Dados da Receita expõem repasses ligados a ONG de ex-ministra, mas presidente nega valores

Informações da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou repasses de R$ 457,2 mil, nos últimos dois anos, ao Instituto Terra Firme, ONG presidida pela ex-ministra do governo Bolsonaro e ex-deputada federal Flávia Peres. A entidade, no entanto, nega ter recebido qualquer valor.

Os dados foram enviados pela Receita à CPI do Crime Organizado no Senado e obtidos por meio de apuração jornalística. Segundo os registros, além do montante destinado à ONG, o banco também teria transferido R$ 264 milhões, entre 2022 e 2025, à empresa Terra Firme da Bahia Ltda, ligada ao empresário Augusto Lima, marido de Flávia Peres.

A Terra Firme da Bahia Ltda atua como base operacional do Credcesta, modalidade de crédito consignado voltada a servidores públicos. A empresa é considerada a porta de entrada de Augusto Lima no setor financeiro e mantém atuação em mais de 18 municípios baianos, além de presença em outros 15 estados.

O Instituto Terra Firme foi fundado em novembro de 2023, em evento que contou com autoridades políticas, como o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), além de parlamentares e empresários. A organização afirma ter como objetivo combater a pobreza e reduzir desigualdades sociais.

Em nota, Flávia Peres contestou os dados e afirmou que a ONG “nunca recebeu recursos financeiros do Banco Master”. Segundo ela, não existe “qualquer relação financeira que envolva repasses, dependência econômica ou subordinação entre as instituições”.

O caso amplia a pressão sobre as relações entre entidades privadas, organizações sociais e agentes públicos, e deve ser analisado no âmbito da CPI, que investiga possíveis conexões financeiras no setor.

Fonte: METRÓPOLES

Notícias Relacionadas

R$ 1,3 milhão sob suspeita: Banco Master entra no radar por repasses a empresa ligada a esquema informal

Fortuna de R$ 10 bilhões pode sumir e acelera corrida de ex-banqueiro por delação

Aliado de Vorcaro, ‘Sicário’ declarou à Receita coleção de relógios de luxo, incluindo item de R$ 2 milhões