Defesa abandona júri no caso Henry Borel, julgamento é adiado e Monique é solta

por Redação

O julgamento do caso Henry Borel foi adiado para o dia 25 de maio após uma manobra da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, que abandonou o plenário do Tribunal do Júri nesta segunda-feira (23). Com a postergação, a mãe do menino, Monique Medeiros, teve o relaxamento da prisão e aguardará o novo julgamento em liberdade. Jairinho, por sua vez, continuará preso.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro havia iniciado a sessão pela manhã. A juíza Elizabeth Machado Louro chegou a compor o Conselho de Sentença, formado por seis mulheres e um homem, e fez a leitura da denúncia. Na sequência, os advogados de Jairinho solicitaram o adiamento do processo sob alegação de que não tiveram acesso a todas as provas. O pedido foi negado pela magistrada, que determinou a continuidade do julgamento.

Logo depois, os cinco defensores presentes manifestaram a intenção de deixar o plenário. Como a legislação impede que um réu permaneça sem defesa, a atitude inviabilizou a continuidade do júri. Diante do impasse, a juíza dispensou os jurados e encerrou a sessão. Inicialmente, a retomada havia sido marcada para 22 de junho, mas a data foi antecipada para 25 de maio após a magistrada considerar que o período coincidiria com a Copa do Mundo.

A decisão da defesa foi duramente criticada pela juíza, que classificou a atitude como “interrupção indevida do recurso processual, em franco desrespeito à orientação advinda do STF”. Segundo ela, a conduta representou um abandono processual e feriu princípios que norteiam as sessões de julgamento e o respeito às partes envolvidas. Elizabeth determinou ainda que a banca de Jairinho ressarça todos os custos da sessão, incluindo deslocamento de servidores, hospedagem dos jurados e alimentação. Também pediu que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) avalie possíveis sanções ético-disciplinares contra os defensores.

Durante o processo, a defesa sustenta que há contradições entre laudos periciais sobre as causas da morte de Henry. Segundo os advogados, mensagens obtidas por meio de relatório do aplicativo israelense Cellebrite indicariam que um perito conversou com a então chefe do Instituto Médico-Legal antes de finalizar um dos documentos, o que teria levado a alterações para favorecer a acusação.

O advogado Rodrigo Faucz afirmou que os laudos elaborados semanas após a necropsia deveriam ser anulados. Já Fabiano Lopes declarou que “a fraude aconteceu” e que não seria possível condenar os réus com base em provas consideradas parciais. A defesa também sustenta que a criança pode não ter sido vítima de agressões de Jairinho e levanta a hipótese de que a m0rt3 tenha ocorrido em decorrência de manobras de ressuscitação realizadas no Hospital Barra D’Or.

Os advogados ainda citaram um vídeo gravado no elevador do condomínio Majestique, na Barra da Tijuca, no qual Jairinho e Monique aparecem com o menino no colo enquanto ele tenta realizar respiração boca a boca. Para a defesa, as imagens indicariam que Henry estava vivo naquele momento. A Polícia Civil e o Hospital Barra D’Or, no entanto, afirmam que a criança já chegou sem vida à unidade de saúde.

Fonte: G1

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