Júri dos PMs acusados pela morte de delator do PCC ouve sobreviventes e viúva de vítima em Guarulhos

O júri popular dos três policiais militares acusados de participar do assassinato do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinícius Gritzbach, começou nesta segunda-feira (22) no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. O julgamento deve durar cinco dias e contará com o depoimento de 21 testemunhas entre acusação e defesa.

As primeiras testemunhas ouvidas foram sobreviventes do ataque ocorrido em 8 de novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, além da viúva do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, que morreu após ser atingido durante o atentado.

William Souza Santos, funcionário do aeroporto, relatou que trabalhava no local havia sete anos e foi atingido em três dedos da mão durante os disparos. Ele afirmou não conhecer as vítimas nem ter identificado os autores dos tiros.

Outra sobrevivente, a gerente de TI Samara, contou que retornava de uma viagem quando ouviu os disparos e se escondeu atrás de uma coluna. Somente depois percebeu que havia sido atingida na barriga. Ela afirmou que precisou de acompanhamento psicológico após o episódio.

Em um dos depoimentos mais emocionantes do dia, Simone Novais, viúva de Celso, relatou o impacto da tragédia sobre a família. Segundo ela, recebeu um vídeo enviado pelo marido já dentro da ambulância dizendo que havia sido baleado. O casal tinha três filhos, e ela afirmou que a família ainda enfrenta dificuldades emocionais e financeiras após a perda.

Também prestou depoimento o perito criminal responsável pela análise da cena do crime. Ele informou que foram identificados 27 disparos de fuzil, sendo 21 de calibre 7.62 e seis de calibre 5.56. Segundo a perícia, um dos tiros percorreu mais de 80 metros e poderia ter atingido outra pessoa dentro do terminal aeroportuário.

Os réus Fernando Genauro da Silva, Denis Antonio Martins e Ruan Silva Rodrigues estão presos e respondem por homicídio qualificado pelas mortes de Gritzbach e Celso Novais, além de duas tentativas de homicídio contra pessoas feridas no atentado.

De acordo com o Ministério Público, Fernando teria dirigido o veículo utilizado na fuga dos executores, enquanto Denis e Ruan seriam os responsáveis pelos disparos que mataram o empresário. As defesas negam as acusações e sustentam que houve direcionamento investigativo contra os policiais sem a devida apuração de outras linhas de investigação.

Gritzbach foi executado na área de desembarque do aeroporto após colaborar com a Justiça em delações que envolviam integrantes do PCC, do Comando Vermelho (CV) e policiais acusados de corrupção. Em troca das informações prestadas, ele buscava benefícios judiciais em processos relacionados à lavagem de dinheiro.

Além dos três PMs julgados, outros suspeitos apontados como participantes e mandantes do crime permanecem foragidos. O julgamento ocorre sob forte esquema de segurança, com acesso restrito ao fórum e apoio de grupos táticos policiais.

Fonte: G1

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