O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, tornou-se palco de uma escalada militar que preocupa governos e o mercado internacional de energia. Nesta semana, empresas de transporte marítimo e seguradoras passaram a receber mensagens atribuídas à Marinha da Guarda Revolucionária do Irã anunciando a proibição de navegação pela região.
Na segunda-feira, o governo iraniano confirmou o fechamento da passagem e ameaçou atacar qualquer embarcação que tentasse atravessar o estreito. Desde então, ao menos nove navios comerciais foram atingidos na área, segundo informações divulgadas ao longo da semana. Seis tripulantes m0rr3r4m.
De acordo com o professor de geopolítica Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, a medida faz parte da estratégia militar iraniana no contexto do conflito atual. Segundo ele, o bloqueio busca aumentar a pressão internacional e conter ataques contra o território do país.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico e, em seu ponto mais estreito, possui cerca de 33 quilômetros de largura. A região está cercada por alguns dos principais produtores de petróleo do mundo, como Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã.
Cerca de 20% de todo o petróleo transportado globalmente passa por essa rota, além de entre 20% e 25% do comércio mundial de gás natural. Grande parte da energia segue para países asiáticos, como Japão, Coreia do Sul, Índia e China. Em condições normais, o fluxo movimenta entre 300 milhões e 360 milhões de dólares por dia.
A navegação no estreito exige alta precisão. Petroleiros que cruzam a região podem transportar até 300 mil toneladas de petróleo por viagem. O tráfego funciona como uma espécie de estrada marítima, com faixas específicas para navios que entram e saem do Golfo Pérsico, separadas por uma zona de segurança.
Além do espaço limitado, os comandantes enfrentam correntes marítimas fortes e ventos intensos, que variam ao longo do ano. Segundo capitães que já atuaram na rota, qualquer desvio pode provocar encalhes ou colisões.
O risco de minas marítimas também aumenta a tensão. Durante a Guerra do Golfo, em 1991, o regime de Saddam Hussein espalhou cerca de duas mil minas pelo Golfo Pérsico. Em cenários como esse, explosivos submersos podem ser acionados por contato, sensores ou controle remoto, tornando qualquer travessia extremamente perigosa.
Atualmente, o controle do estreito está nas mãos da Guarda Revolucionária iraniana, que utiliza minas, drones e embarcações rápidas como parte da estratégia naval.
Em meio à escalada militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas destruíram dezenas de embarcações iranianas em operações recentes e declarou que um dos objetivos é aniquilar a marinha do país.
Na quarta-feira, um submarino de ataque dos Estados Unidos lançou um míssil contra uma fragata iraniana no Oceano Índico, perto da costa do Sri Lanka. A embarcação havia participado de exercícios militares com a Índia.
Após o ataque, autoridades informaram que 87 corpos foram encontrados e 32 pessoas foram resgatadas com vida.
Especialistas apontam que o episódio representa um evento raro na história militar: o afundamento de um navio inimigo por um submarino nuclear, algo que não acontecia desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de possuir uma marinha considerada menor que a americana, o Irã investe em estratégias assimétricas para equilibrar o confronto. Entre os principais recursos estão drones de longo alcance e sistemas de mísseis capazes de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância.
Essas tecnologias são vistas como peças centrais da estratégia iraniana para pressionar adversários e sustentar o bloqueio do estreito.
A região concentra algumas das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo. Segundo o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires, a Arábia Saudita — maior exportadora de petróleo do planeta — depende da passagem pelo estreito para escoar grande parte da produção.
Por isso, qualquer interrupção prolongada no tráfego marítimo pode provocar impactos diretos na economia global.
Mesmo com a possibilidade de escolta militar prometida pelos Estados Unidos para garantir a passagem de petroleiros, o Estreito de Ormuz segue parcialmente fechado.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, cerca de 20 mil tripulantes permanecem a bordo de navios no Golfo Pérsico aguardando a normalização da navegação.
Fonte: FANTÁSTICO