Escritório da mulher de Moraes confirma contrato com Banco Master e nega atuação no STF

por Redação

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, divulgou nota nesta segunda-feira (9) confirmando que prestou serviços jurídicos ao Banco Master, instituição pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo o comunicado, a contratação ocorreu entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025 e envolveu consultoria e atuação jurídica para a instituição financeira. O escritório destacou, no entanto, que nunca conduziu nenhuma causa do Banco Master no âmbito do STF.

De acordo com a nota, o trabalho foi realizado por uma equipe composta por 15 advogados e contou também com a contratação de três escritórios especializados em consultoria, que atuaram sob coordenação da banca.

O documento detalha que, durante o período do contrato até a liquidação extrajudicial do banco em novembro de 2025, foram realizadas 94 reuniões de trabalho. Desse total, 79 ocorreram presencialmente na sede do Banco Master, com duração aproximada de três horas, envolvendo análise de documentos, discussão de problemas jurídicos e desenvolvimento do objeto contratual.

Outros 13 encontros ocorreram com a presidência da instituição, sendo dois presenciais no escritório e 11 por videoconferência, com duração aproximada de duas horas. Também foram realizadas duas reuniões virtuais entre o departamento jurídico do banco e a equipe da banca.

Segundo o escritório, os serviços incluíram a produção de 36 pareceres e opiniões legais sobre temas diversos, como questões previdenciárias, contratuais, trabalhistas, regulatórias, de compliance, proteção de dados e crédito.

A atuação também envolveu revisão de políticas internas, elaboração de manuais e implementação de estruturas de compliance, incluindo revisão do Código de Ética e Conduta do banco, políticas de relacionamento com o poder público, licitações, conflitos de interesse e gestão de riscos.

Outra frente de atuação da equipe jurídica, ainda de acordo com a nota, concentrou-se na análise consultiva e estratégica de investigações, inquéritos policiais, ações penais e procedimentos administrativos que poderiam impactar o banco ou seus dirigentes.

O comunicado não informa os valores firmados no contrato. Reportagem publicada anteriormente pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, apontou que o Banco Master teria pago R$ 3,6 milhões mensais ao escritório por 36 meses a partir de janeiro de 2024.

O caso ganhou novos desdobramentos após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal na última quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por uma organização criminosa.

A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do caso desde o mês passado.

Vorcaro já havia sido detido em novembro do ano passado, quando foi interceptado pela Polícia Federal ao tentar embarcar em um avião particular com destino à Europa no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Para os investigadores, havia indícios claros de tentativa de fuga do país.

Dias após a nova prisão, uma reportagem do blog de Malu Gaspar divulgou prints de mensagens atribuídas a Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes em 17 de novembro de 2025, horas antes da primeira prisão do banqueiro.

Segundo a publicação, as mensagens foram obtidas a partir da perícia da Polícia Federal em celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos com o empresário.

Após a divulgação do conteúdo, a comunicação do STF informou que Alexandre de Moraes nega que as mensagens tenham sido enviadas a ele.

A troca de mensagens teria ocorrido pelo WhatsApp e incluía textos registrados em um bloco de notas do celular do banqueiro. Em parte da conversa, Vorcaro mencionava negociações com investidores e citava preocupações com possíveis vazamentos de informações sobre o caso.

De acordo com a reportagem, algumas respostas atribuídas ao ministro teriam sido enviadas em formato de visualização única, o que impediu a recuperação do conteúdo.

Pouco depois das mensagens, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Banco Master. O negócio, no entanto, não foi concluído. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição.

A crise envolvendo o Banco Master se agravou ao longo de 2025 e também resultou na liquidação do Will Bank e do Banco Pleno, instituições que integravam o mesmo grupo financeiro.

O banco vinha operando sob elevado risco de insolvência, pressionado pelo alto custo de captação e pela exposição a investimentos considerados arriscados, com taxas de juros superiores às praticadas no mercado.

Entre os produtos oferecidos estavam Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração acima do padrão. Nesse tipo de investimento de renda fixa, o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca, que podem ser definidos previamente ou atrelados a indicadores como o CDI.

Tentativas de venda da instituição, incluindo uma proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram em meio a questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao banco em investigações.

Na nota divulgada nesta segunda-feira, o escritório Barci de Moraes reiterou que sua atuação consistiu em consultoria jurídica e estratégica e afirmou possuir quase duas décadas de atuação prestando serviços para grandes clientes.

Fonte: G1

Leia também