Segurança Investigador recebeu R$ 4 milhões e é suspeito de revender drogas apreendidas na Paraíba Redação8 de junho de 202602 visualizações Gravações obtidas durante uma investigação revelaram um suposto esquema envolvendo policiais civis da Paraíba que desviavam drogas apreendidas, negociavam entorpecentes com facções criminosas e alertavam suspeitos sobre operações policiais. O caso resultou na prisão de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil na última terça-feira (2). Entre os principais alvos está o investigador Everton Aires, conhecido como Bomba. Segundo a investigação, ele recebeu mais de R$ 4 milhões em suas contas bancárias nos últimos cinco anos, valor considerado incompatível com seu salário de aproximadamente R$ 8.500. De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, o dinheiro teria origem na revenda de cocaína, crack e skunk apreendidos em operações. Áudios obtidos pelos investigadores mostram Bomba tratando o tráfico de drogas como um negócio. Em uma das gravações, ele afirma: “É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio”. Em outro momento, compara a atividade à venda de produtos comuns. O investigador também declarou que ganhava mais dinheiro com a comercialização de hormônios, suplementos e anabolizantes do que com o salário recebido do Estado, afirmando que “a polícia paga uma merreca”. As gravações contrastam com declarações públicas feitas pelo policial em um podcast, quando afirmou que a atuação policial deve ocorrer dentro da legalidade. Segundo os investigadores, porém, Bomba mantinha relações comerciais com traficantes e chegou a afirmar em um áudio que era quem mais vendia drogas na região. Outro registro mostra menção a contatos para fornecimento de entorpecentes ao Comando Vermelho. A investigação teve início em maio de 2025 após um traficante denunciar que policiais civis haviam roubado uma carga de drogas. A apuração concluiu que parte dos entorpecentes apreendidos não era encaminhada para os procedimentos legais e acabava sendo revendida a outros criminosos. Além de Bomba, também são investigados o investigador Eduardo Jorge, conhecido como Mão Branca, e o delegado Braz Morroni, chamado de Braz. Segundo as autoridades, o grupo negociava com ao menos quatro criminosos e protegia foragidos ao informar previamente sobre operações policiais. Entre os beneficiados estaria José Alexandrino Júnior Lira, o Júnior Lira, investigado por participação em ataques do Novo Cangaço contra bancos e carros-fortes no Nordeste. Gravações apontam que ele contava com apoio policial para comercializar drogas e expandir as vendas para Mossoró, no Rio Grande do Norte. O procurador-geral da Paraíba classificou o caso como extremamente grave, destacando que o envolvimento de agentes públicos transmite sensação de blindagem aos investigados. A operação conduzida pelo Gaeco e pela Polícia Civil resultou na prisão de nove pessoas, incluindo Bomba, Mão Branca, Braz e Júnior Lira. As defesas negam as acusações. O advogado de Bomba afirmou que o policial não aceita as imputações. A defesa de Mão Branca disse não considerar crível que policiais estivessem negociando drogas abertamente e apontou possível tentativa de destruição de reputação. Já o advogado de Braz sustenta que não há provas de participação consciente do delegado nos fatos investigados. A defesa de Júnior Lira declarou que sua inocência será demonstrada e que ele é vítima de perseguição policial. Fonte: FANTÁSTICO