O Iraque anunciou a suspensão das operações em todos os portos de petróleo nesta quarta-feira, após um ataque do Irã atingir dois navios petroleiros próximos ao porto de al-Faw. Desde o início da escalada no Oriente Médio, 17 embarcações já foram atacadas no Golfo Pérsico, sendo seis apenas na última noite.
As embarcações atingidas em águas iraquianas foram o Safesea Vishnu, com bandeira das Ilhas Marshall, e o Zefyros, com bandeira de Malta. Ambas haviam carregado combustível; segundo a Organização Estatal Iraquiana para a Comercialização de Petróleo (SOMO), o Safesea Vishnu foi fretado por uma empresa iraquiana contratada pela SOMO, e o Zefyros transportava condensado da Basra Gas Company. Os ataques ocorreram na área de carregamento dentro das águas territoriais do Iraque.
No Bahrein, autoridades orientaram moradores a permanecerem em casa após um ataque iraniano a tanques de combustível na província de Muharraq, parte da campanha de Teerã para desestabilizar os mercados globais de energia. O Ministério do Interior alertou para os efeitos da fumaça e pediu que janelas e aberturas de ventilação fossem fechadas.
O transporte marítimo no Golfo Pérsico e no estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do petróleo mundial, praticamente parou desde que os EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, provocando aumento nos preços globais do petróleo para acima de US$ 100 o barril.
O Irã alertou que o mundo deveria se preparar para o petróleo a US$ 200 o barril, desafiando declarações do presidente Donald Trump de que os EUA já haviam vencido o conflito. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que, se os ataques continuarem, nenhum litro de petróleo será exportado do Oriente Médio para os EUA, Israel ou seus aliados. Trump respondeu que Washington reagiria com ainda mais força caso o Irã bloqueie as exportações e afirmou que companhias petrolíferas deveriam usar o estreito, pois “praticamente toda a marinha do Irã foi dizimada”.
Fonte: OGLOBO