Laudo do IML aponta deformidade permanente após procedimento estético feito por dentista

por Redação

Um laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) apontou lesões corporais de natureza gravíssima e deformidade estética permanente na secretária Silvia Maria Cândido, de 63 anos, após procedimentos estéticos realizados pela dentista Fernanda Borges da Silva, em Ribeirão Preto (SP). A clínica onde a profissional atendia está interditada desde setembro do ano passado.

Silvia passou por duas intervenções — lifting facial e cervicoplastia — no dia 11 de setembro. Menos de 24 horas depois, precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência, na madrugada do dia 12, devido a um sangramento intenso no pescoço.

Além dela, outras quatro mulheres procuraram a Polícia Civil para denunciar a dentista por complicações graves no pós-cirúrgico de diferentes procedimentos. A EPTV, afiliada da TV Globo, entrou em contato com a defesa de Fernanda, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) informou que o processo que investiga a conduta da profissional tramita em sigilo. Já a presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO), Karina Ferrão, afirmou que nem todos os procedimentos estéticos são permitidos a cirurgiões-dentistas.

Segundo ela, a resolução 198 autoriza e reconhece a harmonização orofacial como especialidade odontológica, permitindo cirurgias como bichectomia, lip lifting e lipo cirúrgica de papada. No entanto, a resolução 230 veda determinados procedimentos, entre eles o lifting facial.

‘Verdadeiro pesadelo’

Silvia ficou sete dias em coma induzido após complicações do chamado protocolo Livcontour, que combina lifting facial e cervicoplastia, intervenções destinadas a rejuvenescer rosto e pescoço e remover excesso de pele e gordura.

Após a cirurgia inicial, ela relatou insatisfação com o resultado, e a dentista sugeriu um “retoque” no pescoço. Segundo a secretária, a profissional descreveu o procedimento como simples e superficial. No mesmo dia, porém, surgiram os primeiros sinais de complicação.

“Ela me disse que seriam só quatro pontinhos, um corte superficial, bem simples. Mas quando saí da clínica e fui até a casa da minha irmã, ela percebeu que eu estava sangrando”, relatou.

Ao procurar novamente a dentista, Silvia afirmou ter sido tranquilizada de que não se tratava de algo grave. Na madrugada seguinte, acordou com sangramento intenso e dificuldade para respirar. Tentou contato diversas vezes com a profissional, mas não obteve resposta.

Ela então procurou um hospital particular, onde exames indicaram a necessidade imediata de cirurgia. Além do coma induzido, permaneceu mais dez dias internada na UTI. À EPTV, afirmou que ouviu dos médicos que o atendimento rápido foi determinante para sua sobrevivência.

“Se demorasse um pouquinho mais para chegar no hospital, não dava tempo de me socorrer, porque na situação que eu cheguei, eles já tiveram dificuldade para me entubar porque já estava bastante inchado o meu pescoço”, disse.

Silvia já conhecia a dentista de atendimentos anteriores menos invasivos, incluindo aplicações de botox.

Clínica interditada

A clínica localizada no Alto da Boa Vista foi interditada administrativamente em 24 de setembro, após inspeção que constatou irregularidades sanitárias. Desde então, o local não tem autorização para funcionamento ou atendimento de pacientes.

De acordo com a Vigilância Sanitária, foram identificadas infrações graves, como funcionamento sem licença sanitária para atividades de estética e para policlínica odontológica, além do descumprimento de normas de controle de infecção.

Na semana passada, quando novos relatos vieram à tona, a advogada Mônica Paula Lino de Andrade, que representa a dentista, afirmou que as pacientes que relataram complicações não foram submetidas a exames clínicos ou periciais que comprovassem as acusações.

Fonte: G1

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