Correios registram pior índice de entregas no prazo do ano às vésperas do Natal

por Redação

Às vésperas do Natal, os Correios enfrentam o pior desempenho do ano no cumprimento de prazos de entrega de encomendas. A crise financeira da estatal, agravada por greves em centros estratégicos como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, tem provocado atrasos generalizados e afetado diretamente consumidores e pequenos negócios que dependem do serviço.

Dados internos apontam que o índice nacional de entregas dentro do prazo está abaixo de 70%, variando entre 50% e 70% conforme a região. Isso significa que pelo menos três em cada dez encomendas estão atrasadas neste mês, o pior resultado registrado em 2024. Em janeiro, o percentual era de 97,7%. Já em dezembro, até o dia 6, caiu para 76,63%, chegando a 68,15% em medições diárias, bem abaixo da meta oficial de 96% estipulada pela própria empresa.

A queda no desempenho vinha sendo observada ao longo do ano, principalmente por conta de dívidas com fornecedores, mas se intensificou com a paralisação de funcionários. O cenário provocou uma corrida de varejistas e consumidores por transportadoras privadas, especialmente entre pequenos empreendedores que não possuem estrutura logística própria.

A jovem aprendiz Eduarda Kocholi, de 20 anos, moradora de Curitiba, relata atrasos em todas as compras internacionais feitas recentemente. Os presentes de Natal da família não chegaram a tempo, segundo ela, por sucessivos “desvios de rota”, gerando prejuízo estimado em R$ 150.

A direção dos Correios avalia que a normalização do serviço depende do pagamento das dívidas acumuladas, o que está condicionado à liberação de um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos. A expectativa é receber R$ 10 bilhões ainda até o fim do ano. Os recursos devem viabilizar um plano de reestruturação que prevê um programa de demissão voluntária para cerca de 15 mil funcionários e o fechamento de mil agências.

Enquanto isso, empresas privadas de logística relatam aumento expressivo na demanda. A Jadlog registrou alta de 25% em novos contratos, enquanto a Loggi apontou crescimento de 54% nos envios feitos por pequenas e médias empresas neste mês. Especialistas alertam que o impacto negativo sobre a imagem dos Correios pode acelerar a perda de participação da estatal no mercado, hoje estimada entre 40% e 50%.

Fonte: OGLOBO

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