Família palestina fica retida em aeroporto de Guarulhos e caso expõe falhas no acolhimento de refugiados

Um casal palestino da Faixa de Gaza, acompanhado do filho de 1 ano e meio, afirma estar retido há seis dias na área restrita do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após solicitar refúgio no Brasil. O caso levanta questionamentos sobre os protocolos de entrada e acolhimento de pessoas vindas de zonas de conflito.

Segundo o advogado da família, Willian Fernandes, Hani M. M. Alghoul e Eitemad M.A. Alqassass Suhayla possuem vistos de turismo válidos emitidos por autoridade consular brasileira, mas ainda assim tiveram a entrada no país negada, sem justificativa formal. Diante da situação, foi protocolada na terça-feira (21) uma ação judicial para impedir a repatriação e garantir o ingresso no território nacional.

A família permanece hospedada em um hotel dentro da área restrita do aeroporto. O advogado classifica o caso como humanitário, destacando que a mulher está grávida, com anemia grave, e que o filho apresenta problemas de saúde. Em relato divulgado pela defesa, Hani descreve preocupação com o estado clínico da esposa e da criança, além do impacto psicológico causado pela guerra e pela retenção.

O Itamaraty informou que a decisão sobre entrada no país cabe à Polícia Federal. Até a última atualização, nem a PF nem a GRU Airport haviam se manifestado sobre o caso.

De acordo com a ONG Refúgio Brasil, a família saiu de Gaza rumo ao Egito, onde conseguiu visto de turismo brasileiro por falta de um visto humanitário específico para palestinos. Ao chegar ao Brasil, teria sido retirada da fila de imigração e interrogada. A orientação posterior foi solicitar refúgio, pedido que ainda não foi analisado.

Relatos apontam dificuldades enfrentadas no local, incluindo restrições de alimentação e permanência no quarto onde estão a mulher e a criança. Segundo a ONG, o pai não pode permanecer com a família sem custos adicionais e enfrenta limitações até para acessar alimentos.

Especialistas e entidades de direitos humanos afirmam que situações semelhantes têm se tornado recorrentes no aeroporto de Guarulhos, sendo inclusive reportadas a organismos internacionais. O caso evidencia possíveis lacunas na política de acolhimento brasileira, especialmente diante de fluxos migratórios vindos de áreas de conflito armado.

Fonte: G1

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