Filho de 2 anos denuncia agressões na creche e jovem rompe ciclo de violência doméstica no Rio

por Redação

A jovem Gabriela da Silva, de 22 anos, conseguiu romper um relacionamento de quatro anos marcado por diferentes formas de violência após o próprio filho, de apenas 2 anos, relatar às professoras da creche que via o pai agredir a mãe. Moradora do Morro da Providência, no Centro do Rio, ela agora tenta reconstruir a vida após denunciar o ex-companheiro.

Segundo Gabriela, o relacionamento começou quando ela tinha 17 anos e o então namorado, 27. Ao longo dos anos, ela afirma ter sofrido agressões psicológicas, morais e patrimoniais, além de violência física. O silêncio foi quebrado quando, ao buscar o filho na creche, soube que a criança havia contado, chorando, que o pai “batia na mamãe”.

O episódio foi o estopim para a mudança. Naquele período, Gabriela participava de um processo seletivo para jovem aprendiz e decidiu sair de casa sem voltar. Com o apoio dos pais, procurou o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), onde recebeu orientação sobre como formalizar a denúncia e buscar proteção legal.

Mesmo após o fim do relacionamento, ela relata que passou a ser perseguida pelo ex-companheiro, que aparecia em sua casa e monitorava suas redes sociais. Em um dos episódios, ele teria invadido a residência e tentado obrigá-la a entregar o filho. A situação levou Gabriela a registrar boletim de ocorrência e solicitar uma medida protetiva.

A jovem descreve a busca por proteção como um processo longo e desgastante, marcado por horas de espera em delegacias e pela dificuldade de conciliar o atendimento com trabalho e estudos. Atualmente, ela é estudante de Fisioterapia com bolsa na Universidade Celso Lisboa e atua como jovem aprendiz no projeto Music Camp, parceria entre a Sony Music e o CAMP Mangueira.

Segundo Gabriela, o apoio da família, amigos e colegas foi fundamental para romper o ciclo de violência e reorganizar a rotina. Ela destaca que o acolhimento sem julgamentos fez diferença no processo de denúncia e reconstrução emocional.

A jovem afirma que continua frequentando reuniões no CEAM para manter as informações atualizadas e garantir a continuidade das medidas de proteção. Para ela, o combate à violência doméstica depende de apoio institucional, familiar e social, além da responsabilização dos agressores.

O Rio conta com uma rede de atendimento a mulheres vítimas de violência, incluindo serviços como o Centro de Atendimento Multidisciplinar Integrado (CAMI), a Patrulha Maria da Penha, o aplicativo Rede Mulher e a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia.

Fonte: OGLOBO

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