São Paulo Diretora diz que tenente usou postura “impositiva e machista” durante ação armada em escola de SP Redação29 de junho de 2026021 visualizações A professora que exercia interinamente a direção da EMEI Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo, afirmou ao g1 que o tenente da Polícia Militar que entrou armado na unidade adotou uma postura “impositiva e machista” ao contestar uma atividade pedagógica sobre cultura afro-brasileira. O episódio ocorreu em novembro do ano passado e é investigado por meio de um Inquérito Policial Militar. A Polícia Militar foi acionada pelo pai de uma aluna de 4 anos, que é soldado da corporação. Ele se revoltou com um desenho de Iansã, orixá presente em religiões de matriz africana, feito pela filha durante uma atividade escolar, alegando que a criança estaria sendo obrigada a participar de “aula de religião africana”. Imagens de câmeras corporais obtidas pelo g1 mostram o momento em que o tenente Ronald Camacho, comandante da equipe, questiona a diretora e afirma que ela tentava “ditar sua ideologia”. Segundo a educadora, os policiais demonstraram despreparo para lidar com uma situação pedagógica e recorreram à autoridade da farda durante a discussão. Ela também criticou a entrada de policiais armados na escola de educação infantil, destacando que o tenente portava um fuzil, e afirmou que a abordagem provocou impactos pessoais. Após o episódio, desenvolveu sintomas de estresse pós-traumático, precisou se afastar do trabalho e fazer acompanhamento psicológico. Seu filho, que presenciou a discussão e estudava na unidade, também passou por atendimento psicológico após desenvolver medo de policiais. Durante a ocorrência, a diretora explicou que a atividade fazia parte de um projeto pedagógico baseado nas Leis Federais 10.639 e 11.645, que determinam o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Segundo ela, o trabalho utilizava o livro infantil “Ciranda de Aruanda”, integrante do acervo da rede municipal, abordando a mitologia dos orixás sob perspectiva cultural e literária, sem caráter de ensino religioso. Na gravação, o tenente contesta essa explicação, afirmando que o conteúdo possuía caráter religioso por citar Iansã. Em outro momento, ele diz que a diretora tentou impor sua ideologia e informa que poderia retornar à escola com uma medida administrativa. Durante a audiência, uma supervisora da Diretoria Regional de Educação do Butantã conversou com o policial por telefone e afirmou que o caso se tratava de uma questão pedagógica, e não de intolerância religiosa. O tenente respondeu que não possuía conhecimento técnico para avaliar o conteúdo educacional e disse que buscava manter uma posição neutra. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a atuação dos policiais e as imagens registradas pelas câmeras corporais são alvo de investigação por meio de um Inquérito Policial Militar. Fonte: G1