Investigador recebeu R$ 4 milhões e é suspeito de revender drogas apreendidas na Paraíba

Gravações obtidas durante uma investigação revelaram um suposto esquema envolvendo policiais civis da Paraíba que desviavam drogas apreendidas, negociavam entorpecentes com facções criminosas e alertavam suspeitos sobre operações policiais. O caso resultou na prisão de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil na última terça-feira (2).

Entre os principais alvos está o investigador Everton Aires, conhecido como Bomba. Segundo a investigação, ele recebeu mais de R$ 4 milhões em suas contas bancárias nos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com seu salário de aproximadamente R$ 8.500. De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, o dinheiro teria origem na revenda de cocaína, crack e skunk apreendidos em operações.

Áudios obtidos pelos investigadores mostram Bomba tratando o tráfico de drogas como um negócio. Em uma das gravações, ele afirma: “É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio”. Em outro momento, compara a atividade à venda de produtos comuns. O investigador também declarou que ganhava mais dinheiro com a comercialização de hormônios, suplementos e anabolizantes do que com o salário recebido do Estado, afirmando que “a polícia paga uma merreca”.

As gravações contrastam com declarações públicas feitas pelo policial em um podcast, quando afirmou que a atuação policial deve ocorrer dentro da legalidade. Segundo os investigadores, porém, Bomba mantinha relações comerciais com traficantes e chegou a afirmar em um áudio que era quem mais vendia drogas na região. Outro registro mostra menção a contatos para fornecimento de entorpecentes ao Comando Vermelho.

A investigação teve início em maio de 2025 após um traficante denunciar que policiais civis haviam roubado uma carga de drogas. A apuração concluiu que parte dos entorpecentes apreendidos não era encaminhada para os procedimentos legais e acabava sendo revendida a outros criminosos.

Além de Bomba, também são investigados o investigador Eduardo Jorge, conhecido como Mão Branca, e o delegado Braz Morroni, chamado de Braz. Segundo as autoridades, o grupo negociava com ao menos quatro criminosos e protegia foragidos ao informar previamente sobre operações policiais.

Entre os beneficiados estaria José Alexandrino Júnior Lira, o Júnior Lira, investigado por participação em ataques do Novo Cangaço contra bancos e carros-fortes no Nordeste. Gravações apontam que ele contava com apoio policial para comercializar drogas e expandir as vendas para Mossoró, no Rio Grande do Norte.

O procurador-geral da Paraíba classificou o caso como extremamente grave, destacando que o envolvimento de agentes públicos transmite sensação de blindagem aos investigados. A operação conduzida pelo Gaeco e pela Polícia Civil resultou na prisão de nove pessoas, incluindo Bomba, Mão Branca, Braz e Júnior Lira.

As defesas negam as acusações. O advogado de Bomba afirmou que o policial não aceita as imputações. A defesa de Mão Branca disse não considerar crível que policiais estivessem negociando drogas abertamente e apontou possível tentativa de destruição de reputação. Já o advogado de Braz sustenta que não há provas de participação consciente do delegado nos fatos investigados. A defesa de Júnior Lira declarou que sua inocência será demonstrada e que ele é vítima de perseguição policial.

Fonte: FANTÁSTICO

Notícias Relacionadas

José Roberto Burnier é atacado por pitbull solto em São Paulo e leva quatro pontos na mão

Homem sobrevive três dias em ribanceira ao lado dos corpos do pai e de passageira após acidente em Goiás

Governo brasileiro monitora impacto de decisão dos EUA que classifica PCC e Comando Vermelho como terroristas