O México permanece em alerta nesta segunda-feira (23), com escolas fechadas em pelo menos oito estados, após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, em operação militar no domingo (22). A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu calma à população diante de uma explosão de violência, que incluiu bloqueios de rodovias, incêndios de veículos e estabelecimentos comerciais, além do cancelamento de voos de companhias aéreas dos EUA e Canadá.
Durante sua coletiva diária, Sheinbaum afirmou que os bloqueios nas estradas já foram removidos. No domingo, 229 bloqueios foram registrados, organizados por membros do cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) em resposta à morte de seu líder.
“A coisa mais importante agora é garantir a paz e a segurança para toda a população do México. O país está em paz, está calmo”, declarou. Além das escolas, o Poder Judiciário anunciou que juízes podem manter tribunais fechados se julgarem necessário.
Os bloqueios e incêndios ocorreram principalmente no estado de Jalisco, mas também afetaram Puerto Vallarta, Michoacán, Puebla, Sinaloa, Guanajuato e Guerrero.
Quem era El Mencho?
Ex-policial, Nemesio Oseguera Cervantes comandava o CJNG, um dos cartéis mais violentos e influentes do país. Ele morreu na cidade de Tapalpa, em Jalisco, após ferimentos graves durante a operação militar. Outros membros do cartel também morreram, e armas, incluindo lançadores de foguetes, foram apreendidas. Três militares ficaram feridos e foram hospitalizados na Cidade do México.
O CJNG se expandiu rapidamente na última década, dedicando-se à produção e venda de drogas, extorsão e ataques a forças de segurança. O grupo se tornou rival do Cartel de Sinaloa, liderado por Joaquín “El Chapo” Guzmán. Os EUA já ofereceram recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à captura de El Mencho.
Reações à morte
Após a morte de El Mencho, ocorreram incêndios de veículos e bloqueios em Jalisco. A presidente Sheinbaum destacou a coordenação com governos estaduais e elogiou o Exército, a Guarda Nacional e as Forças Armadas. O governador Pablo Lemus Navarro afirmou que grupos não identificados incendiaram veículos em Tepalpa, dificultando ações das autoridades.
O governo dos EUA comemorou a morte do narcotraficante. Christopher Landau, subsecretário de Estado, classificou a operação como “um grande avanço para o México, os EUA, a América Latina e o mundo” e alertou cidadãos americanos para permanecerem abrigados em estados de risco, como Jalisco, Tamaulipas, Michoacán, Guerrero e Nuevo León. A Embaixada do México em Washington afirmou que informações fornecidas pelos EUA contribuíram para a operação militar.
Fonte: G1