Um episódio de extrema violência no Haiti resultou na morte de 207 pessoas, em sua maioria idosos, entre os dias 6 e 11 de dezembro de 2024, na região de Wharf Jérémie, em Porto Príncipe. O caso é atribuído ao líder de facção autodenominado “rei Micanor”, que controla a área por meio da coalizão criminosa Viv Ansanm.
Segundo relatos reunidos em investigações de organizações de direitos humanos e testemunhos de sobreviventes, a sequência de crimes teria sido motivada por uma interpretação de que uma doença do filho de seis anos do líder estaria ligada a uma “maldição” lançada por moradores idosos do bairro. A partir disso, o grupo armado passou a sequestrar e executar pessoas da comunidade.
O início da escalada de violência ocorreu em 6 de dezembro de 2024, quando ao menos 127 idosos foram levados de suas casas por homens armados e encaminhados a uma área próxima ao mar, onde foram mortos. Nos dias seguintes, novas vítimas foram capturadas, incluindo familiares de moradores e pessoas que tentavam escapar da região.
Relatórios indicam que os corpos foram destruídos ou ocultados por diferentes métodos, incluindo fogo e descarte no mar. Ao longo dos seis dias, a violência se intensificou, com novas execuções e sequestros, chegando ao total de 207 mortos.
O caso ocorre em um contexto de colapso da segurança em Porto Príncipe, onde cerca de 90% da capital estaria sob controle de facções armadas. A Viv Ansanm é apontada como a maior coalizão criminosa em atividade no país, atuando em meio a disputas territoriais, ausência do Estado e sucessivas crises políticas desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021.
Autoridades locais e organizações internacionais descrevem a região como praticamente inacessível, com bloqueios, barricadas e confrontos armados frequentes. Sobreviventes relatam que o medo e o controle imposto pelo grupo impediram denúncias imediatas e dificultaram a saída de moradores.
Até o momento, não há confirmação de responsabilização judicial pelos crimes. O episódio permanece sob investigação e é tratado por entidades de direitos humanos como um dos mais graves massacres recentes registrados nas Américas.
Fonte: G1