Julgamento que pode expulsar tenente-coronel acusado de matar esposa entra em fase decisiva em SP

O processo administrativo que pode expulsar da Polícia Militar de São Paulo o tenente-coronel Geraldo Neto, preso acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves, será retomado nesta semana com novos depoimentos de testemunhas.

As audiências do Conselho de Justificação (CJ) da PM estão marcadas para esta segunda-feira (11) e quinta-feira (14). Serão ouvidas três policiais militares amigas da vítima e um oficial que atendeu à ocorrência no dia da morte.

Geraldo Neto responde administrativamente por conduta incompatível com a permanência na corporação e também é acusado de tentar intimidar policiais de menor patente durante o atendimento do caso, ocorrido em 18 de fevereiro.

Segundo a investigação, os agentes registraram o comportamento do oficial por meio de câmeras corporais.

Nesta segunda-feira, devem depor uma soldado e um primeiro-tenente. Já na quinta-feira, serão ouvidas uma subtenente e uma cabo, todas amigas próximas de Gisele Alves.

Relatos já anexados ao processo apontam um histórico de ciúme, controle e comportamento possessivo por parte do tenente-coronel. De acordo com as testemunhas, ele monitorava redes sociais, controlava conversas e até restringia o uso de maquiagem e perfume pela esposa.

As amigas também afirmaram que Gisele planejava se separar após descobrir supostas traições do marido. Todas negaram que a policial apresentasse comportamento suicida.

Um primeiro-tenente ouvido pela Polícia Civil relatou ainda ter estranhado a preservação da cena do crime. Segundo ele, o apartamento estava “mais preservado do que o de costume numa situação dessas”.

Ainda não há data marcada para o interrogatório de Geraldo Neto no Conselho de Justificação. A defesa informou que não irá comentar o processo administrativo neste momento.

O procedimento corre separadamente da ação criminal e pode resultar na expulsão do oficial mesmo sem condenação definitiva na Justiça.

O colegiado responsável pelo julgamento é formado por três coronéis da PM. Caso entendam que Geraldo Neto não reúne condições morais e funcionais para permanecer na corporação, o caso seguirá para o Tribunal de Justiça Militar, que poderá determinar a perda do posto e da patente.

Na esfera criminal, o oficial responde por feminicídio e fraude processual. Ele está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista.

Segundo o Ministério Público, Gisele Alves, de 32 anos, queria encerrar o relacionamento, mas o marido não aceitava a separação. A acusação sustenta que ele matou a esposa com um tiro na cabeça e tentou forjar um suicídio.

A defesa nega o crime e afirma que a própria policial tirou a própria vida após o oficial pedir o divórcio.

Laudos periciais da Polícia Civil e do Ministério Público, porém, apontam indícios de que o tenente-coronel teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime.

Gisele deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior. Caso seja condenado, Geraldo Neto poderá ser obrigado a pagar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.

Fonte: G1

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