A morte da ajudante-geral Thawanna Salmázi, de 31 anos, baleada por uma policial militar na Zona Leste de São Paulo, levanta questionamentos sobre possível omissão de socorro e falhas no atendimento de emergência. O caso ganhou novos desdobramentos após o depoimento do companheiro da vítima, Luciano Gonçalves dos Santos, prestado nesta segunda-feira (13) à Ouvidoria das Polícias.
Luciano afirmou que foi impedido de socorrer a esposa logo após o disparo. Segundo ele, houve uso de violência por parte dos policiais no local. Ele também relatou que o episódio começou quando foi atingido por uma viatura da PM, conduzida pelo soldado Weden da Silva Soares, enquanto caminhava com Thawanna em Cidade Tiradentes. Após o impacto, o policial teria dado ré e iniciado uma discussão com o casal, que evoluiu até o disparo feito pela soldado Yasmin Cursino Ferreira.
Imagens de câmera corporal registraram o momento do tiro, às 2h59, e mostram a própria equipe policial solicitando socorro ao Centro de Operações da PM (Copom). Apesar dos pedidos imediatos, o acionamento do Corpo de Bombeiros ocorreu apenas cinco minutos depois. A ambulância chegou ao local às 3h30, cerca de 30 minutos após o primeiro chamado, e deixou a cena às 3h37, chegando ao hospital três minutos depois. Thawanna não resistiu e morreu por hemorragia interna aguda, conforme o Instituto Médico Legal (IML).
O ouvidor Mauro Caseri destacou que não há legislação que impeça familiares de prestarem socorro e afirmou que irá solicitar investigação sobre possível omissão. Ele ressaltou que a vítima ficou cerca de 40 minutos aguardando atendimento. Socorristas ouvidos apontam que a demora pode ter agravado o quadro, já que o sangramento não foi estancado rapidamente.
Outro ponto que chama atenção é a proximidade de bases do Corpo de Bombeiros. A unidade mais próxima fica a cerca de 6 minutos do local, enquanto outra está a aproximadamente 13 minutos. Ainda assim, o tempo total de resposta superou a meta de 20 minutos estabelecida pela própria corporação.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e por inquérito militar, com acompanhamento das corregedorias. Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais, e o Corpo de Bombeiros também apura o tempo de resposta.
A defesa da policial responsável pelo disparo sustenta que houve legítima defesa, alegando que a agente foi agredida e efetuou um único tiro para conter a situação. Testemunhas, no entanto, contestam essa versão e relatam uma escalada de agressões iniciada pela própria abordagem policial.
O caso segue sob investigação e evidencia falhas operacionais e divergências de versões que devem ser analisadas pelas autoridades.
Fonte: G1