Um mês após a m0rt3 do pedreiro Francisco da Chagas Fontinelle, de 56 anos, durante uma operação policial no Jardim Macedônia, na Zona Sul de São Paulo, familiares afirmam ainda não ter respostas sobre o caso e denunciam ameaças atribuídas a policiais militares.
Segundo a família, Francisco foi baleado no dia 14 de março enquanto seguia para o trabalho e parou em um bar para comprar cigarros. Ele foi atingido na região do abdômen e, de acordo com os parentes, demorou a receber socorro, permanecendo quase uma hora no chão. O caso ocorreu durante uma ação da Polícia Militar para dispersar um baile funk, quando, segundo os agentes, houve troca de tiros.
Além de Francisco, outras cinco pessoas foram baleadas na ocasião. Kauã Lima, de 22 anos, também m0rreu. Ambos chegaram a ser socorridos, mas não resistiram. Até o momento, a família afirma não ter recebido o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que pode indicar a origem do disparo, e diz desconhecer de onde partiu o tiro que atingiu o pedreiro.
Nesta terça-feira (14), a filha e a ex-esposa da vítima prestaram depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pela investigação. O relato durou cerca de três horas e, segundo a família, reabriu o trauma do ocorrido.
Paralelamente, os familiares denunciam episódios de intimidação. A filha, Milena dos Santos Fontinelle, registrou queixa afirmando sofrer perseguição policial no bairro. Ela relata que, após um atendimento médico no último domingo, foi detida junto com o marido por desacato e afirma que, durante a abordagem, policiais fizeram comentários sobre a m0rt3 do pai em tom de ameaça.
Segundo o depoimento, os agentes teriam feito provocações sobre a investigação, questionando a existência de provas e mencionando a repercussão do caso na imprensa. Milena afirma ainda que ouviu frases indicando conhecimento sobre seu endereço, o que aumentou a sensação de insegurança.
O advogado da família informou que levará as denúncias à Ouvidoria das Polícias e à Corregedoria da Polícia Militar, solicitando medidas para garantir a integridade dos familiares. A defesa também acompanha a investigação conduzida pelo DHPP.
A família reforça que continuará cobrando esclarecimentos sobre a origem do disparo que matou Francisco e sustenta que ele não estava armado no momento em que foi atingido.
Fonte: G1