Uma megaoperação deflagrada nesta quinta-feira (28) por órgãos federais e estaduais revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) adquiriu fazendas e ao menos duas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo, além de coagir empresários do setor sucroenergético. Segundo a superintendente da Receita Federal da 8ª Região, Márcia Meng, em usinas não compradas, os sócios foram “sequestrados” e se tornaram “reféns” da facção.
A investigação também apontou adulteração de combustíveis com metanol e possível envolvimento do grupo em crimes ambientais, como os incêndios que devastaram canaviais em 2023. Esses episódios geraram prejuízos milionários a grandes companhias: a São Martinho informou perdas de R$ 250 milhões e a Raízen, danos sobre 6 milhões de toneladas de cana.
Fraudes fiscais e lavagem de dinheiro
De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do MP-SP), o empresário Mohamad Hussein Mourad, ligado ao PCC, comprou as usinas Itajobi e Carolo para estruturar um esquema de fraudes fiscais e lavagem de capitais. Ele teria usado fundos de investimento — como o Mabruk II e o Fiagro Participation — para ocultar sua participação e assumir o controle das operações.
O MP suspeita que outras usinas — como Rio Pardo, Furlan e Comanche — também foram adquiridas ou estão sob influência do grupo. Em alguns casos, as empresas passaram a praticar sobrepreço na compra de cana, mecanismo utilizado para gerar créditos indevidos e mascarar movimentações financeiras.
A denúncia ainda cita a distribuidora de combustíveis Duvale e a fintech BK como peças-chave para a lavagem de dinheiro. Transferências milionárias para a Usina Furlan reforçam os indícios de capital ilícito.
Expansão no setor
Mourad estaria em nova investida para tomar o controle de usinas do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), em recuperação judicial. Segundo os autos, ele já adquiriu créditos bancários do grupo e celebrou contratos de parceria agrícola para explorar plantações de cana.
A Receita Federal confirmou que assumiu o controle de usinas, sem revelar nomes, como forma de conter a circulação de combustíveis adulterados. Entidades representativas do setor, como a Unica, a Faesp e a Bioenergia Brasil, comemoraram a operação.
Fonte: GLOBO RURAL