está uma moratória de despejos e proteções adicionais a inquilinos, segundo o The New York Times.
A supervisora Janice Hahn afirmou que a decisão responde ao “medo, à dor e à desordem” causados pelas operações de imigração:
“Temos famílias inteiras desamparadas porque pais e mães foram retirados de seus locais de trabalho. Queremos que nossas comunidades de imigrantes saibam que estamos com eles nesta emergência.”
Envio de tropas foi considerado ilegal
A decisão de Los Angeles ocorre semanas após a Justiça dos EUA proibir o governo Trump de enviar tropas da Guarda Nacional à Califórnia.
Em 2 de setembro, o juiz Charles Breyer, de São Francisco, suspendeu a ordem presidencial que havia federalizado a Guarda Nacional para reprimir protestos contra as batidas de imigração.
O governador Gavin Newsom contestou o envio das tropas, e a corte concluiu que a ação era ilegal, pois representava uso indevido de forças militares em funções policiais.
“Donald Trump perde novamente. Os tribunais concordam: a militarização das nossas ruas é ilegal”, escreveu Newsom na rede social X.
A Casa Branca reagiu à decisão com críticas ao Judiciário, afirmando que o presidente “salvou Los Angeles” e prometendo recorrer.
Além de Los Angeles, Washington D.C., Memphis, Portland e Chicago também foram alvo de operações federais semelhantes.
Fonte: G1