Um caso inusitado e controverso chamou a atenção das autoridades no sul da Ásia neste domingo: um grupo de 22 monges budistas foi preso no principal aeroporto internacional do Sri Lanka após uma apreensão recorde de 110 quilos de maconha de alta potência.
Segundo informações da alfândega local, os religiosos retornavam de uma viagem de quatro dias à capital da Tailândia quando foram interceptados. Durante a inspeção, agentes encontraram a droga — identificada como Kush, uma variedade potente de cannabis — escondida em compartimentos falsos nas bagagens.
De acordo com um porta-voz da alfândega, cada um dos monges transportava cerca de cinco quilos do entorpecente, cuidadosamente ocultos em estruturas modificadas das malas. Após a descoberta, o grupo foi imediatamente entregue à polícia e apresentado a um magistrado ainda no mesmo dia.
As autoridades também informaram que a maioria dos detidos é composta por jovens estudantes vinculados a templos em diferentes regiões do país. A viagem teria sido financiada por um empresário, cuja identidade e eventual envolvimento ainda não foram detalhados.
O episódio foi classificado como a maior apreensão individual de Kush já registrada no principal aeroporto internacional do Sri Lanka, reforçando preocupações sobre o uso de rotas internacionais para o tráfico de drogas.
Casos envolvendo monges budistas e substâncias ilícitas não são inéditos na região. Em 2022, todos os monges de um templo no centro da Tailândia foram afastados após testarem positivo para metanfetamina e encaminhados para tratamento. Já em 2017, em Mianmar, um monge foi preso após a descoberta de mais de 4 milhões de comprimidos de metanfetamina em seu carro e em seu mosteiro.
O caso atual amplia o debate sobre disciplina religiosa e possíveis infiltrações do crime organizado em instituições tradicionalmente associadas à espiritualidade.
Fonte: OGLOBO