O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, preso suspeito de atirar e matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, tem histórico de prática de violência doméstica, segundo investigações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e boletins de ocorrência registrados contra ele por duas ex. O homem também já se envolveu em acidente que terminou com uma pessoa morta.
Durante a audiência de custódia que definiu a prisão preventiva do suspeito nesta quarta-feira (13), o juiz apontou que ele responde por lesão corporal grave contra uma ex-companheira, que teve um dos braços quebrados pelo suspeito.
Casa destruída, pé da ex quebrado e vassourada
Um boletim de ocorrência registrado no Rio de Janeiro em 2021 por uma mulher que disse à época “que vive um relacionamento abusivo com Renê” aponta que o homem a agrediu “segurando-lhe pelos braços e empurrando na parede”. Ele teve o pé quebrado, segundo o registro policial.
A mulher também informou à polícia que o agressor se enfureceu e “iniciou uma destruição da casa, revirando os bens no interior do imóvel” depois de perder os documentos e a vítima não encontrar sua carteira.
A mulher relatou, ainda, ameaça de morte contra ela e seus familiares, além de socos e pontapés contra animais do casal como forma de abalá-la psicologicamente.
Em outro boletim de ocorrência, de 2021, a ex-mulher de Renê relatou ter sido agredida com um empurrão e vassouradas pelo homem por ele não aceitar o fim do casamento.
Não há informações sobre se cada um desses casos motivou processos contra o empresário, mas uma ação que corre em segredo de justiça e sobre a qual não há detalhes foi identificada contra Renê.
Acidente com morte de mulher em situação de rua
O empresário também tem um registro de ocorrência policial na cidade do Rio de Janeiro, em 2011, que não chegou a resultar em processo judicial.
Na época, Renê Júnior se envolveu em um acidente que terminou com a morte de uma mulher em situação de rua. Segundo o boletim do caso, ele tinha habilitação apenas para carro, e não para moto, veículo que conduzia no dia do fato.
Renê Júnior disse à polícia que passava por uma avenida quando a vítima tentou atravessar e se assustou com a buzina. Ela então voltou para a calçada, momento em que foi atropelada. Na época, o empresário afirmou ter tentado contato com a família, mas não conseguiu.
Alegou que a inclusão da “categoria A”, que permite pilotar motos, estava em andamento e que, mesmo habilitado, não teria como evitar o acidente.
Juiz falou em personalidade ‘violenta’ e ‘desequilibrada’
Durante audiência de custódia que determinou a prisão preventiva de Renê da Silva Nogueira Júnior, o juiz também afirmou considerar a personalidade do empresário como “violenta, desequilibrada”.
A prisão preventiva foi pedida pelo Ministério Público e a audiência ocorreu na manhã desta quarta-feira (13). A defesa chegou a pedir o relaxamento, argumentando que não haveria indícios suficientes para manter a prisão preventiva.
Os advogados destacaram que o acusado é réu primário, possui bons antecedentes e residência fixa. Além disso, a defesa de Renê pediu que o caso fosse colocado sob sigilo, mas a Justiça não atendeu a solicitação.
O juiz Leonardo Damasceno, da Central de Audiência de Custódia, não acolheu os argumentos. Ele alegou haver elementos suficientes para manter a prisão, como “perseguição ininterrupta” da polícia, identificação do veículo e reconhecimento de testemunhas. O magistrado também afirmou que se trata de um crime hediondo, e que é necessário punição.
Fonte: G1