Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após crise e expõe fragilidade do Planalto

por Redação

A saída do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado marcou a primeira baixa de um líder do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso motivada por uma crise política, e não por rearranjos ministeriais.

Diferentemente de casos anteriores, como o de José Guimarães (PT-CE), que deixou a liderança do governo na Câmara para assumir a Secretaria de Relações Institucionais, a saída de Jaques foi tratada nos bastidores como uma espécie de “demissão” política. Publicamente, o senador afirmou que a decisão ocorreu em comum acordo.

A avaliação no Palácio do Planalto era de que a permanência de Jaques poderia gerar desgaste à campanha de reeleição de Lula, que será oficialmente iniciada em agosto. O parlamentar foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

Em publicação nas redes sociais, Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e afirmou que sua prioridade será provar a própria inocência e atuar nas campanhas de Lula, do governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT) e na sua própria tentativa de reeleição ao Senado.

A saída do senador também ocorre em meio a dificuldades do governo no Congresso. Jaques era considerado um dos principais articuladores do Planalto no Senado, mas a relação entre o Executivo e a Casa acumulou derrotas recentes, incluindo a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, tornando-se a primeira rejeição de um indicado ao Supremo em 132 anos.

Dentro do PT, havia divergências sobre a permanência do senador. Parte da legenda defendia sua saída para reduzir desgastes eleitorais, enquanto outro grupo avaliava que a troca poderia ser interpretada como admissão de culpa e enfraquecer ainda mais a base governista.

Aliado histórico de Lula, ex-governador da Bahia, ex-ministro e parlamentar experiente, Jaques Wagner ocupava posição estratégica na interlocução do governo com o Senado, o que aumenta o peso político de sua saída.

O episódio reforçou críticas à articulação política do governo federal. Parlamentares e aliados apontam falhas de coordenação entre o Planalto, líderes partidários e os comandos da Câmara e do Senado desde o início do terceiro mandato de Lula.

Além da derrota envolvendo Jorge Messias, o governo também perdeu o controle da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, ficando sem a presidência e a relatoria do colegiado. Após esse revés, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), admitiu falhas na articulação e afirmou que o governo subestimou a oposição.

Randolfe também enfrenta críticas após o Congresso derrubar vetos presidenciais importantes, incluindo trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, reduzindo a margem de controle do Executivo sobre o Orçamento.

O sucessor de Jaques Wagner assumirá uma agenda considerada difícil, com necessidade de reconstruir o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), evitar novas derrotas e tentar avançar com pautas prioritárias do governo, como a PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6×1.

O Planalto também busca conter impactos fiscais. Recentemente, o Senado aprovou três propostas que, segundo estimativas, podem gerar impacto de cerca de R$ 215 bilhões para o governo. Entre elas está o projeto que permite o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para renegociação de dívidas rurais, com custo estimado de R$ 140 bilhões ao Tesouro Nacional ao longo de dez anos.

Fonte: G1

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