Defesa de cabeleireiro esfaqueado por cliente pede investigação por tentativa de homicídio e homofobia

por Redação

A defesa do cabeleireiro Eduardo Ferrari afirmou que irá acionar o Ministério Público para pedir que a agressão sofrida por ele dentro de um salão em São Paulo seja reclassificada como tentativa de homicídio e homofobia.

O caso aconteceu na terça-feira (5) e foi registrado inicialmente no 91º Distrito Policial como lesão corporal, ameaça e autolesão.

Segundo a advogada Quecia Montino, a cliente Laís Gabriela Barbosa da Cunha atacou o profissional “de forma repentina, desproporcional e violenta pelas costas”, utilizando uma faca de serra após reclamar do resultado de um procedimento capilar.

A defesa sustenta que a própria suspeita declarou aos policiais que teria ido ao local com intenção de “matar esse viado desgraçado”, frase que, segundo a advogada, pode caracterizar motivação homofóbica além da tentativa de homicídio.

Ainda de acordo com Quecia Montino, serão adotadas medidas para responsabilização criminal da cliente também por homofobia, com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal que equipara esse tipo de discriminação ao crime de racismo.

A Secretaria da Segurança Pública informou que a delegada responsável encaminhou o caso ao Juizado Especial Criminal (Jecrim), cabendo agora ao Ministério Público e ao Judiciário analisar eventual reclassificação dos crimes.

Prints entregues à Polícia Civil mostram ameaças feitas por Laís ao cabeleireiro antes da agressão. Nas mensagens, ela chama Eduardo de “viado desgraçado” e afirma que tinha vontade de “ir no salão e colocar fogo”.

Segundo o cabeleireiro, a cliente havia realizado anteriormente um procedimento de mechas e texturização no salão e, inicialmente, saiu satisfeita, registrando fotos e divulgando o resultado nas redes sociais.

Dias depois, porém, passou a reclamar publicamente do serviço, alegando ter sofrido um “corte químico”, situação caracterizada pela quebra intensa dos fios causada por processos químicos.

Na terça-feira, Laís retornou ao salão exigindo reembolso e passou a ameaçar funcionários. Eduardo afirma que o gerente orientou a cliente a procurar a Justiça ou o Procon caso desejasse contestar o procedimento. Após a negativa do estorno, ela teria pegado uma faca e partido para cima dele.

O cabeleireiro sofreu ferimentos superficiais nas costas e passou por exame de corpo de delito.

Segundo depoimentos colhidos pela polícia, mesmo após ser contida, a mulher continuou fazendo ameaças. Testemunhas relataram que ela afirmou que Eduardo “morreria de qualquer jeito” e que poderia mandar terceiros cometerem o crime.

Em vídeos divulgados após o episódio, Laís criticou o corte da franja, afirmando que o cabelo ficou “parecendo o Cebolinha”, personagem da Turma da Mônica. No mesmo vídeo, ela admitiu ter feito ofensas homofóbicas ao profissional.

A suspeita afirmou que ainda está constituindo advogado e que só irá se manifestar oficialmente após contratar defesa.

Fonte: G1

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