A Polícia Civil afirmou que o manobrista da academia era o responsável pela manutenção da piscina onde uma professora passou mal e morreu após uma aula de natação, na Zona Leste de São Paulo. A informação foi confirmada no domingo (8) pelo delegado Alexandre Bento, titular do 42º Distrito Policial, que conduz a investigação.
Segundo o delegado, a principal suspeita é de que houve uma mistura inadequada de produtos químicos, o que provocou uma reação química e a liberação de gases tóxicos no ambiente. A inalação desses gases teria causado intoxicação nos frequentadores da piscina.
“Esse gás tóxico provocou asfixia nas pessoas que ali estavam, por meio da queima das vias aéreas, gerando bolhas no pulmão das vítimas. Estamos tentando entender qual foi o produto utilizado e em qual proporção”, afirmou Bento.
De acordo com o delegado, a investigação enfrenta dificuldades devido à falta de colaboração da empresa. Os responsáveis pelo estabelecimento não compareceram para prestar esclarecimentos e o funcionário apontado como responsável pela limpeza da piscina ainda não foi localizado. “Não conseguimos entender a mistura que foi feita porque não localizamos o manobrista, que seria a pessoa responsável por preparar os produtos”, explicou.
O delegado classificou o caso como grave e delicado e destacou que o local foi interditado pela Vigilância Sanitária. Bombeiros e equipes técnicas precisaram entrar na academia utilizando equipamentos de proteção, e todas as janelas foram abertas para dissipar os gases.
Em nota, a Subprefeitura da Vila Prudente informou que interditou preventivamente a academia C4 Gym, no Parque São Lucas, após constatar irregularidades como a existência de dois CNPJs vinculados ao mesmo endereço, ausência de Auto de Licença de Funcionamento e condições precárias de segurança.
Abalado, o pai da professora, Ângelo Augusto Bassetto, pediu justiça rigorosa e afirmou que a família deseja evitar que casos semelhantes voltem a acontecer. Ele relatou que a filha ainda estava viva quando chegou ao hospital, mas apresentava grave dificuldade para respirar, evoluindo depois para parada cardíaca. Segundo ele, médicos informaram que o produto químico atingiu os pulmões da vítima.
O caso ocorreu no sábado (7). A professora Juliana e o marido, Vinicius de Oliveira, perceberam odor e gosto anormais na água da piscina durante a aula. Após passarem mal, todos os alunos deixaram o local. Vinicius segue internado em estado grave e foi entubado. Um adolescente de 14 anos também permanece hospitalizado. Outras duas pessoas receberam atendimento médico e tiveram alta.
A Polícia Civil apreendeu amostras da água da piscina e os produtos químicos usados na unidade. As causas da morte seguem sob investigação. O velório de Juliana ocorre nesta segunda-feira (9), e o enterro está marcado para o período da tarde.
Em nota, a academia afirmou que interrompeu imediatamente o uso da piscina, acionou o socorro e segue colaborando com as autoridades. Informou ainda que, em sinal de luto, suas unidades próprias na capital permaneceriam fechadas nesta segunda-feira.
Fonte: G1