Irã endurece posição e envia recado direto aos EUA com exigências “inegociáveis”

Em meio à escalada de tensões no Oriente Médio, o Irã formalizou uma lista de pontos considerados “inegociáveis” e a encaminhou aos Estados Unidos por meio do Paquistão. A informação foi divulgada pela agência estatal iraniana Fars nesta segunda-feira, indicando que os temas incluem questões nucleares e o controle do estratégico Estreito de Ormuz.

Segundo a publicação, a iniciativa não estaria diretamente ligada a negociações formais entre os dois países, mas sim a uma tentativa de “esclarecer” a posição iraniana diante do cenário regional. Ainda assim, o conteúdo reforça o endurecimento do discurso de Teerã em um momento de conflito aberto com os EUA e Israel.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, foi o responsável por transmitir a mensagem durante viagem ao Paquistão. Ele também se reuniu com mediadores em Omã antes de seguir para São Petersburgo, onde tem encontro previsto com o presidente russo Vladimir Putin. Ao chegar à Rússia, Araghchi afirmou que discutiu, durante a passagem pelo Paquistão, condições para uma eventual retomada de negociações com os americanos.

Do lado dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou que autoridades iranianas podem retomar contato “quando quiserem”, mas reiterou que o conflito pode chegar ao fim em breve. A fala ocorre após o cancelamento de uma viagem de enviados americanos ao Paquistão.

O pano de fundo é uma guerra iniciada em 28 de fevereiro, após um ataque coordenado de Estados Unidos e Israel em Teerã. Desde então, o confronto já deixou mais de 1.900 civis mortos no Irã, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, além de pelo menos 13 soldados americanos mortos, conforme a Casa Branca.

A crise se ampliou com ataques iranianos a interesses dos EUA e de Israel em diversos países do Oriente Médio e com a atuação do Hezbollah no Líbano, elevando o risco de um conflito regional ainda mais amplo. Internamente, o Irã também passou por mudanças de liderança, aumentando a incerteza sobre os próximos passos do regime.

O envio da lista, ainda que sem detalhes completos, reforça o impasse diplomático e evidencia que qualquer avanço nas negociações dependerá de concessões difíceis em temas considerados sensíveis por ambas as partes.

Fonte: CNN

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