STF Cotados à vaga no STF adotam discrição para evitar irritar Lula Redação15 de outubro de 2025019 visualizações Cinco dias após o ministro Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF), os principais cotados à sucessão têm adotado uma postura discreta, em tentativa de evitar desgastes e pressões sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsável pela indicação do novo ministro. Entre os nomes mais citados estão o advogado-geral da União, Jorge Messias, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas. Nenhum deles tem feito movimentos públicos diretos em torno da disputa. As agendas oficiais têm sido marcadas por compromissos institucionais. Messias, por exemplo, tem concentrado a atuação em pautas jurídicas da Advocacia-Geral da União (AGU) e evitado qualquer articulação aberta. Ele chegou a ser convidado para um jantar em homenagem a Barroso, promovido pelo advogado Murillo de Aragão, mas optou por não comparecer. A estratégia marca uma mudança em relação a 2023, quando Messias se movimentou intensamente para tentar ocupar a vaga deixada por Rosa Weber, posteriormente preenchida por Flávio Dino. Agora, o ministro prefere o silêncio, inclusive com aliados próximos, para não constranger Lula nem repetir uma eventual frustração. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou em entrevista ao Globo que Messias é o nome mais próximo do presidente, mas reconheceu que Pacheco e Dantas também contam com a confiança do Planalto. Nos bastidores, o fator religioso tem sido considerado um trunfo de Messias, que é evangélico e vem publicando conteúdos sobre fé em suas redes sociais. Um gesto de Lula nessa direção seria lido como aceno ao eleitorado evangélico — base majoritariamente alinhada à direita — às vésperas das eleições municipais. Rodrigo Pacheco também adota tom cauteloso. Na segunda-feira, participou de uma reunião com o presidente do Supremo, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O encontro, de caráter institucional, teve ampla repercussão após Alcolumbre divulgar registros do evento, interpretados como sinal de apoio a Pacheco. O senador, segundo aliados, articula nos bastidores para conter resistências a seu nome, enquanto Alcolumbre já teria avisado ao Planalto que uma indicação de Messias enfrentaria resistência no Senado. Já Bruno Dantas esteve em Roma, onde participou de um evento da FAO sobre segurança alimentar e governança global. A coincidência com a visita oficial de Lula à capital italiana chamou atenção, embora ambos não tenham se reunido pessoalmente. A cautela dos cotados reflete também o humor do Planalto. Lula ficou irritado com o timing da aposentadoria de Barroso, que formalizou a saída em meio a um momento de tensão política e derrotas recentes no Congresso. Segundo o colunista Lauro Jardim, Barroso tentou ligar para o presidente após protocolar o pedido, mas Lula não atendeu. O petista tem dito a interlocutores que não pretende se deixar pressionar e que a escolha será feita com base em critérios jurídicos e políticos, “no tempo certo”. Fonte: OGLOBO