Ligação ao 190 minutos antes de crime expõe falhas e agrava caso de execução de casal no ES

por Redação

Novos detalhes sobre o assassinato de um casal em Cariacica, na Grande Vitória, levantam questionamentos sobre a atuação policial no caso. Menos de 20 minutos antes de ser morta, Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31 anos, ligou para o 190 pedindo ajuda. Ainda assim, ela e a companheira, Daniele Toneto, 45, foram executadas no dia 8 de abril por um policial militar.

De acordo com informações repassadas pela família, a ligação foi feita às 9h46. Às 10h02, uma viatura chegou ao local, e a vítima chegou a acenar para os agentes. No entanto, um minuto depois, o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale apareceu a pé, acompanhado de outros quatro policiais e já com a arma em mãos. Na sequência, o crime foi cometido.

A motivação do assassinato ainda é investigada, mas a principal linha de apuração aponta para um desentendimento envolvendo a ex-companheira do policial, vizinha das vítimas. A discussão teria sido relacionada ao uso de ar-condicionado e à divisão de energia entre os imóveis. Antes do crime, a ex-mulher do cabo teria acionado o militar relatando a situação, o que o levou a deixar seu posto e ir até o local. Ele foi preso após o ocorrido.

A Polícia Militar informou que os detalhes sobre o acionamento das viaturas e a dinâmica da ocorrência serão apurados por meio de Inquérito Policial Militar. A dúvida central é se o atendimento foi adequado diante do pedido de socorro feito minutos antes do crime.

A história das vítimas também evidencia o impacto da tragédia. Francisca havia se mudado do Maranhão para o Espírito Santo em 2018 para ajudar a irmã e, desde então, construiu vida ao lado de Daniele, com quem mantinha um relacionamento há sete anos. Juntas, empreendiam na venda de alimentos, como molhos de pimenta e biscoitos, e planejavam o futuro — inclusive com intenção de adoção.

Familiares contestam versões que sugerem conflito com o filho do policial e descrevem as vítimas como pessoas afetuosas e próximas das crianças da família. A notícia da morte chegou de forma abrupta, pela televisão, o que intensificou a revolta.

O caso segue sob investigação, enquanto familiares cobram responsabilização. O episódio reforça preocupações sobre o uso da força e a condução de ocorrências envolvendo agentes de segurança, especialmente quando há indícios de conflito pessoal.

Fonte: G1

Leia também