Delação aponta que delegado teria aderido a esquema milionário de fraudes em concursos

Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema milionário de fraudes em concursos públicos que teria envolvido o delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento. Segundo informações obtidas por meio de delação premiada, ele teria descoberto a organização criminosa quando atuava em Arapiraca (AL), mas, em vez de prender os envolvidos, teria passado a se beneficiar do grupo.

De acordo com a PF, o principal operador do esquema é Thiago José de Andrade, apontado como líder da organização. Preso em uma das fases da operação, ele firmou acordo de delação e apresentou informações que mudaram o rumo das investigações.

No depoimento, Thiago afirmou que Gustavo Xavier chegou a obter um mandado de prisão contra ele, mas teria exigido que o investigado passasse a trabalhar para beneficiar pessoas ligadas ao delegado em concursos públicos fraudados. A delação cita ainda supostos favorecimentos a parentes e amigos do delegado.

Entre os nomes mencionados está o de Ayally Xavier, esposa do delegado-geral. Segundo a investigação, ela teria tentado ingressar na Polícia Civil de Alagoas por meio de concurso para delegada e teria utilizado um ponto eletrônico para receber respostas durante a prova. O equipamento, no entanto, não teria funcionado e a candidata teria entregado o exame em branco.

A PF aponta que as ordens para a realização das fraudes não eram transmitidas diretamente pelo delegado, mas por intermediários de confiança, como o investigador Ramon Isidoro Soares Alves.

Na última fase da operação, policiais federais cumpriram mandados de prisão em Alagoas, Paraíba e Pernambuco, incluindo detenções de professores suspeitos de resolver provas para candidatos. Gustavo Xavier foi alvo de mandado de busca e apreensão.

A equipe do programa Fantástico tentou contato com o delegado-geral na Delegacia-Geral da Polícia Civil, em Maceió, mas foi informada de que ele estava fora e sem previsão de retorno. Também não foram localizados endereços ligados ao investigador citado na delação.

Segundo a Polícia Federal, o esquema funcionava com diferentes estratégias para garantir aprovações. Entre os métodos estão o uso de “candidatos fantasmas”, que faziam provas no lugar dos inscritos, e o repasse de respostas por meio de pontos eletrônicos. A investigação aponta ainda acesso antecipado a cadernos de questões, gabaritos e temas de redação, com violação de lacres.

Em troca das fraudes, eram cobrados valores que variavam conforme o cargo pretendido, podendo chegar a R$ 500 mil. O grupo teria atuado em concursos de alto nível em diversos estados, incluindo seleções para tribunais, bancos públicos e cargos federais.

Fonte: FANTÁSTICO

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