Golpe do falso gerente de banco causa prejuízos superiores a R$ 80 mil e mira contas empresariais em SP

Um novo esquema de fraude digital tem feito vítimas em São Paulo ao simular atendentes e gerentes de banco para acessar contas empresariais e desviar valores. Pelo menos três casos envolvendo clientes do Bradesco foram registrados na capital, em bairros como Vila Buarque e Jardins, além de Guarulhos, com prejuízos que, somados, ultrapassam R$ 80 mil.

As investigações apontam que o golpe começa com contato por telefone ou WhatsApp, em linguagem técnica e com uso de dados reais das vítimas, como saldo bancário, o que aumenta a credibilidade da abordagem. Em seguida, os criminosos induzem as vítimas a acessar links, escanear QR Codes ou inserir códigos em aplicativos bancários, abrindo caminho para transferências e contratação de crédito.

Em um dos casos, a escritora e jornalista Claudia Castelo Branco perdeu R$ 20,5 mil após seguir orientações de supostos funcionários durante a troca de celular. Ela relatou que foi direcionada a um “assistente” e, após cerca de 40 minutos de ligação, escaneou um QR Code apresentado como etapa de segurança. Horas depois, foram realizadas duas transferências via PIX para uma empresa identificada como “TODO CARTÕES LTDA”. A vítima afirma que parte do valor está em disputa com o banco, mas ainda não foi recuperada.

Outro caso envolve a empresária Ana Maria Ferreira Soares, de Guarulhos, que teve cerca de R$ 18 mil retirados da conta jurídica após interação com um falso funcionário que alegava atualização cadastral. Segundo a família, além de transferências, houve contratação de empréstimo sem autorização. O banco negou ressarcimento, e a vítima ingressa na Justiça.

Já a psicóloga Deborah Carceles relata prejuízo superior a R$ 50 mil após ser convencida a realizar suposta atualização cadastral, com apoio de uma comunicação fraudulenta atribuída à Febraban. Foram feitos empréstimos de capital de giro e três transferências via PIX. O Bradesco informou que a transação foi autorizada com credenciais válidas e monitora a conta favorecida por 90 dias.

Especialistas alertam que os golpes têm se tornado mais sofisticados, com sites e números que simulam canais oficiais de instituições financeiras. A recomendação é desconfiar de contatos não solicitados e confirmar qualquer solicitação diretamente com o banco.

Segundo advogado ouvido na reportagem, bancos podem ser responsabilizados em casos de fraude, especialmente quando há transações fora do padrão do cliente sem bloqueios de segurança adequados.

O Bradesco afirmou que não comenta casos individuais por sigilo bancário e reforçou que não solicita senhas, instalação de aplicativos ou autorizações de transações por telefone ou mensagens.

Fonte: G1

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